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quarta-feira, 22 de maio de 2013

A propósito da subida do Arouca


Já muito se disse sobre a subida do Futebol Clube de Arouca à 1ªDivisão. Deixo aqui mais alguns dados históricos:

- O Arouca será o oitavo clube filiado na AF Aveiro a disputar o escalão principal. O último clube aveirense a estrear-se na 1ªDivisão foi o Recreio Desportivo de Águeda há precisamente 30 anos;

- Desde ontem, estrearam-se 16 clubes no escalão principal - 4 filiados na AF Porto e na AF Braga, 2 na AF Lisboa e na AF Madeira, 1 na AF Coimbra, AF Ponta Delgada, AF Portalegre e AF Vila Real;

- Curiosamente, dos 16, apenas 3 competirão entre os grandes na época 2013/14: Gil Vicente, Nacional e Paços de Ferreira;

- O Arouca procurará evitar o exemplo de Alcobaça, Águeda, Vizela, Fafe, Felgueiras e Trofense, clubes que desceram logo no ano de estreia. Ao invés, terão bons exemplos em Barcelos e em Paços de Ferreira, clubes que, desde a estreia no início da década de 90, apenas em sete ocasiões não disputaram o escalão principal;

- A estreia do Arouca irá ocorrer naquela que será apenas a nona presença dos arouquenses nos campeonatos nacionais;

- Excluindo as primeiras décadas dos campeonatos, é a ascensão mais meteórica da História. O mais próximo deste feito pertence ao União da Madeira. Estreou-se na 1ªDivisão em 1989/90, após apenas dez épocas nos Nacionais.

terça-feira, 21 de maio de 2013

A estreia dos 40

Passou despercebido mas até era algo de previsível desde que a actual Segunda Liga foi preparada para incluir as equipas B e passar a ter 22 equipas.

O que é comum no Reino Unido, foi novidade em Portugal. Nunca antes houvera um campeonato disputado por tantas equipas. À passagem da 40ªJornada, disputada no passado dia 8, esperava-se que houvesse jogadores (totalistas ou não) a participar em 40 jogos de campeonato numa época. Foi isso que aconteceu. Este registo histórico foi atingido por sete jogadores no dia 8 - Márcio Sousa (Tondela), Thicot (Naval), Rui Sacramento (Leixões), Coelho (Penafiel), Avto (Oliveirense) e os campeões Matt Jones e Arsénio (Belenenses). Destes, o único jogador de campo a completar 3600 minutos no passado dia 8 foi o defesa francês da Naval. Para além disso, foi o primeiro a consegui-lo pois o jogo da Naval começou antes dos restantes.

Central francês de 26 anos, Steven Thicot (TIKITO) não é apenas mais um jogador proveniente dos escalões secundários gauleses em busca de destaque no futebol português. Em 2004, capitaneou mesmo a selecção francesa que venceu o Europeu de Sub-17. A seu lado alinhavam, entre outros, Jeremy Menez, Samir Nasri, Hatem Ben Arfa ou Karim Benzema. Já agora, a finalista vencida foi a Espanha, cujo golo foi marcado por um tal de Gerard Piqué e onde jogavam Mario Suarez, Cèsc Fàbregas, Javi Garcia, Diego Capel, entre outros.

Em 2004, Thicot fazia parte dos quadros do Nantes, clube onde acabou por não ter grandes oportunidades, tendo passado pelo Sedan (2006/07), clube pelo qual se estreou na Ligue 1. A época seguinte foi novamente passada no Nantes sem que as chances surgissem. No Verão de 2008, findo o contrato com o Nantes, viaja para Edimburgo, para representar o Hibernian. Apesar de ter sido utilizado regularmente na primeira época na Escócia, as duas épocas seguintes foram de escassa utilização, ficando Thicot livre no final da época 2010/11. Passou a época 2011/12 sem clube e surgiu esta época em grande na Naval. Considerando as dificuldades por que passa o clube figueirense, não seria de estranhar que Thicot mudasse de ares novamente.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Parece mentira - o colombiano cingalês


Mohammed Ahamad (NIKKI) é um jovem nascido em Colombo. A capital do Sri Lanka deve o nome aos portugueses que pegaram no nome que os locais davam à cidade e o aportuguesaram.

A Colombia fica bem longe de Colombo. São quase 17.000 kms de distância. A semelhança entre Colombia e Colombo não é mais do que uma coincidência, pois a república sul-americana deve o seu nome a uma homenagem a Cristóvão Colombo.

Nikki fez grande parte da sua formação no Chelsea. Em 2009/10 foi mesmo inscrito na Liga dos Campeões com o número 47. O facto de actuar esta época no Mafra já é suficientemente exótico para alguém que nasceu no subcontinente indiano e fez parte dos quadros do actual campeão europeu.

Não precisava que os serviços da FPF lhe alterassem a nacionalidade para "colombiano". Não é por ser de Colombo que se é colombiano. Pelo contrário.

sábado, 30 de março de 2013

Assim não

1. É inevitável. Em todas as épocas desportivas, há clubes que disputam as ultimas jornadas, sabendo do seu destino. Desde um título já garantido até uma descida de divisao inevitável, os destinos sao variados. Ainda assim, os jogos só perdem interesse competitivo se os adversários também tiverem destinos já definidos. Quando ambos têm a situação definida, só mesmo a dignificação da camisola está em causa, excepto em casos de rivalidade acentuada. Um Benfica-Sporting é sempre apetecível, seja qual for a situação dos dois clubes.

2. Com a extinção da Terceira Divisão Nacional, a FPF teve de proceder a ajustes na estrutura do futebol, nomeadamente no tema subidas e descidas. Dificilmente se chegaria a uma solução que fosse aceite por todos. Mas poder-se-ia ter evitado uma solução que conduz a isto.

Desde o inicio da época que se sabia mas só agora irá acontecer. Sem contar com a Série Açores, jogar-se-ão 180 jogos entre clubes que já sabem o seu destino para a próxima época. As últimas jornadas da primeira fase já tinham dado alguns sinais.

Na Série A, o já relegado Melgacense levou doze do Ronfe e em casa. Parece que alinhou com juniores de primeiro ano... Na Série E, o Cartaxo foi à Medideira derrotar o Amora por 3-2. Se esta não tivesse sido a primeira vitória ribatejana em toda a época ou o Amora tivesse ainda hipóteses de apuramento, seria estranhíssimo. Mas desta forma é 'natural'...

3. A Federação fez contas e colocou algum 'sal' nos jogos entre os clubes que vão descer. Parece que o primeiro (já li os dois primeiros) competirá na Taça de Portugal na próxima época. Para além de ser um volte-face relativamente à exclusão dos clubes dos Distritais decidida há meia dúzia de anos, encerra outro risco.

A descida de divisão tem vindo a provocar o fim do futebol sénior em alguns clubes. Ninguém pode garantir que os clubes apurados para a Taça de Portugal 2013/14 tenham sequer equipa sénior a competir. Num cenário destes, teríamos clubes apurados sem disputar qualquer partida por ausência de adversários.

4. A disputa da fase de subida à 2ªDivisão foi, até à época passada, motivo de interesses diversos. Mesmo a disputa do terceiro posto era importante pois a possibilidade de desistências nos escalões superiores poderia implicar repescagens.

5. Há muita gente que considera uma bizarria assistir a jogos abaixo da Liga principal. Cada um tem o seu conceito de bizarria. De tantas vezes que ouvi 'bocas' destas, dei por mim a fazer uma espécie de auto-análise. Concluí que nunca assisti a um jogo, independentemente do escalão, sem um nível mínimo de competitividade. Dito de outra forma. Nunca assisti a um jogo que não fosse relevante para a disputa de um título, para a subida ou descida de divisão.

6. Assistir a um A-dos-Cunhados - Águias de Camarate que dita a subida de divisão do vencedor é, a meu ver, bem mais interessante do que qualquer um destes 180 jogos.

7. A FPF poderia e deveria ter feito as coisas de forma distinta. Clubes, técnicos, jogadores e adeptos mereciam muito mais. Enquanto apaixonado por Futebol sem qualquer poder ou influência nestas decisões, sobra-me a capacidade de decidir não assistir a nenhuma destas partidas.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A afronta

Há cerca de vinte anos, existia um partido político (PSR) que não permitia que determinadas personagens viessem a Portugal em paz e sossego, como quem passa férias num qualquer recanto mais ou menos paradisíaco. Figuras como Le Pen ou Li Peng levaram para casa algumas recordações menos agradáveis. Vem isto a propósito das reacções que os membros do Governo têm enfrentado um pouco por todo o país. O caso particular de Miguel Relvas parece-me exemplar.

Um ministro que começou por ser motivo de chacota nacional, tornou-se um símbolo de tudo o que uma sociedade moderna despreza e que as medidas de austeridade exponenciam. O facilitismo e chico-espertismo que revela desde o caso da licenciatura, passando pelo caso Rosa Mendes, o processo RTP ou a forma como defendeu o secretário de Estado com currículo BPN, são exemplares da forma de 'ser' Miguel Relvas.

Neste contexto, não surpreendem iniciativas como as que ocorreram no Clube dos Pensadores e no ISCTE. Também não surpreende a reacção oficial da TVI e, ainda menos, a do Governo. Ataque à liberdade de expressão, disse-se. Será?

O cidadão Miguel Relvas e o Ministro Miguel Relvas são uma e a mesma coisa? Não. O cidadão Relvas não seria convidado da TVI, mas o ministro sim. A expressão "direitos adquiridos" faz sorrir os que seguem a cartilha do poder. Não é a liberdade de expressão um direito adquirido? Não é de um simbolismo tremendo que esta seja negada aqui e ali a quem vem tirando tanto a tantos ?

O "politicamente correcto" tem sido arma de arremesso de uma certa direita sobre uma certa esquerda. Para que fique claro, di-lo-ei com todas as letras. Não. Não acho que o ministro Relvas tenha o direito de ir discursar numa conferência, como se fosse um orador como outro qualquer. Não. O ministro Relvas continua no Governo porque não tem um pingo de vergonha na cara e o PM um par de testículos condizente com a função. Assim, qualquer cidadão português tem o direito de lembrar publicamente ao ministro e a quem quiser ver, que a sua presenca no governo é uma vergonha ímpar na democracia portuguesa.

Ao discurso 'o homem nunca foi condenado por coisa nenhuma', impõe-se uma exigência ética combativa.

"Afronta" foi a expressão usada pelo líder da bancada parlamentar do PSD. Estes senhores que ajudaram a derrubar um governo porque havia limites para os sacrifícios pedidos aos portugueses, que prometiam reduzir as gorduras do Estado, que eram o ultimo modelo do liberalismo, falam em "afronta".

Uma afronta ao sentido cívico dos portugueses seria uma figura desprezável como o Ministro Relvas passear-se como se fosse tudo "normal". Não.

O ministro Relvas diz que não podem ter "medo". O sr. ministro que se cuide. A música nunca feriu ninguém mas pode ajudar a derrubar governos. Até já aconteceu por cá e nem há 40 anos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Aviso à navegação

Para quem não conhece aquela zona, chegar à Murteira (Loures) é uma aventura. Até avistar o Campo das Corredouras, estava convencido que tinha percebido mal as indicações dadas pela senhora a quem pedira instruções. Mal entrei no campo, a equipa da casa inaugurou o marcador pelo capitão Mário Rui.

Refiro-me ao Murteirense-Loures, partida da Divisão de Honra da AF Lisboa (AFL) que juntou dois clubes próximos e, simultaneamente, distantes. Os visitados estreiam-se esta época na Divisão de Honra da AF Lisboa, enquanto os visitantes lideram a prova e têm como objectivo confesso a subida ao novo escalão que passará a ser a antecâmara das ligas profissionais. Há quem chame ao Murteirense uma espécie de Loures B por ter vários atletas e técnicos com ligações ao GS Loures. Por outro lado, os amarelos da sede de concelho reforçaram-se com atletas de qualidade comprovada, formando uma equipa de nível bem superior ao que habitualmente se vê nos Distritais.

Ainda assim, no Domingo passado, quem saíu vencedor foi o Murteirense. E, verdade seja dita, os da casa tiveram chances mais do que suficientes para vencer por um resultado mais dilatado. Apesar da qualidade técnica patenteada, os jogadores do Loures não conseguiram bater a boa e aguerrida organização do Murteirense, comandados pela dupla de centrais composta por Varela e Vítor.

A partida disputada na Murteira demonstra bem as dificuldades que as equipas de maior valia técnica têm ao disputar a Divisão de Honra da AFL. Mais. Com a extinção da 3ªDivisão Nacional, a próxima edição da prova maior da associação lisboeta terá seguramente vários clubes com ambição de regressar aos Nacionais, havendo espaço apenas para a subida de um. Os clubes aqui representados pelo Murteirense tratarão de dificultar a vida dos que apresentam maiores pretensões.

Se uma descida aos Distritais já encerrava alguma dose de dramatismo para alguns clubes, passará a ser mesmo um momento extremamente delicado na gestão dos clubes. O que acontecerá ao GS Loures caso falhe a subida ? Veja-se o exemplo do Sacavenense que caíu até à 1ªDivisão distrital antes de regressar a palcos mais condizentes com o seu historial.

Uma coisa parece certa e essa é a aposta do Loures. Vários jogadores que foram determinantes na subida do Casa Pia na época passada, abraçaram este projecto. Registo ainda para os regressos à actividade do guardião Ginja e do central Eduardo Simões. A acompanhar.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Messi, Independência e Benfica


1. Com o Barcelona já apurado para a fase seguinte da Champions, o jogo com o Benfica tinha uma importância reduzida para os adeptos culés. Apenas a ameaça de record no número de golos marcados num ano civil poderia aguçar o apetite. Com Messi no banco e o marcador em branco, os adeptos do Barça aproveitaram o apito do árbitro para o intervalo para pedir a entrada do argentino.

Quando Messi saiu para o aquecimento surgiu a primeira ovação da noite. Quando entrou em campo surgiu a segunda. Para um público habituado a assistir a espectáculos, a falta do artista maior é muito sentida.

Perante um atleta de outro planeta, a primeira reacção benfiquista foi dizer-lhe que não teria vida fácil. Luisão disse-o ao virar o argentino numa das primeiras vezes em que tocou na bola.

Mas a prestação de Messi naquela noite foi pouco memorável. Na verdade, se em vez de Messi se chamasse Rafinha, pouco mais do que dois livres sem perigo para Artur ficariam registados.

Mas o nome é Messi e isso ficou bem patente quando o mago procurou driblar Artur e este conseguiu afastar a bola dos pés do argentino, tendo o joelho esquerdo deste embatido no braço esquerdo do goleiro encarnado. O Camp Nou gelou e os insultos a Artur passaram a regra até ao final da partida. Messi abandonou o rectângulo de jogo com uma escolta de apanha-bolas como nunca vi antes. Fez-me lembrar imagens de atentados em que o atingido é levado com escolta especial.

2. O Benfica deslocou-se a Barcelona uma semana e meia após umas eleições autonómicas marcadas pela questão da independência e que resultaram num reforço dos partidos que defendem essa solução.

Neste contexto, as posições do Ministro da Educação do Estado Espanhol são como uma caixa de fósforos  lançada a uma fogueira. O Sr.Wert quer limitar o ensino do catalão nas escolas públicas. Para quem não sabe, a mera utilização do catalão era proibida durante o franquismo! A Constituiçao de 1978 consagra o direito ao ensino do catalão nas escolas públicas, pelo que esta medida constitui um retrocesso de mais de 30 anos, bem em linha com outro tipo de medidas reaccionárias que são impostas um pouco por toda a Europa.

Ao contrário do que possa pensar, o FC Barcelona, apesar de se assumir como símbolo da Catalunha, sempre teve uma postura algo ambígua durante a sua História. Não quanto à sua catalanidade, mas quanto à sua posição relativamente à questão independentista. Apesar da senyera continuar a estar na braçadeira usada pelo capitão de equipa, o clube deixou bem claro que, num cenário de independência, continuaria a disputar a liga espanhola.

Mas as caixas de fósforos tendem a incendiar os palcos mais neutros. A maior ovação que se ouviu durante o primeiro tempo ocorreu quando foi mostrada uma faixa gigante de crítica ao ministro Wert e pela defesa da língua catalã.

3. A equipa principal do Sport Lisboa e Benfica deslocou-se a Barcelona com uma missão complicada. Para garantir o apuramento para os Oitavos-de-Final da Liga dos Campeões, não poderia fazer pior resultado em Barcelona que o Celtic na recepção ao Spartak de Moscovo. O Benfica entrou muito bem, assumindo as rédeas do jogo perante um adversário que poupou a quase totalidade das suas estrelas. Do onze inicial, apenas Puyol é titular de forma regular. Adriano (a central), Song, Thiago Alcântara e Villa estão bem mais habituados ao banco do que ao onze inicial. Os seis restantes só são chamados nestas ocasiões. Alheio às escolhas de Tito Villanova, o Benfica teve várias oportunidades para marcar no primeiro tempo mas não o conseguiu fazer. Ao intervalo, o resumo oficial da UEFA não continha um único lance de ataque do Barça, o que é elucidativo e, muito provavelmente, inédito. O resultado de Glasgow continuou favorável até ao minuto 84. Messi sai da partida de Camp Nou sem alvejar as redes benfiquistas mas Samaras ganha um penalty no Celtic Park. A partir daí, não se viu reacção extra por parte do Benfica. No estádio, nem sequer se percebeu que o Celtic estava já em vantagem no jogo e no apuramento para os Oitavos. Jesus tinha dito que não iria informar os jogadores do resultado do Celtic.

Se o Benfica conseguir fazer um percurso na Liga Europa semelhante ao que fez há duas épocas, quando caíu frente ao Braga nas Meias-Finais, ninguém se recordará do jogo de Camp Nou. Caso contrário, as perdidas de Rodrigo e Lima na primeira parte e de Maxi mesmo ao cair do pano serão tristemente recordados.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Passos e o Melga

A posição de lateral-esquerdo na equipa de futebol do Benfica foi muito discutida durante a época passada e continua a sê-lo esta época. A famosa teimosia de Jorge Jesus manteve Emerson durante uma época inteira. A manter-se, o mesmo sucederá agora com Melgarejo. Jovem atacante com provas dadas na época que passou em Paços de Ferreira, o paraguaio apresenta naturais dificuldades defensivas. Habita espaços ainda desconhcidos. Os golos do Braga são prova disso. Neste contexto, faz sentido lembrar algumas adaptações a lateral, verificadas na última década. Paulo Ferreira, Miguel e Fábio Coentrão não mostraram, nas primeiras partidas como laterais, capacidade para alinhar no Chelsea, Valencia ou Real Madrid. Não estou a dizer que é seguro que Melga se torne um grande lateral. Mas é mais seguro confiar em Jesus com o seu histórico de criação de laterais do que no discurso de Passos no Pontal a antecipar o fim da crise. Se Jesus se enganar, perde o Benfica. Mas os enganos de Passos custam-nos a todos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Como vi o Euro

Há oito anos atrás, a selecção grega comandada por um alemão, derrotava a selecção portuguesa na final do Euro 2004. Há uma semana, a equipa da Espanha eliminava Portugal, apurando-se para uma final que viria a vencer por 4-0.

Em 2000, foi a França a bater-nos através do golo de ouro. A mão de Abel Xavier demorou anos a ser vista em Portugal. Não por qualquer atraso na transmissão televisiva mas por uma espécie de cegueira colectiva, misturada com um sentimento de inferioridade que garante que, o mesmo lance, na área contrária, teria tido outro juízo.

Desta vez, não havendo registo de lances discutíveis ou afins, o discurso oficial foi noutro sentido. Anteontem, José Rodrigues dos Santos passou a emissão em directo para a celebração do título europeu em Madrid. Quantas televisões terão feito o mesmo ? No início e no fim dessa peca noticiosa, chamemos-lhe assim, o jornalista do canal público repetiu algo como "Portugal foi a única equipa que não perdeu nem foi dominada pela Espanha".

Talvez demore alguns anos até que se recorde este Euro com outros olhos, mas aqui fica um pequeno contributo para acelerar o processo.

1. Paulo Bento comandou uma Selecção que ultrapassou todas as expectativas;

2. Na meia-final, Portugal manietou o jogo da Espanha, ao ponto de forçar Del Bosque a apostar nos extremos;

3. Iker Casillas fez apenas uma defesa frente a Portugal e isso aconteceu perante Moutinho, no fatídico desempate;

4. Na Final, Casillas foi obrigado a salvar a Espanha em três ocasiões, para além do cabeceamento de Di Natale, a abrir a segunda parte, constituir uma chance de golo mais flagrante que qualquer lance criado por Portugal na meia-final;

5. O facto de Portugal ter ficado perto de eliminar a Espanha e atingir uma Final que poderia ganhar, deveria ser suficiente. Não é preciso construir uma "realidade" ficcionada que compara os resultados da Espanha frente a Portugal e à Itália.

No final da meia-final, viu-se Cristiano Ronaldo dizer "injustiça". Por mais que nos custe, não foi assim.

domingo, 1 de julho de 2012

Espanha-Itália (-2 horas)

1. Na Quarta-Feira passada, a selecção portuguesa só obrigou Casillas a uma defesa e esta ocorreu no desempate da marca de grande penalidade. À final chegam duas equipas que têm alinhado sempre com onze jogadores. Quando Portugal voltar a jogar sempre com onze, talvez consiga títulos.

2. Na Final de hoje, far-se-á história. A vitória da Espanha fará de la roja a primeira equipa a revalidar o título europeu. Uma vitória azzurri fará da Itália campeã pela terceira vez após escândalos internos. Já aconteceu em 1982 e em 2006. Estes factores jogam com variáveis motivacionais que podem ser determinantes.

3. Esta Itália pode fazer à Espanha aquilo que a selecção nacional fez na meia-final, em grande parte do jogo. Impedir que a Espanha faça o jogo que costuma fazer, perturbando a posse de bola constante. Se o fizer, talvez consiga surpreender.

4. Neste aspecto, será interessante ver o papel que Pilro terá quando a Itália recuperar a bola no miolo. Xabi Alonso terá um papel fundamental na tentativa de anular Pilro.

5. Buffon (34 anos) e Casillas (31), ambos já campeões do mundo, são os dois melhores guarda-redes do mundo desde há vários anos. As suas defesas impossíveis são, muitas vezes, decisivas.

6. Balotelli prometeu marcar quatro golos na Final após ter bisado na meia-final. Se o fizesse, subiria ao altar dos deuses do Futebol aos 21 anos. Mas basta ser determinante na Final como o foi contra a Alemanha, para ganhar um lugar entre os maiores e uma respeitabilidade que aspectos extra-futebol têm impedido.

7. Pedro Proença será o árbitro da Final. Já tinha apitado (e bem) a Final da Liga dos Campeões. Estas nomeações são meritórias mas não escondem os problemas que atingem a arbitragem em Portugal e tudo aquilo que a envolve.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Portugal-Espanha (-1 hora)

A pouco mais de uma hora de uma tórrida meia-final entre Portugal e Espanha, antecipemos o dia de amanhã. Rajoy prepara-se para aumentar o IVA de vários produtos e serviços de 8% para 18% mas só se fala de La roja. Bom, não será bem assim. Mesmo por cá, nem mesmo a boa prestação da Selecção impediu as vaias ao Presidente Aníbal até em pleno Cavaquistão. A dupla Passos Coelho-Gaspar vai dizendo que não são necessárias mais medidas de austeridade mas relembram que o memorando (essa Bíblia Sagrada dos tempos modernos) prevê quaisquer medidas necessárias ao cumprimento do memorando. É uma curiosa adaptação do “by all means necessary”. Se a selecção portuguesa vencer hoje, amanhã ou sexta-feira seriam dias excelentes para anunciar mais medidas de aperto de cinto. Isto porque esperar por Domingo pode ser contra-producente. Uma eventual derrota na Final, seguida de mais apertos é que não seria boa ideia. Nem mesmo o “bom povo português” aguentaria. Seria ?

Do lado de lá da fronteira, há várias comunidades em que o impacto do Euro-2012 é, no mínimo, relativa. Mesmo sem zonas públicas para assistir ao Espanha-França dos Quartos-de-Final, a audiência do jogo no País Basco foi de 63,2% e, na Catalunha, de 67,1%. Se estes números até parecem impressionar, que dizer dos 84,4% de Madrid, cidade em que mais de 40.000 puderam assistir à partir em la Castellana.

É claro que os nossos vizinhos, com particular ênfase para algumas regiões, já têm mais o que fazer/preocupar do que o Euro-2012. Nessa perspectiva, uma derrota da Espanha não teria grande impacto nas mobilizações que se vão sentindo aqui e ali. Mas como a passividade portuguesa é bem mais presente do que a dos nossos vizinhos, este é mais um motivo para desejar a vitória portuguesa daqui a pouco. Não porque isso deixaria a dupla Passos Coelho-Gaspar ainda mais à vontade para fazer de nós o que bem querem. Pelo contrário, porque ao contrário do que diz o ditado, acredito que, de Espanha, podem vir bons ventos. Ventos de resistência numa altura em que resistir é tão necessário, mesmo enquanto se vê futebol.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Notas de Bilbau 3

1. Se os dois primeiros dias em Barcelona me permitiram ver o que previra, o mesmo seria de esperar de uma cidade bem mais pequena, como é Bilbao. Assim, o único destino obrigatório era a Catedral de San Mamés, a casa do Athletic. Já lá passara no sábado mas a ideia era ir à Loja e, principalmente, ao Museu.

2. Ao entrar na loja, arrisquei mais um pouco de euskera, com um "Egunon". A reacção foi positiva pelo que o "Bom Dia" saíu bem. A careca precisava de um boné desde o primeiro dia mas mais vale tarde do que nunca.

3. Para minha tristeza, o Museoa fecha às segundas... Mas mesmo em frente ao estádio, descobri uma loja dedicada a aspectos ligados ao futebol, incluindo colecções impressionantes de pins de origens tão diversas como o Peru, a Albania ou a Namibia!

4. Quando a senhora da loja percebeu que era português, pediu-me desculpa para dizer que não gosta de Cristiano Ronaldo. Frisou que não se referia ao jogador mas ao homem. Pois é... Despedi-me com um "eskerrik asko" que serviu de agradecimento.

5. Numa livraria em liquidação total por mudança de instalações, comprei dois livros sobre a história do Athletic. Neles se recorda algo que ontem ignorei com o entusiasmo italiano. O Athletic tem fortes ligações inglesas. Um famoso adepto do clube chegou mesmo a sugerir, há uns anos, a inscrição da equipa B na liga inglesa!

6. Concluído o lado futebolístico da viagem, ainda houve tempo para aproveitar o passe diário do Metro de Bilbao. Rumo a Plentzia, zona de praia a várias dezenas de quilómetros.

7. No supermercado, ao pedir um saco, sou desmascarado, de nada valendo o boné do Athletic. "Saco? Português? O meu marido é português, de Braganca. Vamos jogar na quarta. Espero ganhar. Senão as minhas cunhadas dão-me cabo da cabeça".

8. Os dois cartões de memória estão a dar as últimas. Ainda não são quatro da tarde e só tenho espaço para 49 fotos!

9. Esta cidade cercada por montanhas poderia provocar uma sensação de claustrofobia mas, ao contrário, transmite conforto.

10. Ainda não tinha feito alusão ao café. Já é muito bom face ao que acontecia por terras vizinhas há uns atrás mas é caro. O café mais barato que bebi ficou em 1,10€.

11. Decidi terminar a viagem com uma visita à Estação Central de Caminhos de Ferro. Jantar cedo também estaava decidido e foi ali mesmo numa casa de sandes que nos perseguem por todo o lado. Na mesa do lado, quatro locais de meia idade debatiam a situação da Segurança Social e do papel dos Bancos nesta crise. A Mãe de uma das senhoras vai reformar-se em breve passando a receber uma pensão de 200€ mensais. Vivemos tempos desafiantes...

12. À saída de Arando, vejo uma camisola 10 de Portugal no tronco de um jovem imigrante. Provocação ao país de acolhimento?

13. Na última caminhada até ao Hotel, optei por um caminho diferente. Assim, foi o acaso que me deu a conhecer a Gorte Kalea, rua em que se misturam muitas proveniências e profissões e, entre estas, o sexo.
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domingo, 24 de junho de 2012

Notas de Bilbau 1.2

1. Problemas vários impediram-me de escrever ontem. Se o cinismo inglês tivesse superado até o histórico recente da Inglaterra nos desempates por penalties, nem teria energias para escrever nada. Assim, aqui vai.

2. Às sete da manhã de ontem já estava em Montbau. Esperava-me uma viagem de metro até à estação de Les Sants. São 15 estações. Calha mesmo bem sair de Barcelona na véspera do S.João e no dia de um Espanha-França.

3. As noites mal dormidas em Barcelona começavam a deixar mossa. Em Bilbau está mais fresco que em Barcelona, o que é simpático para quem anda pelas ruas. O Hotel fica melhor localizado do que esperava. San Anton Eliza é mesmo aqui em baixo e o Casco Viejo é logo a seguir.

4. Bilbau é uma cidade ainda mais interessante do que esperava. A relação do espaço urbano com o rio e as montanhas é impressionante. No dia do Espanha-França, não vi uma única camisola ou bandeira espanholas. Mas vi imensas camisolas do Athletic e uma da selecção de Euskal Herria. Sintomático. Durante a transmissão da Tele 5, não foi por acaso que as únicas alusões às origens dos jogadores tenham tido por alvo os jogadores canários. Quando saíu Silva para entrar Pedro, ouviu-se "Canário por canário".

5. Hoje, para me recompor do cansaço tremendo, só deixei o hotel por volta da uma da tarde. Como ontem já dera a volta à cidade, o plano passava por subir a Artxanda depois de ir até Begoña. Numa loja de produtos bascos, lancei a inevitável questão "Portugal-Espanha?". A resposta não foi diferente da que teria em Madrid ou Sevilha... Como planeava ir a Portugalete, perguntei pela origem do topónimo. Explicou-me que o sufixo "ete" significa pequeno, o que faria de Portugalete um "pequeno Portugal". Ainda me disse que teria havido muitos portugueses a trabalhar na zona do porto de Bilbau, mas isso não faria sentido, a não ser que Portugalete fosse relativamente recente ou que tivesse mudado de nome. Nenhum dos cenários se confirmariam.

6. A caminho da Basilica de Begoña, arrisquei dizer uma palavra em basco. Quando a rapariga me disse o preço da garrafa de água, disse-lhe "larogei". Significa oitenta e lê-se como se existisse um "u" entre o "g" e o "e".

7. À volta da Basilica de Begoña, estão alguns dos 200 hectares de áreas verdes que existem dentro dos limites da cidade. A subida a Artxanda não pôde ser feita pelo funicular, em obras até ao final do mês. À disposição está um autocarro que, por 90 cêntimos, faz um percurso longo mas com o mesmo destino - a melhor vista sobre a cidade.

8. De regresso a Bilbau, o destino era Portugalete, com paragens em duas estações de metro peculiares. Uma delas, Urbinaga, fica numa ponte e tem uma parte a céu aberto. Enquanto fumava, apercebo-me de uma bandeira portuguesa numa janela. Não há bandeiras de Espanha mas há de Portugal!

9. Apesar de não haver referência alguma a Portugal, não foi preciso estar muito tempo em Portugalete para me sentir em casa. Logo à saída do metro, pisei os restos de uma pastilha elástica! Depois, comecei a ouvir o que parecia ( era mesmo) um bailarico. Enquanto seguia o som, passei por um monumento a Salazar que, felizmente, não se trata do Dr. de Santa Comba.

10. De volta ao jogo desta noite, os bilbaínos no restaurante em que jantei estavam a torcer por Inglaterra. Não percebi porquê mas não tentei saber. Devem ter pensado que sou italiano e está noite fui. BlogBooster-The most productive way for mobile blogging. BlogBooster is a multi-service blog editor for iPhone, Android, WebOs and your desktop

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Notas de Barcelona III

Barcelona 3

1. Como andei a cem à hora nos dois primeiros dias, o último dia em Barcelona serviu para ir a locais que não planeara visitar. A ida a Tidibabo confirmou que esta cidade é agora a minha cidade preferida de entre as que conheço no Velho Continente. Lá de cima se dissipam as duvidas, se estas existissem. Barcelona tem mar, praias, zonas verdes, montanha, história e histórias para dar e vender.

2. Rambla de Poblenou
Perguntei pelo memorial do Dr.Trueta. "É ali em cima, vou nessa direcção".
Os minutos que se seguiram são daqueles inolvidáveis e que constituem lições. "Português? Mas falas bem o espanhol. Seria bem mais fácil se todos falassem a mesma língua". Arrisquei falar da Torre de Babel. A reacção que obtive foi um ataque à religião. "Isso são histórias que nos contam os curas". "Se Deus tivesse castigado os Homens pela Torre de Babel, o que faria hoje que o Homem já foi à Lua".
Tinha 4 anos quando rebentou a Guerra Civil, fez oitenta em Janeiro. "Tempos dificeis, quando os franquistas entraram na cidade", disse eu. Pois...

3. Nasceu no quatrocentos e pouco da Pere IV. Passou fome enquanto os armazéns do Estado abarrotavam de mantimentos, alguns retirados de pessoas como o seu Pai, que ía de bicicleta até Vic, trocar umas solas da fábrica de sapatos em que trabalhava, por comida para os quatro dos seis filhos (um deles haveria de morrer em combate) que não lutavam contra os
franquistas. Quando estes entraram na cidade, foi com uma irmã aos tais armazéns, abandonados pelos republicanos em fuga apressada rumo a França. Não há inocentes nesta História.

4. Na actualidade, e apesar de dizer que o PP é menos mau que o PSOE, atribui as culpas da crise ao "Capital". Após 50 anos de descontos, tem uma reforma que lhe permite viver condignamente sem luxos, mas receia pelo futuro dos dois netos. A realidade está sempre a dar exemplos da sua imensa complexidade.
- Até um dia destes
- Amanhã vou para Bilbao
- Bilbao ? Cuidado com a ETA!
Riu-se. Afinal de contas, já viveu uma Guerra Civil.

5. Depois das 17h15, a entrada na Catedral é grátis e vale bem a pena. Depois ainda fui até à Basilica de Santa Maria del Mar. Esmagador.

6. Ainda havia tempo para uma paragem no grotesco edifício do El Corte Ingles. Então não é que foi preciso ir ali para encontrar um livro que suspeitava existir mas que nem na loja do Barça vira ? Trata-se de um pequeno mas volumoso livro com o manancial estatístico da História da equipa principal de futebol do Barça.

7. Depois faltava encontrar um lugar para ver se a Grécia colocava a Alemanha fora do Euro.

8. Na primeira parte, a Grécia resiste ao ataque alemão enquanto janto perto de Passeig de Gràcia. O golo alemão, a par das tapas de chouriço e de choco frito deram-me vontade de ir embora. Fui andando sem fazer grande questão do destino do passeio e do jogo. A certa altura, pareceu-me ver 2-1 numa tv. Continuei pela Diagonal acima mas a primeira estação de metro que encontrei foi Maria Cristina. Vejam no mapa. O chouriço e o choco estão mais do que digeridos.

9. O jogo já deve ter terminado. O wifi dos Irmãos me dirá. Ainda vou em Tarragona. Ficam a faltar 14 estações!

10. Grécia 2-Alemanha 4
Não houve surpresas. Amanhã há mais mas não aqui.

Adéu Barcelona! Kaixo Bilbo! BlogBooster-The most productive way for mobile blogging. BlogBooster is a multi-service blog editor for iPhone, Android, WebOs and your desktop

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Notas de Barcelona II / Portugal-Rep.Checa (+2 horas)

1. A manhã do segundo dia começa com a inevitável visita ao Camp Nou. A Camp Nou Experience vale bem a pena. Mesmo vazio, o estádio é imponente e o Museu é rico ao ponto de ser o segundo mais visitado da cidade.

2. À saída, dei de caras com uma manifestação de pensionistas das CCOO, como que a desmentir a minha tirada de ontem.

3. Depois, foi tempo da Sagrada Família e das várias casas desenhadas por Gaudí. O surrealismo tem aqui a sua capital.

4. A cidade alimenta de tal forma que o almoço vai sendo adiado.

5. Retemperadas as energias, rumei O Bairro Gótico. Faz lembrar o Bairro Alto mas com edifícios centenários pelo meio.

6. Com vários horas até ao Portugal-Rep.Checa, decidi regressar a Montjuic apesar de Madonna ter uma segunda data hoje.

Os quatro euros e meio de entrada no Museu Olímpico foram bem gastos. Muito completo e com una vertente multimédia surpreendente.

7. O tempo ainda sobrava, pelo que permitiu visitar locais que não tinha previsto. Uma cidade de tantos encantos e com praia a umas centenas de metros do Metro!!! Que privilégio.

8. Como me foram garantindo repetidamente que não há locais públicos onde assistir aos jogos do Euro, lá activei o Plano B que passava por assistir ao jogo num dos muitos bares que o anunciavam.

Algum receio de enchentes fez com que já estivesse sentado antes das oito daqui, sete em Portugal.

O empregado de mesa está por Portugal. Enquanto olha para a mesa do lado, confessa baixinho "Sou Real Madrid". Ri mas não lhe disse "Sou Barça".

0-0 ao Intervalo. Há que repor espaço na bexiga. A terceira Guinness está no fim. Os irlandeses foram a pior equipa do Euro mas são campeões da cerveja.

9. A minha amiga Sandra já me avisara de que o patriotismo aumenta quando se está fora. Em 2010, estivemos em Itália durante o Mundial e não senti diferenças, pelo que não liguei.

Mas assistir a um jogo destes num bar de Barcelona, sem checos e com apenas um português identificado (eu mesmo) é de uma bizarria tremenda. Estou habituado a assistir a jogos sozinho. Mas oiço os comentários em português e aqui mal oiço os que são feitos em castelhano (?). À minha volta, há sempre vizinhos a ver o jogo e, devido às diferentes velocidades dos retransmissores, uns segundos adiantados. Aqui, o máximo que se ouviu foi um pequeno bruá quando Cristiano Ronaldo rematou ao poste. Acho que o bruá foi mais de gozo do que de interesse no rumo do jogo. Já estão a voltar para a segunda parte. Hugo Almeida em vez do Nélson surpreendeu-me mas o Mister é que sabe.

10. Quando Cristiano Ronaldo faz o golo, um jovem com ares de Matt Damon e sotaque de americano a falar português vira-se para trás e diz "Estava merecendo o golo". "Há imenso tempo" foi a resposta aliviada mas terá sido português a mais.

Mas o "merecer" remete para justiça e esta tem andado arredada dos relvados. Querem ver que o "Matt Damon" veio agoirar isto?...

11. No final da partida, sem qualquer palavra desde que se revelara madridista, o empregado veio apertar-me a mão. Portugal nas meias-finais do Euro! Bora lá!

12. Antes de regressar a "casa", ainda troquei umas palavras sobre as semelhanças entre o catalão e o português. Depois, no Metro, cantava-se "You were always on my mind". Não era bem verdade mas voltou a ser. Mas isso é outra história. BlogBooster-The most productive way for mobile blogging. BlogBooster is a multi-service blog editor for iPhone, Android, WebOs and your desktop

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notas de Barcelona I

Agora já percebo porque é a quarta cidade mais visitada da Europa, depois de Paris, Londres e Roma. E só cheguei hoje!

16h45 locais - finalmente no metro a caminho de Montjuic. A residência dos Salesianos é tal e qual lera na net. O quarto é minúsculo mas o preço também. O espaço é espectacular e justifica um passeio pelos jardins. Na Linha 3, entre Montbau e Paral-lel, são onze estações. Depois é o funicular até lá acima.

Imaginem um Estádio Olímpico na Serra de Sintra com vista total sobre Lisboa. Montjuic é mais ou menos isso face a Barcelona. Até o colorido dos fans de Madonna se enquadram enquanto aguardam pelo concerto desta noite.

As famosas Ramblas são interessantes pelo enquadramento das árvores e pelo movimento imenso. Ía em busca do suposto café do POUM no 128. Só que...

A Norte, do lado direito como é da praxe, o ultimo número par é o... 126!

Só parei para comer junto à Praça da Catalunha, junto à Loja do Barça. Depois, foi descer até à zona do porto onde vi a maior das (poucas) bandeiras espanholas que vi. Ironicamente enquadrada por uma grua. O Estado Espanhol está em crise mas aqui não parece.

Antes disso, a fachada da Catedral é belíssima. De regresso a "casa", outra ironia de que já lera mas esquecera. A tv do metro de Barcelona chama-se MouTV!

Ultima ironia do dia. Que os Irmãos Salesianos me desculpem, mas apesar de me ter esquecido
de comprar água, comprei um livro sobre a II República espanhola. BlogBooster-The most productive way for mobile blogging. BlogBooster is a multi-service blog editor for iPhone, Android, WebOs and your desktop

domingo, 17 de junho de 2012

Portugal-Holanda (-2 horas)

1. É frequente uma equipa vencer um jogo através do desempenho do seu melhor jogador. Se o jogo for marcado pelo equilíbrio, esse factor é ainda mais relevante. O jogador que desata o nó de uma partida é, muitas vezes, o melhor jogador da equipa. Quarta-feira, frente à Dinamarca, Cristiano Ronaldo voltou a não fazer jus à sua auto-proclamada condição de "melhor do mundo". Nem sou dos que criticam a vertente defensiva. A esse nível, o processo defensivo do Real Madrid de Mourinho precisa menos de CR7 do que o Portugal de Paulo Bento. Mas ver um Cristiano Ronaldo sem confiança e alegria é outra história.

Há quem insista em dizer que falta a qualidade da companhia que tem no Real. O argumento parece-me não colher. Em primeiro lugar, a selecção até conta com  outros dois colegas de Ronaldo no Real. Quanto aos restantes oito, não são jogadores de segunda qualidade. Mesmo que assim fosse, lembremos os exemplos de Ibrahimovic ou Shevchenko, para citar apenas dois exemplos presentes neste Europeu. Mesmo numa equipa de menor qualidade, o "melhor" dá nas vistas pela positiva. A resposta estará a outro nível, portanto. O slogan diz "Onze por todos, todos por onze". No entanto, parece-me que Cristiano Ronaldo sente que o slogan é "um por dez milhões e dez milhões por um". A culpa é de Messi.

Se não existisse Messi, Cristiano Ronaldo seria, indiscutivelmente, o melhor jogador de futebol da actualidade. Nesse caso, o seu objectivo de ser "o melhor" estaria cumprido e poderia, com toda a "tranquilidade", exibir-se sem pressões auto-impostas.

2. Dentro de pouco mais de quatro horas já se saberá se a Selecção volta para casa ou defronta checos ou gregos nos Quartos-de-Final. Se não houver surpresas de maior, os Quartos-de-Final terão um Rep.Checa-Portugal e um Grécia-Alemanha. E aí aposto que a Grécia vai mandar os alemães para fora do Euro. A ironia no seu melhor.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Portugal-Dinamarca (- 2 horas)

A vitória da Alemanha sobre Portugal no sábado passado é uma metáfora das diferenças entre os dois países.
"Os alemães trabalham mais do que os portugueses". É o que se diz na cruzada que decorre e que pretende colocar europeus do norte (disciplinados e trabalhadores) contra europeus do Sul (desgovernados e preguicosos). Como sempre, a verdade é bem mais complexa.

Um trabalhador português trabalha, em média, mais horas que um trabalhador alemão. É um facto. Um trabalhador português produz, em média, menos que um trabalhador alemão. É outro facto. Fazer pastéis de nata, não obstante o Álvaro, tem menos valor que montar um BMW ou mesmo um Volkswagen. Outro facto.

Historicamente, uma equipa alemã de futebol precisa de menos oportunidades de golo para concretizar. Habituámo-nos a ver as equipas portuguesas no extremo oposto. Dito de outra forma, os jogadores portugueses, quando têm pela frente equipas alemãs, têm de trabalhar mais mas isso pode não ser suficiente. Tudo isto significa que, tal como na economia, é a eficácia que tem de melhorar.

A finalização é um aspecto do jogo tão relevante como o passe ou o corte. Quando um remate à baliza vai para a bancada, está ao nível de uma defesa atrapalhada de um guarda-redes. Se o avançado estiver na pequena área, o falhanço passa a estar ao nível de um frango. Os remates não servem como critério de desempate. Nesse sentido, faz muito mais sentido manter a posse de bola do que rematá-la em posição desfavorável ou mesmo em desespero de causa.

Daqui a pouco, frente a dinamarqueses que constituem uma equipa de jogadores humildes e batalhadores, em que o espítimo amador ainda está bem vivo, este pode ser um factor decisivo.´

Já agora, se tivesse de apostar, diria que alemães e holandeses não chegam aos 1/4 de Final.

sábado, 9 de junho de 2012

Portugal-Alemanha (-2 horas)

Muito se tem escrito sobre as duas selecções. A maior parte dos jogadores alemães são mais novos que Cristiano Ronaldo, lia-se hoje. Talvez convenha ver um pouco mais longe. Tendo como base de análise as cinco fases finais de Europeus e Mundiais desde 2004 (inclusive), chegamos a números bem mais relevantes.

Há uma ligeira vantagem alemã na média de participações nas cinco fases finais por jogador convocado para o Euro 2012 - 2,26 para cada um dos 23 alemães e 2,22 para cada um dos portugueses.

Bem diferente é a lista dos mais experientes em fases finais. Vejamos.

Portugal apresenta apenas um totalista - Cristiano Ronaldo. Com presença em 4 Fases Finais, temos apenas Hélder Postiga. Com três presenças, há vários - Bruno Alves, Hugo Almeida, Miguel Veloso, Pepe, Raúl Meireles e Ricardo Costa. Na Alemanha, as coisas são bem diferentes. Totalistas são quatro - Bastian SCHWEINSTEIGER, Lukas PODOLSKI, Miroslav KLOSE e Philipp LAHM. Com quatro temos o central Per MERTESACKER e com três o avançado Mario GÓMEZ.

Daqui se conclui que o onze base alemão é bem mais experiente nestas andanças. Não só tem mais jogadores totalistas como os portugueses com três presenças são (ou foram), fundamentalmente, suplentes.

Nesta perspectiva, os números não jogam a favor de Portugal. Mas Portugal nunca foi eliminado na fase de grupos de um Europeu. Por outro lado, quando ficou agrupada com Portugal, a Alemanha deu-se mal. Isso aconteceu em 1984 e em 2000. Vejamos como será em 2012.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Taça das Nacões

Madrid, 25 de Maio de 2012
Joga-se a final da Taça do Rei mas há quem prefira chamar-lhe Taça das Nações. Porquê?

O título oficial do monarca português era "Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia". É história. O de Juan Carlos de Bourbon é "Sua Majestade o Rei de Espanha, de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, da Sardenha, da Córsega, de Córdova, de Múrcia, de Jaen, de Algeciras, das Ilhas Canárias, das Índias Orientais e Occidentais e das Ilhas e Terra Firme do Mar Oceano, Arquiduque de Áustria, Duque de Borgonha, de Brabante (nos Países Baixos), de Milão, de Atenas e Neopatria, Conde de Habsburgo, de Flandres, do Tirol, do Roselão e de Barcelona, Senhor de Biscaia e de Molina". É hoje!

"Espanha" é um conjunto de nações. Como se sabe, este dado histórico tem tido consequências diversas que já passaram por terrorismo, mas que também passam pelas clivagens associadas a identidades clubísticas. Quem se sente mais (ou apenas) catalão ou basco do que espanhol, é natural que considere a Copa del Rey uma oportunidade de manifestação. Há uns anos, o hino foi assobiado na final disputada por Barcelona e Athletic em Valencia. Desta vez, a Final é em Madrid, o que encerra maior simbolismo.

Como Cruijf resumiu, quando o Barcelona vencia um jogo recebiam os parabéns. Quando essa vitoria acontecia frente ao Real Madrid, recebiam agradecimentos.

Diz-se que o poder político ponderou não realizar a Final ou disputá-la sem publico. As leis do Estado Espanhol proíbem ofensas ao hino e à família real. O Presidente do Barça defende o direito dos adeptos "manifestarem os seus sentimentos". Veremos o que acontece.

Pessoalmente, julgo que uma lei que, num Estado de Direito, proíbe os cidadãos de de exprimirem, é um contra-senso. Mesmo se essa liberdade de expressão incide contra a existência desse mesmo estado. Durante a ditadura de Primo de Rivera (há quase cem anos), o Barcelona ficou suspenso durante 6 meses devido a assobios ao hino por parte dos seus adeptos.

Nunca assobiei a Portuguesa mas também nunca me levantei enquanto era tocada num Estádio. Normalmente ficava sozinho nessa atitude mas nunca seria acusado criminalmente por isso. A selecção não deve servir para aproveitamentos políticos. O simples entoar do hino do país é, em si mesmo, um gesto político. Num país de várias nações, mais do que não me levantar, assobiaria um hino e um rei ou príncipe que não considerasse meus. É que o futebol é feito de pertenças, goste-se ou não.