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sábado, 16 de maio de 2009

Abrantes - parte 4 - Abrantes FC



A 14 de Dezembro de 1998, após vários anos sem futebol sénior, a sede de concelho viu nascer o Abrantes Futebol Clube (AFC). Há pouco mais de dez anos, quem poderia imaginar o que aconteceria neste período ? Muito provavelmente seriam poucos a prognosticar uma ascensão tão rápida e ainda menos a antecipar uma queda tão súbita.

Comecemos pelo início. A primeira época do novo clube foi de sucesso pleno. Inscrito na 2ªDivisão da AF Santarém, terminou na frente dos seus dez oponentes da Série B e de forma inequívoca. 19 vitórias e apenas um empate nos 20 jogos disputados. Em golos, as contas fecharam com 91 golos marcados e apenas 6 sofridos! Na Fase de apuramento de Campeão, defrontou os vencedores das duas outras séries (Muge e Caxarias). O domínio continuou. A 14 de Maio de 2000, uma vitória em Muge, onde um empate seria suficiente, garante o título de Campeão da 2ªDivisão da AF Santarém.



Treinado por Rui Morais (técnico que orientara o U.Santarém), o AFC alinhou com Rui Forte; Nuno Felício, Pedro Lourenço, Marchão e Filipe Rodrigues; Costa, Gonçalo Francisco e João Santos; Apura, Pimenta e Santana.

Na estreia no escalão maior do futebol ribatejano, manteve Rui Morais no comando técnico e contratou um brasileiro com experiência de 1ªDivisão Nacional, Mazo. O objectivo passava por nova subida. Março começava com as expectativas goradas, pelo que Luís Pereira, técnico dos Juniores, substituiu Rui Morais. Ex-jogador do Sp.Abrantes, Alferrarede, Eléctrico Ponte de Sôr, Tramagal e Pego, o técnico de 35 anos terminaria a época no 3º posto, atrás de Riachense e Rio Maior.

Em 2001/02, o Abrantes FC contrata o técnico Mário Ruas (treinara clubes como o Torres Novas, U.Tomar e Riachense). O primeiro técnico com experiência nos campeonatos nacionais não ficaria até ao final da época, sendo rendido pelo actual técnico do Loures (José Vasques) em Novembro. Não conseguiria melhor do que repetir o 3º posto da época anterior, atrás de Rio Maior e Amiense. No entanto, José Vasques manter-se-ia no comando técnico nas duas épocas seguintes, conseguindo duas subidas consecutivas, levando o clube à 2ªDivisão B. A época de estreia nos Nacionais marcou também a estreia na Taça de Portugal, prova em que, durante 5 épocas, viria a defrontar clubes como o Alverca, o Boavista e o Paços de Ferreira.

sábado, 18 de abril de 2009

Abrantes - parte 3 - Tramagal SU (pós 25 de Abril)

A primeira época pós-25 de Abril é jogada na 3ªDivisão. Mas o clube não conseguiu assegurar uma equipa que desse garantias, terminando a época com dois pontos em 36 jogos, fruto de uma vitória e 35 derrotas! O Campo Comendador Duarte Ferreira deixava de ser palco de jogos dos Nacionais, excepto nas duas presenças na Taça de Portugal, fruto de conquistas na Taça do Ribatejo, quando esta prova dava acesso à que é considerada a prova raínha do futebol português.

Afectado pela perda de influência da MDF, as últimas épocas da década de 70 ainda contam com o Tramagal SU (TSU) nos primeiros lugares da 1ªDivisão da AF Santarém (AFS), próximo dos lugares de subida aos Nacionais. A década de 80, marcada pela crise económica, greves, manifestações e fome, já apresenta o clube com dificuldades em manter-se no escalão principal do futebol ribatejano. O décimo quarto posto de 83/84 e o décimo segundo de 85/86 foram os primeiros indícios.

A época 1992/93 seria a época de nova descida de divisão. O clube que chegara a discutir posições de acesso à 1ªDivisão Nacional, passaria a época seguinte a disputar a Série A da 2ªDivisão da AFS, defrontando os clubes vizinhos da Bemposta, Mouriscas, entre outros. Ainda assim, conseguem o regresso à 1ªDivisão Distrital à primeira tentativa.

A MDF é extinta formalmente em 1995. Coincidência ou não, a melhor época dos últimos 20 anos é precisamente a de 95/96, em que o TSU termina o Campeonato em 3º lugar, a 9 pontos do Campeão (e promovido) Fazendense. Data desta época a última participação na Taça de Portugal, caíndo aos pés do Alcains (então a disputar a 2ªDivisão B) por 0-2.

Nas quatro épocas seguintes, consegue dois quintos, um sétimo e um oitavo posto, voltando a descer de divisão em 2000/01. Volta a subir à primeira tentativa mas as épocas em que disputava a subida aos Nacionais estavam já longe.

O TSU do Século XXI começa por ser um clube a disputar a manutenção na 1ªDivisão da AFS, conseguindo-o com classificações entre o nono e o décimo quinto posto. A época 2006/07 apurava os clubes que estreariam a Divisão de Honra da AFS. Os 13 reforços do TSU não evitaram o décimo posto na 1ªFase, levando o clube a disputar um lugar no escalão secundário. Acabaria por não evitar a descida ao terceiro escalão distrital, a 2ªDivisão da AFS. Na época passada terminou em penúltimo lugar na sua Série. Esta época está prestes a terminar de forma muito semelhante.

Nas últimas épocas, o plantel do TSU tem sido composto, na sua maioria, por atletas da região.
No empate desta época conquistado na Golegã, o onze inicial foi o seguinte: Carlos Branco (GR)(30 anos)(ex-Alferrarede); Paulo Martins, Daniel (27), Nuno Cantarinho (30)(Jogou no Ulme) e Luís Correia (32); Bruno China (27), Márcio, Filipe (26) e Cláudio (21); Bruno Rosa (19) e
Luís António (36).

Resumo de participações em provas Nacionais:


2ªDivisão - 8 edições:

212J 55V 53E 104D 229GM 396GS 163PTS
25,9%V 25,0%E 49,1%D 1,1GM/J 1,9GS/J 0,8PTS/J

3ªDivisão - 11 edições:

162J 67V 25E 70D 272GM 292GS 159PTS
41,4%V 15,4%E 43,2%D 1,7GM/J 1,8GS/J 1,0PTS/J

Taça de Portugal - 10 edições:

16J 5V 1E 10D 19GM 24GS
31,3%V 6,3%E 62,5%D 1,2GM/J 1,5GS/J

TOTAIS:

390J 127V 79E 184D 520GM 712GS

32,6%V 20,3%E 47,2%D 1,3GM/J 1,8GS/J

domingo, 12 de abril de 2009

Abrantes - parte 2 - Tramagal SU (até 1974)


Vila desde 1986, a história do Tramagal confunde-se com a Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF). Fundada por um homem da terra, Eduardo Duarte Ferreira (1856-1948), foi durante décadas a maior empregadora do Tramagal e arredores. A actividade da MDF estava tão presente na vida do Tramagal que chegou mesmo a ter um sistema de Segurança Social próprio, criado em 1927. Nascido também no seio da metalúrgica, o Tramagal Sport União (TSU) havia sido fundado uns anos antes, a 1 de Maio de 1922.


Desportivamente, a primeira participação Nacional data de 1939/40. Na sua Série da antiga 2ªDivisão, o TSU não venceu nenhum dos dez jogos disputados, empatando apenas dois. Marcou 9 golos e sofreu 45. Com o desaparecimento do fundador, a MDF continuou próspera. O clube que ainda hoje ostenta a o símbolo da MDF no seu emblema (uma borboleta), ainda passou por alguns anos pela 2ªDivisão da AF Santarém, onde se sagrou Campeão em 1951/52. A partir de então, iniciou aquele que viria a ser o período de maior sucesso da História do Clube.

As competições nacionais tinham agora uma novidade chamada 3ªDivisão Nacional e o TSU marcou presença nas edições de 1954/55 e 1958/59, com performances melhores do que na estreia na 2ª. Vence o Regional da AF Santarém em 1959/60 e 1960/61, garantindo mais duas presenças na 3ªDivisão Nacional, apurando-se para a 2ªFase, pela primeira vez, em 1960/61.

O início da Guerra Colonial faz da MDF o produtor dos Unimog e Berliet, os veículos militares mais utilizados durante a Guerra. Nos anos 60, a metalúrgica produzia 4000 toneladas de peças de aço por ano e o TSU foi solidificando o seu estatuto no Futebol Nacional.

Entre 1962 e 1967 vence 5 títulos distritais e consolida a sua posição na 3ªDivisão Nacional, onde volta a atingir a 2ªFase em 1963/64. Nessa época, o SU Sintrense impediu o TSU de atingir as Meias-Finais e a subida à 2ªDivisão Nacional.

Três épocas depois, finalmente a subida. Numa época em que venceu doze dos catorze jogos que disputou nos Nacionais, só o FC Vizela impediu o TSU de se sagrar Campeão Nacional, numa Final disputada em Aveiro. Jogava-se a época 1966/67 e os vizelenses venceram por 5-3. Antes disso, o TSU havia derrotado a UD Leiria e o GD Sesimbra.

A época 1967/68 marca a estreia no Nacional da 2ªDivisão e também na Taça de Portugal. Na 2ªDivisão, obteve um de dois 5ºs lugares (em 14 participantes). Terminou a onze pontos do UFCI Tomar que subiria ao escalão principal. Era a primeira de sete épocas consecutivas na 2ªDivisão Nacional. Na Taça, um duplo confronto com o já conhecido SU Sintrense ditaria a eliminação na primeira eliminatória.

Em 1968/69 quedou-se pelo nono lugar em catorze equipas, sendo eliminado da Taça de Portugal pelo SC Olhanense, após ter derrotado o D. Castelo Branco e a Ass. Naval 1ºMaio. Seria a melhor participação do clube na Taça de Portugal.

A época de 1969/70 viu a posição do clube na 2ªDivisão ameaçada, tendo garantido a permanência apenas na última ronda. Treinado por Emídio Graça (irmão do magriço Jaime Graça), o Tramagal recebia o promovido Farense e precisava de uma vitória que até podia não ser suficiente. Alinhou com Bonito na baliza, Mateus, Rui, Armando I e Armando II na defesa, Mendes e Baptista no meio e um quarteto ofensivo composto por Capeto, Ferreira Pinto, Pedra e Cunha. O golo da salvação surgiu a apenas 3 minutos do fim e Mendes foi o seu autor. A UD Santarém perdera frente ao C Oriental Lisboa e o TSU terminava o campeonato em 12º lugar, num total de 14 participantes.

Na Taça, uma goleada do C Oriental Lisboa (5-1) colocou o TSU fora de prova logo à primeira. Em 1970/71 repete o 5º lugar de 1967/68 mas atinge a melhor percentagem de vitórias do clube na 2ªDivisão, vencendo 10 dos 26 jogos disputados. Na Taça, o GD Sesimbra desforrou-se da elminação sofrida em 1966/67, quando ambos disputavam a subida à 2ªDivisão. A desforra foi reforçada na época seguinte. Após eliminar concludentemente os vizinhos do CDR Alferrarede (4-0), o TSU foi goleado pelo GD Sesimbra (0-5). No Campeonato, nova época aflitiva, tendo terminado em 11º num conjunto de 16 clubes.

Em 1972/73, terminariam em 14º (em 16), sendo salvos da descida de divisão por um alargamento. Na Taça, novo reencontro com o SU Sintrense e nova vitória dos de Sintra. 1973/74 termina depois de Abril. O declínio estava à espreita. Foi uma época desastrosa. O TSU ficou em último lugar na Zona Sul, vigésimo em vinte equipas. O onze mais utilizado naquela que seria a derradeira participação do Tramagal SU na 2ªDivisão alinhava da seguinte forma:

Félix; Bexiga, Cardoso, Cunha e Casaca (ex-V.Setúbal); António Henriques, Vicente e Jarbas (ex-Ferroviário, Brasil); Pedra, Aníbal (ex-Torres Novas) e Marito (ex-U.Tomar)

Pedra foi o melhor marcador de uma equipa que fez apenas 31 golos em 38 jogos, tendo sofrido 112!

Para a Taça de Portugal, foi derrotado pelo CF Esperança de Lagos, após ter eliminado o SC Pombal. Os adversários jogavam a 3ªDivisão Nacional, escalão que estava prometido ao Tramagal para a época seguinte, a pior de todas as que disputou nos Campeonatos Nacionais.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Abrantes - parte 1





População - 40 349 (72º)
Área - 714,7 km2 (22º)
Densidade de empresas (Nº/Km2) - 4,2 (180º)
Volume de negócios por empresa – 265.900€ (51º)
Taxa de Criminalidade - 22,6 ‰ (215º)
Presenças nos Campeonatos Nacionais de Futebol – 79º



Situado no nordeste ribatejano, o concelho de Abrantes faz fronteira com os distritos de Castelo Branco (Vila de Rei) e Portalegre (Gavião e Ponte de Sôr).

A origem do seu nome remonta ao tempo Romano, em que o ouro retirado das águas fluviais baptizaram a zona como “Aurantes”, de onde se julga ter derivado o topónimo actual. A sua posição fez do concelho um reduto defensivo de relevo histórico.

D. João II e D.Manuel I chegaram a viver longos períodos no Paço Real de Abrantes. No Século XVI, seria mesmo uma das maiores e mais populosas povoações do País, sendo o comércio fluvial a sua principal actividade.

Em 1641, foi a segunda cidade (logo depois de Lisboa) a proclamar a Restauração da independência.

É conhecida como “cidade florida” devido aos concursos das Ruas Floridas, durante os quais a cidade é vestida de flores.

Das 19 freguesias que compõem o concelho, destacam-se alguns aspectos:

- vestígios arqueológicos em Alferrarede;
- o Miradouro das Fontes, virado para a Barragem de Castelo de Bode;
- Rio de Moínhos – segundo a lenda, foi no Convento da Graça que tiveram origem as célebres tigeladas;
- Tramagal foi o berço da Metalomecânica em Portugal;
- O poeta António Boto nasceu em Concavada.
Futebol

Abrantes nunca teve mais de dois clubes em simultâneo nos Campeonatos Nacionais. Isso aconteceu em duas épocas consecutivas (70/71 e 71/72). Todas as outras situações foram pontuais. Houve mesmo um largo período sem qualquer representante nos Nacionais. Em 1985, os Dragões de Alferrarede baixaram aos campeonatos da AF Santarém, dando início a dezoito anos sem abrantinos nos Nacionais, até que o projecto Abrantes FC atingiu a 3ªDivisão Nacional em 2003/04. Esta época, após duas faltas de comparência, foi desclassificado, acabando por ser suspenso por duas épocas.
O período de ouro do futebol concelhio durou 17 épocas (58/59 a 74/75). Durante esses anos, o Tramagal SU passou 7 épocas na antiga 2ªDivisão e 10 na 3ª.

Ao nível distrital, a UD Rossiense (47/48 e 48/49), o Tramagal SU (59/60 a 63/64, 65/66 e 66/67), Alferrarede (69/70, 72/73, 79/80) e Abrantes FC (2002/03) venceram a divisão principal da AF Santarém. Na Taça do Ribatejo, destaque para os 3 troféus conquistados pelo Tramagal SU – 80/81, 81/82 e 94/95.