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domingo, 20 de novembro de 2011

Noite histórica em Coimbra



Para que se tenha uma noção do carácter histórico do que ocorreu esta noite em Coimbra, refira-se que, em 72 edições da Taça de Portugal, foi apenas a sexta derrota do FC Porto por três golos sem resposta. Em 62/63, os dragões deslocaram-se ao terreno do Belenenses para jogar a segunda mão dos ¼ de Final e perderam 3-0, sendo eliminados. Em 66/67, o adversário foi o V.Setúbal e jogava-se a primeira mão das Meias-Finais. No Bonfim, três golos de Pedras deixavam os portistas com uma tarefa complicada para a segunda mão, onde acabariam por empatar a quatro bolas. Em 68/69, Benfica e Porto encontraram-se nos 1/16 de Final na Luz. Dois golos de Eusébio depois de um auto-golo de um defensor portista fizeram o resultado. Em 73/74, as Meias-Finais tiveram o primeiro Porto-Benfica pós 25 de Abril. Foi nas Antas e dois golos de Nené e um de Eusébio fizeram o resultado. A última derrota por 0-3 dos portistas na Taça até esta noite foi sofrida no António Coimbra da Mota frente ao Estoril. Jogavam-se os 1/64 de Final da edição de 78/79. Foi há quase 33 anos! Nas anteriores cinco ocasiões em que o Porto perdeu jogos por 0-3 na Taça de Portugal, os vencedores da prova foram o Sporting (2), V.Setúbal, Benfica e Boavista. Já agora, os portistas já viveram os resultado de 3-0 a seu favor em 29 jogos a contar para a Taça de Portugal, num total de 388 jogos disputados.

Do lado dos estudantes, a vitória desta noite foi a oitava por 3-0 e apenas a segunda neste século. As anteriores foram frente a V.Setúbal (43/44), Belenenses (50/51), Oriental (57/58), Oliveirense (66/67), Almada (72/73), Olhanense (78/79) e Almancilense (2004/05). Nessas épocas, a briosa chegou duas vezes à Final, uma às Meias-Finais e duas aos Quartos-de-Final. Por três vezes, foi eliminada pelo Benfica. Veremos se a História se repete ou se passará a conter novos capítulos.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mais Pero Pinheiro-Porto


Muito se falou sobre a eliminatória Pero Pinheiro-FC Porto. Aqui deixo algumas curiosidades adicionais:



- Geovanny Campos, irmão mais velho de Djalma, foi treinado por Rui Janota no Igreja Nova, na época 2009/10. Desse plantel faziam parte os actuais jogadores do Pero Pinheiro Runa, Kadu, Rui Janota e Serginho;



- Na época passada, Cláudio Oeiras terminou a sua carreira ao serviço do Pero Pinheiro. O antigo avançado fez História no antigo Estádio das Antas, ao serviço do Torreense, numa eliminatória da Taça de Portugal;



- O Pero Pinheiro nunca sofrera tantos golos num jogo da Taça. Por outro lado, foi a quinta vez que o FC Porto venceu uma partida da Taça de Portugal por 8-0, mas a primeira fora de casa. Nas outras quatro ocasiões, os adversários foram Anadia, Lusitânia dos Açores, Alba e Valonguense. Nessas épocas, o clube azul e branco venceu a prova em duas ocasiões, tendo sido Campeão Nacional apenas na época em que goleou o Valonguense (1997/98). Foi a primeira vez que um jogador do FC Porto apontou quatro golos numa vitória por 8-0. Nas outras ocasiões, o máximo fôra atingido por Lemos, que fez três dos oito golos com que o Anadia foi presenteado em 1971/72.

sábado, 24 de setembro de 2011

FC Porto-SL Benfica em números



A propósito do jogo desta noite, deixo aqui alguns números do clássico FC Porto-SL Benfica. O empate a duas bolas é o sexto resultado mais frequente nos 74 jogos FC Porto-SL Benfica a contar para o Campeonato desde 1938-39. Mais frequente só a vitória do FC Porto por 2-0 e 2-1 (8 vezes cada), 3-0 e 1-0 (6 vezes) e o empate a uma bola (6 vezes). Dos 234 golos marcados, 149 entraram nas redes encarnadas e apenas 85 nas redes azuis e brancas. Os jogadores com mais de 3 golos no clássico são os seguintes:

8 Monteiro da Costa (FC Porto)

6 Eusébio (SL Benfica)

6 Gomes (FC Porto)

6 Rogério (SL Benfica)

5 Correia Dias (FC Porto)

5 Jardel (FC Porto)

4 José Águas (SL Benfica)

4 António Santos (FC Porto)

4 Hernâni (FC Porto)

4 Lemos (FC Porto)

4 Pratas (FC Porto)

4 Vital (FC Porto)

domingo, 22 de maio de 2011

O acólito




Estamos a algumas horas da Final da Taça entre FC Porto e Vitória SC. Do Jamor, Villas Boas diz que “é inegável que não reúne as máximas condições em termos de segurança e conforto”. A Polícia diz que a segurança começa no comportamento dos adeptos. A Polícia acerta, enquanto Villas Boas faz de acólito do discurso de Pinto Costa. Quando saír do FC Porto, Villas Boas poderá expressar-se livremente, tal como Jesualdo Ferreira ou Raúl Meireles agora fazem. Faz parte. Só espero que num jogo em que estarão presentes duas das claques mais violentas do futebol português, as palavras de Villas Boas não venham a ser vistas como prenúncio de algo que nada tem a ver com a Festa da Taça.


sábado, 7 de maio de 2011

Proximidade para a História



Considerando apenas aqueles que já disputaram as competições da UEFA, há clubes que distam mais de 5000kms entre si. Já houve várias eliminatórias disputadas por clubes baseados na mesma cidade, mas nunca numa Final.

A 18 de Maio, quando se encontrarem em Dublin, FC Porto e SC Braga passarão os clubes mais próximos a disputar uma Final europeia. Mais um aspecto histórico daquela que será a primeira Final europeia entre dois clubes portugueses.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Notas de uma festa triste


Os primeiros minutos do jogo de Domingo na Luz foi um compacto de tudo o que detesto no Futebol. Primeiro foi a forma como João Moutinho foi recebido junto ao canto que se preparava para marcar. Espectadores de um jogo de futebol procurarem atingir um atleta do jogo a que assistem é absolutamente intolerável. Depois foi a sede de protagonismo bacoco do árbitro. Saída do Benfica em contra-ataque interrompida por Duarte Gomes para repreender verbalmente Otamendi. Tão incrível como frequente nos nossos campos. Depois do jogo foi o triste espectáculo do apagar das luzes e do accionar dos dispositivos de rega. Mas também da atitude provocadora de meia dúzia de jogadores portistas que, após festejos junto dos seus adeptos, acharam por bem fazer uma espécie de volta de honra num estádio quase deserto, mas onde ainda se encontram muitos daqueles que teriam vontade de estragar a festa. Não fôra o cordão policial junto das claques do Benfica e algo de muito grave poderia ter acontecido. Ao ouvir as declarações de Villas Boas minutos depois de, aos 33 anos, se sagrar Campeão Nacional, lembrei-me de Pedro Passos Coelho. O ponto em comum é a manifesta dificuldade em apresentar um discurso público pela positiva, mesmo quando as circunstâncias o justificam. Passos Coelho lidera o maior partido da oposição a um Governo contestado um pouco por todo o lado. Em vez de aprsentar um discurso positivo, clarificador do que faria de diferente ao chegar ao poder, prefere bater na tecla da crítica persistente ao Governo de Sócrates. Compreende-se. Afinal de contas, Passos Coelho sabe que a sua política constituirá mais uma alternância do que uma alternativa. Villas Boas tem justificação distinta. O técnico portista, acabado de se sagrar Campeão no terreno do maior rival, optou por um discurso guerreiro. Mais do que valorizar a prestação dos azuis e brancos, continuou a jogar ao ataque fora de campo. Paradoxalmente, entre actores políticos e futebolísticos, são estes a ter justificações mais profundos para o persistente discurso negativo. Foi (é!) com base num discurso marcial que Pinto da Costa conduziu um clube regional à conquista de dezenas de títulos nacionais e internacionais. Como o ódio tende a gerar ódio, o clube de projecção internacional continua a viver uma filosofia de clube de bairro. É pena e é muito perigoso.