terça-feira, 5 de abril de 2011

Notas de uma festa triste


Os primeiros minutos do jogo de Domingo na Luz foi um compacto de tudo o que detesto no Futebol. Primeiro foi a forma como João Moutinho foi recebido junto ao canto que se preparava para marcar. Espectadores de um jogo de futebol procurarem atingir um atleta do jogo a que assistem é absolutamente intolerável. Depois foi a sede de protagonismo bacoco do árbitro. Saída do Benfica em contra-ataque interrompida por Duarte Gomes para repreender verbalmente Otamendi. Tão incrível como frequente nos nossos campos. Depois do jogo foi o triste espectáculo do apagar das luzes e do accionar dos dispositivos de rega. Mas também da atitude provocadora de meia dúzia de jogadores portistas que, após festejos junto dos seus adeptos, acharam por bem fazer uma espécie de volta de honra num estádio quase deserto, mas onde ainda se encontram muitos daqueles que teriam vontade de estragar a festa. Não fôra o cordão policial junto das claques do Benfica e algo de muito grave poderia ter acontecido. Ao ouvir as declarações de Villas Boas minutos depois de, aos 33 anos, se sagrar Campeão Nacional, lembrei-me de Pedro Passos Coelho. O ponto em comum é a manifesta dificuldade em apresentar um discurso público pela positiva, mesmo quando as circunstâncias o justificam. Passos Coelho lidera o maior partido da oposição a um Governo contestado um pouco por todo o lado. Em vez de aprsentar um discurso positivo, clarificador do que faria de diferente ao chegar ao poder, prefere bater na tecla da crítica persistente ao Governo de Sócrates. Compreende-se. Afinal de contas, Passos Coelho sabe que a sua política constituirá mais uma alternância do que uma alternativa. Villas Boas tem justificação distinta. O técnico portista, acabado de se sagrar Campeão no terreno do maior rival, optou por um discurso guerreiro. Mais do que valorizar a prestação dos azuis e brancos, continuou a jogar ao ataque fora de campo. Paradoxalmente, entre actores políticos e futebolísticos, são estes a ter justificações mais profundos para o persistente discurso negativo. Foi (é!) com base num discurso marcial que Pinto da Costa conduziu um clube regional à conquista de dezenas de títulos nacionais e internacionais. Como o ódio tende a gerar ódio, o clube de projecção internacional continua a viver uma filosofia de clube de bairro. É pena e é muito perigoso.

sábado, 2 de abril de 2011

Benfica-Porto - História Gráfica


Real empata em Mafra



Na primeira vez que o Real venceu em Mafra, os golos do clube de Queluz-Massamá foram marcados pelos agora mafrenses Nuno Gomes e Paulo Renato e no banco estava Jorge Paixão, agora Treinador do Mafra. No Domingo passado, as equipas dos dois clubes voltaram a encontrar-se num jogo que ficou marcado por outros reencontros. Tuga e Kifuta já jogaram no Real, enquanto que Eduardo Simões e Ivanir já alinharam pelo Mafra. Por outro lado, Dino, Diogo, Hugo Rosa e Zé Mário, figuras do Casa Pia nos tempos de Jorge Paixão, acompanharam o técnico almadense nas passagens pelo Real e pelo Atlético, antes de regressarem ao clube liderado por José Libório.



Num jogo em que a vitória era o único resultado que interessava, o Real entrou muito pressionante, impedindo o Mafra de saír a jogar. O jogo foi sempre muito disputado, apesar de não haver oportunidades claras de golo. A figura do jogo, pela negativa, foi o árbitro da partida.



Tecnicamente nem esteve mal, mas disciplinarmente foi desastroso. Como se isso não bastasse, fez uma daquelas arbitragens sem personalidade em que o árbitro demonstra falta de coragem de assumir decisões.


Assim se explica o segundo amarelo simultâneo a Tiago Costa e Dino. Se havia motivo para acção disciplinar nesse lance, seria apenas a expulsão do jogador do Mafra. Sete minutos depois a cena repetiu-se. Desta vez, os intervenientes foram Bruno Fernandes e Kifuta. Por outro lado, Sérgio Marquês insistiu no jogo faltoso, só sendo “amarelado” a quinze minutos do fim da partida. Curiosamente, o árbitro aveirense vai apitar ao Caniçal amanhã...




Voltando ao futebol, diga-se que foi já a jogar com dez que o Real chegou à vantagem. A jogar e toada de contra-ataque devido à inferioridade numérica, uma excelente arrancada de David Rosa surpreendeu a defesa do Mafra. À entrada da área, colocou a bola em Diogo que desmarcou Tiago Rente. O atacante alentejano rematou cruzado, batendo Márcio Santos. Quatro minutos depois, o árbitro mostra o segundo amarelo a Tiago Costa e Dino, deixando as equipas a jogar um 10 (Mafra) para 9 (Real). Apesar do imenso espaço impossível de ocupar pelos 9 jogadores disponíveis em campo, o Real susteve a natural investida do Mafra durante mais de vinte minutos.



Foi já ao minuto 86 que Nuno Gomes aproveita um ressalto na área para rematar ao canto esquerdo da baliza defendida por Bruno Fernandes, fazendo o resultado final da partida num jogo marcado por uma das melhores exibições do Real nesta época malfadada. Amanhã segue-se a recepção ao Atlético SC.

sábado, 26 de março de 2011

A brincadeira continua


Mais brincadeira:

Zona Norte:
Oliveirense-U.Madeira - António Costa (Aveiro)
Tirsense-Fafe - Carlos Espadinha (Portalegre)

Zona Centro:
Eléctrico-Tondela - José Almeida (Lisboa)
Padroense-Tourizense - Luís Ferreira (Braga)
Coimbrões-Boavista - Pedro Maia (Porto)

Zona Sul:
Mafra-Real - Jorge Tavares (Aveiro)
Casa Pia-Juv.Évora - João Gayo (Braga)
Atlético-Oriental - Humberto Teixeira (Porto)
Carregado-Torreense - Rui Patrício (Aveiro)
Pinhalnovense-Farense - Rui Rodrigues (Lisboa)

Se as nomeações a Norte e ao Centro parecem seguir um critério coerente, alguém percebe a nomeação para o jogo do Pinhal Novo ?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Estranha vitória


Posso estar enganado, mas parece-me que a primeira vitória de sempre do Real sobre o Casa Pia poderá ser marcada pela descida dos dois clubes à 3ªDivisão. Os resultados dos jogos de Queluz-Massamá e de Faro serviram os objectivos do Farense. Verdade seja dita que, apesar da sua postura algo prepotente, Nuno Almeida não teve interferência no resultado. O mesmo não se pode dizer do jovem Luizinho. Entrado ao intervalo, foi decisivo na viragem do marcador.

O Casa Pia entrou melhor na partida, ciente de que a vitória seria o único resultado interessante na primeira de sete finais. Ao quarto de hora de jogo, Mamadu desperdiça uma oportunidade de baliza escancarada, provocando risos na bancada. Como se até os melhores jogadores não tivessem lances semelhantes nas suas carreiras... Aos 36’, numa altura em que o Real já equilibrara a partida, Pauleta faz o golo dos casapianos. Os visitantes íam a vencer para o intervalo. A perder, José Marcos retira o médio Kikas e coloca em campo o pequeno e irrequieto Luizinho. Desde o início se percebeu que ali estava um jogador que iria dar muito trabalho aos defesas do Casa Pia. Colocou velocidade e criatividade em jogo e esteve no primeiro e terceiro golos do Real. Internacional sub-16 por Portugal, o jovem ex-júnior esteve três épocas nos Juvenis e Juniores do Sporting. Esteve no passe que resultou na assistência de Hugo Rosa para a finalização fácil de Tiago Rente e no cruzamento para a assistência (?) de Tiago Rente a Hugo Rosa. Quanto a este último, ainda marcou o canto para o desvio de cabeça de Dino. Resumindo, numa época em que tem estado muito só no ataque, Hugo Rosa teve em Luizinho uma companhia de qualidade rara esta época.


sábado, 19 de março de 2011

Brincar às nomeações

Faltam sete jornadas para terminar a primeira fase do Campeonato Nacional da 2ªDivisão. As decisões estão próximas e as suspeições ficariam bem, se ausentes destes períodos. Mas os dirigentes do Conselho de Arbitragem da FPF parecem contribuir para o aumento das suspeições, em vez da sua eliminação.

Gosto demasiado de futebol, daí detestar falar de arbitragem. Abro uma excepção relativamente a algumas nomeações para os jogos da 24ªJornada. Vejamos. Na Zona Centro, o escaldante Tondela-Padroense terá um árbitro de Lisboa. Na Zona Sul, no Juv.Évora-Atlético estará uma equipa de arbitragem da AF Santarém. Para os jogos Real-Casa Pia e Farense-Lagoa foram nomeados árbitros algarvios. Esperemos que não seja o que parece ser e que não se verifiquem decisões polémicas de Nuno Almeida e Eugénio Arez, respectivamente. Oxalá.

Chuva de Golos no Bocal


Já aconteceu há mais de uma semana, mas vale bem a pena escrever umas linhas sobre a Meia-Final da Taça da AF Lisboa disputada entre o Bocal e o Vila Franca do Rosário (VFR). Primeiro porque uma deslocação ao Bocal, lugar da Freguesia de Santo Estêvão das Galés (Mafra) se assemelha a uma deslocação ao interior profundo. A paisagem envolvente é bucólica q.b. Como se isso não bastasse, o ambiente que se vive no Campo Santo contraria totalmente o estereótipo dos jogos dos Distritais. Ali não se vê situações de conflito entre adeptos, não se intimida as equipas de arbitragem, o futebol é um jogo de que todos gostam, não uma batalha de vida ou morte.



Imagine-se o que seria uma Meia-Final da Taça de Portugal terminar com um resultado de 5-6, com quatro grandes penalidades assinaladas ! Agora acrescente-se que se tratava de um jogo histórico para os dois clubes. As duas equipas do concelho de Mafra disputavam pela primeira vez a passagem à Final da Taça da AF Lisboa. Ambos alinham na Série 1 da 1ªDivisão do Distrital lisboeta, sendo o VFR o líder, enquanto o Bocal procura evitar a descida. Mas no Campo Santo, a diferença classificativa não se observou. Fazendo valer a sua garra constante e uma melhor adaptação ao terreno, nomeadamente às dimensões reduzidas, o Bocal chegou a estar a vencer durante onze minutos, acabando por perder o jogo que poderia ter “caído” para qualquer das equipas. Aqui fica o evoluír do marcador:


0-1-Caramba 3’; 1-1-Silva 5’; 1-2-Caramba 17’; 2-2-Ruben Graça 18’; 3-2-Ruben Graça 26’; 3-3-Adilson 37’; 3-4-Nélson 43’(pen) e 4-4-José Cabral 45’(pen).


Resultado ao intervalo – 4-4


4-5-Paulo Pina 50’; 5-5-José Cabral 56’(pen) e 5-6-Nélson 63’(pen).


Num jogo que teve onze golos em sessenta minutos, não se marcou nenhum nos últimos 27 minutos!


No Bocal, destaque para o central Bruno Nunes (36 anos - passou por clubes como Casa Pia, Coruchense, Real e Igreja Nova) e os avançados José Cabral (33 - Sintrense, Cacém, Lourel e Igreja Nova) e Ruben Graça (24 – passou pelas camadas jovens do Campomaiorense). No VFR, nota para a presença de Caramba (22 – escalões de formação do Sporting com passagem pelo Torreense) e o veterano Varela (35 - jogou no Olivais e Moscavide, entre outros) que irá defender o título conquistado na época passada, ao serviço do GS Loures.


Mas o maior destaque vai para a extrema correcção demonstrada dentro e fora do campo, num jogo de resultado sempre incerto e com a bola constantemente próximo das duas balizas. A equipa de arbitragem composta por três Paulos (Neves, Justo e Henriques) acabou por fazer parte da festa, apesar de algumas dúvidas em pelo menos uma das penalidades assinaladas.