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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Notas de Bilbau 3

1. Se os dois primeiros dias em Barcelona me permitiram ver o que previra, o mesmo seria de esperar de uma cidade bem mais pequena, como é Bilbao. Assim, o único destino obrigatório era a Catedral de San Mamés, a casa do Athletic. Já lá passara no sábado mas a ideia era ir à Loja e, principalmente, ao Museu.

2. Ao entrar na loja, arrisquei mais um pouco de euskera, com um "Egunon". A reacção foi positiva pelo que o "Bom Dia" saíu bem. A careca precisava de um boné desde o primeiro dia mas mais vale tarde do que nunca.

3. Para minha tristeza, o Museoa fecha às segundas... Mas mesmo em frente ao estádio, descobri uma loja dedicada a aspectos ligados ao futebol, incluindo colecções impressionantes de pins de origens tão diversas como o Peru, a Albania ou a Namibia!

4. Quando a senhora da loja percebeu que era português, pediu-me desculpa para dizer que não gosta de Cristiano Ronaldo. Frisou que não se referia ao jogador mas ao homem. Pois é... Despedi-me com um "eskerrik asko" que serviu de agradecimento.

5. Numa livraria em liquidação total por mudança de instalações, comprei dois livros sobre a história do Athletic. Neles se recorda algo que ontem ignorei com o entusiasmo italiano. O Athletic tem fortes ligações inglesas. Um famoso adepto do clube chegou mesmo a sugerir, há uns anos, a inscrição da equipa B na liga inglesa!

6. Concluído o lado futebolístico da viagem, ainda houve tempo para aproveitar o passe diário do Metro de Bilbao. Rumo a Plentzia, zona de praia a várias dezenas de quilómetros.

7. No supermercado, ao pedir um saco, sou desmascarado, de nada valendo o boné do Athletic. "Saco? Português? O meu marido é português, de Braganca. Vamos jogar na quarta. Espero ganhar. Senão as minhas cunhadas dão-me cabo da cabeça".

8. Os dois cartões de memória estão a dar as últimas. Ainda não são quatro da tarde e só tenho espaço para 49 fotos!

9. Esta cidade cercada por montanhas poderia provocar uma sensação de claustrofobia mas, ao contrário, transmite conforto.

10. Ainda não tinha feito alusão ao café. Já é muito bom face ao que acontecia por terras vizinhas há uns atrás mas é caro. O café mais barato que bebi ficou em 1,10€.

11. Decidi terminar a viagem com uma visita à Estação Central de Caminhos de Ferro. Jantar cedo também estaava decidido e foi ali mesmo numa casa de sandes que nos perseguem por todo o lado. Na mesa do lado, quatro locais de meia idade debatiam a situação da Segurança Social e do papel dos Bancos nesta crise. A Mãe de uma das senhoras vai reformar-se em breve passando a receber uma pensão de 200€ mensais. Vivemos tempos desafiantes...

12. À saída de Arando, vejo uma camisola 10 de Portugal no tronco de um jovem imigrante. Provocação ao país de acolhimento?

13. Na última caminhada até ao Hotel, optei por um caminho diferente. Assim, foi o acaso que me deu a conhecer a Gorte Kalea, rua em que se misturam muitas proveniências e profissões e, entre estas, o sexo.
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domingo, 24 de junho de 2012

Notas de Bilbau 1.2

1. Problemas vários impediram-me de escrever ontem. Se o cinismo inglês tivesse superado até o histórico recente da Inglaterra nos desempates por penalties, nem teria energias para escrever nada. Assim, aqui vai.

2. Às sete da manhã de ontem já estava em Montbau. Esperava-me uma viagem de metro até à estação de Les Sants. São 15 estações. Calha mesmo bem sair de Barcelona na véspera do S.João e no dia de um Espanha-França.

3. As noites mal dormidas em Barcelona começavam a deixar mossa. Em Bilbau está mais fresco que em Barcelona, o que é simpático para quem anda pelas ruas. O Hotel fica melhor localizado do que esperava. San Anton Eliza é mesmo aqui em baixo e o Casco Viejo é logo a seguir.

4. Bilbau é uma cidade ainda mais interessante do que esperava. A relação do espaço urbano com o rio e as montanhas é impressionante. No dia do Espanha-França, não vi uma única camisola ou bandeira espanholas. Mas vi imensas camisolas do Athletic e uma da selecção de Euskal Herria. Sintomático. Durante a transmissão da Tele 5, não foi por acaso que as únicas alusões às origens dos jogadores tenham tido por alvo os jogadores canários. Quando saíu Silva para entrar Pedro, ouviu-se "Canário por canário".

5. Hoje, para me recompor do cansaço tremendo, só deixei o hotel por volta da uma da tarde. Como ontem já dera a volta à cidade, o plano passava por subir a Artxanda depois de ir até Begoña. Numa loja de produtos bascos, lancei a inevitável questão "Portugal-Espanha?". A resposta não foi diferente da que teria em Madrid ou Sevilha... Como planeava ir a Portugalete, perguntei pela origem do topónimo. Explicou-me que o sufixo "ete" significa pequeno, o que faria de Portugalete um "pequeno Portugal". Ainda me disse que teria havido muitos portugueses a trabalhar na zona do porto de Bilbau, mas isso não faria sentido, a não ser que Portugalete fosse relativamente recente ou que tivesse mudado de nome. Nenhum dos cenários se confirmariam.

6. A caminho da Basilica de Begoña, arrisquei dizer uma palavra em basco. Quando a rapariga me disse o preço da garrafa de água, disse-lhe "larogei". Significa oitenta e lê-se como se existisse um "u" entre o "g" e o "e".

7. À volta da Basilica de Begoña, estão alguns dos 200 hectares de áreas verdes que existem dentro dos limites da cidade. A subida a Artxanda não pôde ser feita pelo funicular, em obras até ao final do mês. À disposição está um autocarro que, por 90 cêntimos, faz um percurso longo mas com o mesmo destino - a melhor vista sobre a cidade.

8. De regresso a Bilbau, o destino era Portugalete, com paragens em duas estações de metro peculiares. Uma delas, Urbinaga, fica numa ponte e tem uma parte a céu aberto. Enquanto fumava, apercebo-me de uma bandeira portuguesa numa janela. Não há bandeiras de Espanha mas há de Portugal!

9. Apesar de não haver referência alguma a Portugal, não foi preciso estar muito tempo em Portugalete para me sentir em casa. Logo à saída do metro, pisei os restos de uma pastilha elástica! Depois, comecei a ouvir o que parecia ( era mesmo) um bailarico. Enquanto seguia o som, passei por um monumento a Salazar que, felizmente, não se trata do Dr. de Santa Comba.

10. De volta ao jogo desta noite, os bilbaínos no restaurante em que jantei estavam a torcer por Inglaterra. Não percebi porquê mas não tentei saber. Devem ter pensado que sou italiano e está noite fui. BlogBooster-The most productive way for mobile blogging. BlogBooster is a multi-service blog editor for iPhone, Android, WebOs and your desktop