
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Banho de humildade

domingo, 18 de dezembro de 2011
Apontamentos da Série E
Começa hoje a segunda volta da primeira fase da 3ªDivisão Nacional. Na Série E, o equilíbrio é a nota dominante ou quase. Dos doze clubes participantes, apenas três se têm destacado. Dois deles pela positiva (Oeiras e Sintrense) e um pela negativa (Elvas). Curiosamente, os alentejanos são o clube com maior historial de entre todos os participantes. Numa prova cque tem tido uma média de 2,5 golos por jogo, Sintrense e Olímpico marcaram por 16 vezes, o que dá menos de 1,5 golos por jogo. O pior ataque é o do Eléctrico, o que não impede o clube alentejano de ocupar o 5º posto da classificação. A defesa do Oeiras é a menos batida até ao momento, com apenas 5 golos sofridos. No extremo oposto da tabela e do ranking de golos sofridos está O Elvas, com a defesa mais batida – 25 golos.
Apesar de já ser comum dizer-se que “prognósticos só no fim”, arrisco avançar com alguns. Baseado nos jogos a que assisti e nos resultados dos 66 jogos disputados até agora, diria que Oeiras e Sintrense serão fortes candidatos a discutir o primeiro lugar da Série E. Na segunda volta, têm a vantagem teórica de ter mais um jogo em casa do que fora, o que no caso dos sintrenses tem sido bem aproveitado (cinco vitórias em cinco jogos). As quatro equipas que acompanharão Oeiras e Sintrense na discussão dos lugares de subida à 2ªDivisão poderão ser Sacavenense, Futebol Benfica, Casa Pia e Real. As equipas da AF Setúbal (Alcochetense e Olímpico) terão de fazer mais do que até aqui para lutar pela subida. Pero Pinheiro e Eléctrico são equipas que podem surpreender e até condicionar as carreiras de alguns dos favoritos teóricos. O clube do mármore, por exemplo, conta por empates os jogos disputados fora do Pardal Monteiro. Quanto à equipa do SL Cartaxo, diria que se coloca apenas um nível acima de O Elvas, fortes candidatos a regressar aos Distritais. Mas prognósticos são apenas isso mesmo. Ainda para mais, convém recordar, para a segunda fase, os pontos são divididos por dois, pelo que o equilíbrio poderá ser ainda maior.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Real perde em Alcochete num jogo pobre
O pior jogo a que assisti esta época decorreu em Alcochete no passado Domingo, quando GD Alcochetense e Real SC se defrontaram para a 11ªJornada da Série E da 3ªDivisão. De início, as equipas alinharam:
GD Alcochetense - João; Tralhão, Piqueira, Nuno Gaspar e William; Jadson, Valter e Luís Costa; Paulinho, Ricardinho e Djão. Tr. Élio Santos
Real SC – André Martins; Paulinho, Bruno Lourenço, Dino e Wilson; Kikas, Michael e Amar; Miguel Gonçalves, Luís Carlos e Alcides. Tr. José Marcos
O jogo teve pouquíssimos motivos de interesse. O Real foi sempre a equipa que mais fez por chegar ao golo num jogo em que saíria derrotado devido a uma grande penalidade muito duvidosa assinalada pelo árbitro António Matias (AF Portalegre) aos 32’ da primeira parte. A vencer, o Alcochetense preocupou-se apenas e só a defender. A equipa que tão boa conta de si deu na Taça de Portugal não esteve em campo. Como se não bastasse a falta de qualidade do futebol exibido, assistiram-se a situações que já nem nos Distritais têm lugar, como colocar a bola dentro de campo, forçando a interrupção da partida, etc. A equipa de arbitragem esteve muito bem tecnicamente. Em termos disciplinares, o árbitro foi lesto na mostragem dos primeiros amarelos aos jogadores (onze vezes!), mas bem menos na mostragem de um segundo. A “fava” acabou por sair a Djão, expulso aos 66’ por acumulação. A partir daí, a equipa da casa fechou-se ainda mais e o Real não conseguiu ameaçar as redes à guarda de João. O resumo do jogo ilustra bem a falta de ocasiões de perigo junto das balizas. Um jogo nulo deveria ter tido um resultado nulo. Isso só não aconteceu devido ao lance já referido. Destaque no Real para a estreia dos jovens Ventura e Caramelo, recém chegados do Ribeirão. A primeira volta da primeira fase terminou. Venha a segunda para que as recordações deste jogo se esfumem rapidamente.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Somos todos senegaleses
Florença, Verão de 2010 – Assisto a uma das cenas mais escabrosas de 37 anos de vida. Nas movimentadas ruas de Florença, próximo do Duomo, a Polícia procura cercar os vendedores ambulantes africanos que por ali procuram ganhar uns euros. O empenho das autoridades é tal que, a certa altura, um polícia montado numa moto, inicia uma perseguição a alta velocidade pelo meio dos transeuntes. Imaginem o que seria uma perseguição em motorizada na Rua Augusta ou na Rua de Santa Catarina, pelo meio dos peões. Foi tal a minha estupefacção e revolta que nem me lembrei que tinha à mão a máquina fotográfica. A estranheza e repulsa pareciam atingir apenas os turistas, pelo que presumo que os fiorentinos estivessem habituados a tais performances. Berlusconi governava a Itália e as políticas anti-imigração estavam bem presentes na sociedade italiana.Lembrei-me de tudo isto hoje, ao ouvir a notícia do que se passou ontem na capital toscana. “Dois senegaleses mortos por extremista de direita em Florença”, rezam os títulos dos jornais. Se é em altura de crise que este tipo de sentimentos se apresentam de forma menos envergonhada, é também nestas alturas que se deve adaptar a famosa palavra de ordem anti-racista e dizer “Somos todos senegaleses”.
Isto não é futebol mas é bom lembrar que há coisas bem mais importantes que o maior espectáculo do mundo. Mas mesmo aqui há sinais perigosos. Nas últimas semanas, recordo-me de ter voltado a ouvir os infames guinchos em campos de futebol – Olhão e Aveiro. Nos estádios como nas escolas ou nas empresas, convém estar atento. A seu lado pode estar sentado uma besta que se deixa levar pelo facilitismo da crítica do “outro” apenas porque o “outro” é diferente, seja na cor da pele ou na forma de vestir, pensar, falar ou sentir. O resto de civilização que ainda nos resta depende de cada um. Bem a propósito, cito uma carta famosa do sub-comandante Marcos e que tão bem ilustra o desafio imenso com que nos defrontamos:
“Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, roqueiro na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e aguentar. Todos os intolerados em busca de uma palavra, sua palavra. Tudo o que incomoda o poder e as boas consciências é Marcos.”