domingo, 30 de agosto de 2009

Real estreia vitoriosa



REAL – Vítor Golas; Elves, Pedro Mendes, Eduardo Simões e Miguel Gonçalves (Ailton 54’); Dino, André Marins e Tigas; Diogo Rosado, Hugo Rosa (Diogo Amado 84’) e Wilson Eduardo (Diogo 59’).

Não utilizados – Bruno Fernandes, Zé Mário, William e David Rosa


FAMALICÃO – Rui Forte; Hugo Pinheiro (Zezé 45’), Gualter, Hélder e Talocha; Zé d’Angola, Magalhães, Sérgio Vasconcelos (Tozé 65’) e Nuno Cavaleiro; Luís Carlos (Diop 45’) e Diarra.

Não utilizados – André Ferreira, Serafim, Tó e Koné


A estreia oficial do Real era esperada com alguma expectativa, numa época em que um protocolo assinado com o Sporting, trouxe até Queluz-Massamá vários jogadores da equipa júnior leonina da época passada. O primeiro onze escolhido por Filipe Ramos incluía cinco ex-leões. O brasileiro Vítor Golas ocupou as redes do Real, enquanto que o central Pedro Mendes fez dupla de centrais com o experiente Eduardo Simões. André Martins jogou no miolo, enquanto que Diogo Rosado juntou mais adiantado em apoio a Wilson Eduardo.


As expectativas não foram goradas, pois o Real foi sempre melhor equipa, criando diversas oportunidades de golo. Apenas alguma ineficácia na finalização impediu o resultado de ser mais volumoso, apesar de boa réplica por parte da equipa famalicense, mesmo depois de ficar reduzida a dez unidades, por expulsão de Diarra. A expulsão resultou de uma mão assinalada na área famalicense. Da marcação do penalty resultou o primeiro golo da partida, com Diogo Rosado a não dar hipóteses a Rui Forte. Apesar de reduzido a dez unidades, o Famalicão arriscou na segunda parte e manteve o jogo em aberto até aos 78’ quando Ailton, num lance individual, foi ganhado espaço até fazer o segundo golo da partida. Na equipa do Real, destaque para Diogo Rosado. A qualidade é tão evidente quanto alguns tiques de vedetismo dispensáveis. Se a questão é falta de humildade, talvez possa receber algumas dicas de colegas como o pequeno André Martins, atleta que faz lembrar João Moutinho.




O Famalicão, apesar de estar de regresso aos Nacionais devido à desistência do Rio Maior, apresentou uma equipa que poderá lutar pela subida à 2ªDivisão. Composta por elementos experientes como o guardião Rui Forte (jogou pelo Esposende na Liga de Honra), o defesa Hugo Pinheiro (jogou no Chaves e no Espinho), os médios Nuno Cavaleiro (chegou a jogar na liga principal pelo Braga e Est.Amadora) e Sérgio Vasconcelos (formado no FC Porto, alinhou pelo Varzim na Liga de Honra), teve o defesa Serafim no banco. Serafim fez parte dos plantéis do Moreirense quando os cónegos alinharam no escalão principal.

domingo, 21 de junho de 2009

O renascer do Águias





Terminaram as suas séries em terceiro lugar, pelo que a Associação de Futebol de Lisboa (AFL) convocou A-dos-Cunhados e Águias de Camarate para discutir o último lugar com acesso à 1ªDivisão Distrital. O A-dos-Cunhados apenas em duas ocasiões não alinhara no último escalão distrital, pelo que a oportunidade era histórica. Do outro lado, o Águias de Camarate procurava um regresso a palcos mais condizentes com o seu palmarés. Em 1999/00, o clube dos arredores de Lisboa alinhou na antiga 2ªDivisão B, naquela que foi a época de maior destaque da sua História. De então para cá, ainda se manteve 3 épocas na 3ªDivisão Nacional, até caír nos Distritais. O regresso foi complicado, de tal forma que a manutenção foi mantida a muito custo nas primeiras duas épocas. À terceira, a descida foi inevitável. No entanto, o pior veio depois com nova descida. Assim, 2007/08 vê o Águias alinhar na 2ªDivisão da AFL, último escalão associativo. Não fez melhor que um sétimo lugar, pelo que repetiu a presença nesta época. A velocidade da queda foi muito semelhante à da primeira participação do clube nos Nacionais. A época 1980/81 foi a primeira do Águias de Camarate na 3ªDivisão Nacional. O que talvez poucos recordem é que essa estreia foi o resultado de 3 subidas consecutivas! O clube de Camarate venceu a 3ªDivisão da AFL em 77/78, a 2ª em 78/79 e foi vice-campeão da 1ª em 79/80,conseguindo a subida.

Domingo passado (14/6), as duas equipas entraram em campo com dois onzes muito diferentes. O que veio de A-dos-Cunhados apresentava uma média etária superior a 30 anos, enquanto que a média dos Águias de verde-e-branco pouco passava dos 20. Este factor viria a pesar durante grande parte da partida.


Ainda para mais, Essien (central do Camarate) transformou em golo o primeiro remate da partida, sessenta segundos após o apito inicial da árbitra Vanessa Gomes.



A equipa do concelho de Torres Vedras nunca conseguiu reagir durante o primeiro tempo, destacando-se a prestação do camisola 28 do Águias, Nuno Mota, jogador de 20 anos que terá passado pelos Juniores do V.Guimarães. Foi claramente o jogador mais esclarecido em termos técnicos, pertencendo-lhe os melhores lances da primeira parte.



A segunda parte começou com o Águias a procurar o segundo golo mas tendo sempre pela frente Pedro Vicente. O guardião do A-dos-Cunhados foi adiando aquilo que parecia inevitável.


No entanto, aos 60’, no único lance em que conseguiu fugir à marcação de Essien, Bruno Vitorino faz um belo golo, empatando a partida.

A jovem equipa de Camarate sentiu o golo e os experientes jogadores do A-dos-Cunhados tiveram um pequeno período de supremacia inédita na partida.

Aos 72’, Rui Almeida (técnico do Águias) trocou dois dos seus jogadores. Um dos que entrou na partida foi Té. Tanto quanto consegui apurar, trata-se de um avançado de 40 anos que jogou no Frielas na época passada.

Ao minuto 82, na sequência de um cruzamento do lado direito, Té cabeceia já à entrada da pequena área, fazendo o 2-1. O jogo parecia decidido, apesar da vontade demonstrada pelos jogadores do A-dos-Cunhados. Seis minutos depois, a equipa de arbitragem colocou-se no centro da única polémica do jogo, e por culpa própria.

Em vantagem no marcador e a pouco tempo do final da partida, o técnico do Camarate dá instruções para que fossem realizadas duas substituições. As placas com os números 80 e 15 são levantadas, mas apenas o dianteiro Tiago sai do recinto de jogo. O lateral-direito Pedro Júnior retarda a saída de campo, começando apenas a percorrer o seu caminho após o auxiliar do lado contrário se aperceber da situação e chamar a árbitra. Esta acaba por se dirigir ao seu auxiliar e, após uma troca de palavras, corre para o local das substituições. No entanto, não mostra o amarelo ao jogador do Camarate (seria o segundo) e permite a substituição. O auxiliar volta a chamar Vanessa Gomes que, após segunda conversa, acaba por anular a substituição, expulsando Pedro Júnior. Esta situação fez com que os últimos minutos fossem de alguma contestação dos adeptos do Camarate que aumentaria três minutos depois, quando a árbitra do jogo assinalou uma grande penalidade na área do Águias. Chamado a converter, o guardião do A-dos-Cunhados rematou sobre a barra da baliza de Da Silva. A oportunidade de prolongamento gorava-se. O Águias de Camarate estava de volta à 1ªDivisão da AFL, após duas épocas na 2ª.



Nota final para os largos minutos de espera que a equipa de arbitragem proporcionou às três equipas em campo, já depois do final da partida. Presumo que a explicação esteja no comunicado da AFL que oficializou a marcação do jogo. Referia que, após o final do jogo, se procederia à “entrega da taça e medalhas aos participantes do jogo, pelo que, as três equipas intervenientes não podem recolher aos balneários, perfilando para a referida cerimónia”.



A AFL terá usado a minuta do jogo da Final da 2ªDivisão entre MTBA e Cheleirense, jogado à mesma hora na Ericeira. Aí houve taça de Campeão para o MTBA. No Livramento, houve uma imensa festa verde e branca.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Atlético a caminho da 2ª



A cumprir a nona presença nos Campeonatos Nacionais, o Atlético Sport Clube prepara-se para subir à 2ªDivisão. Campeão da AF Évora na época passada, o clube de Reguengos não garantia a manutenção há mais de 20 anos. Desta vez, o vôo parece ir mais alto.




No Domingo passado, apresentou-se na Costa de Caparica na segunda posição, a última que permite a subida de divisão. O jovem Jorge Vicente (técnico de 29 anos) apresentou um onze composto por Daniel; Pedro Canelas, Roberto, Paulo Sérgio e Barona; César e Monzelo; João Nabor, Queiroz, Ben e Barry. Seis jogadores do onze inicial faziam parte do plantel Campeão Distrital na época passada !


Aos 3 minutos de jogo, um desvio de cabeça à entrada de área fez do capitão César o autor do primeiro golo da partida. A caminho dos 30 anos, compõe a dupla de torres da equipa com o avançado Barry. Cumpre a terceira epoca no clube, vindo do Juventude eborense e é daqueles médios “chatos” que não dão espaços aos adversários e ainda impõem respeito pela estatura física. A seu lado, o experiente Monzelo acompanhou-o a bom nível.


Aos 19’, mão na área do Costa e Ben faz o 2-0. Aos 21 anos, o senegalês descoberto pelo Vendas Novas, é o grande destaque da equipa. Mesmo visivelmente debilitado, foi sempre um jogador rápido e consequente. O primeiro passe errado que registei foi próximo do intervalo. É daqueles jogadores que fazem quase sempre o que deve ser feito, fenómeno escasso, principalmente quando falamos de um jogo da 3ªDivisão Nacional. Depois de se ter mostrado a José Mota, presumo que não esteja muito tempo em Reguengos.

Logo depois do 2-0, o guardião Daniel (27 anos, formado no Boavista, com passagens por Leixões, Arrifanense, Operário dos Açores, Louletano, Paredes e Leça) foi surpreendido pelo remate forte de Dércio, naquele que foi um dos poucos lances de perigo do Costa.

Os visitados ganharam algum ânimo mas não conseguiram pôr em perigo a baliza alentejana. Queiroz, Nabor e Ben continuaram perigosos no serviço a Barry. Oriundo do Beja, Nabor (27 anos) alinhou essencialmente pela esquerda, sendo sempre um quebra-cabeças para Gualter, o capitão do Costa.

Em apoio central ao ponta-de-lança, o pequeno Queiroz (28 anos) demonstrou ser um jogador muito útil, daqueles que coloca sempre o colectivo acima de tudo. Formado no SL Évora, cumpre a primeira época no clube após 8 anos passados no Juventude, com uma breve passagem pelo Real de Massamá, onde foi um bom suplente na Série D da 2ªDivisão em 2005/06.



Logo no início da segunda metade, aos 48’, Barry mostrou a mais-valia da sua estatura na área do Costa e fez o segundo golo. Com 27 anos, vai na terceira época em Reguengos, proveniente do Lusitano. Dez minutos depois repetiu a “graça” e terminou com as já poucas expectativas da equipa da casa. A partir daí, o jogo decorreu em bom ritmo, com o Costa a arriscar o que podia, abrindo espaços para os sempre perigosos contra-ataques do Reguengos.



Ainda assim, o quinto golo só surgiria já nos descontos. O veterano Luís Canhoto precisou apenas de 7 minutos para marcar, num desvio de cabeça. Aos 36 anos, é o jogador mais velho e mais conhecido do plantel. Chegou a fazer parte de plantéis do Campomaiorense, tanto na 2ªdivisão de Honra como no escalão maior, apesar de nunca ter alinhado neste último. Em Setembro de 1998 saíu para o Estoril. Desde então, alinhou por Torreense, Louletano, Atlético, Carregado, Juventude e Lusitano.


No banco está um técnico jovem mas que tem uma equipa bem arrumada, com uma defesa composta por jogadores que cumpriram a sua tarefa na perfeição, sob o comando do central Paulo Sérgio.


Apesar de algum excesso de peso, esteve impecável no papel de último defesa, deixando a Roberto o papel de marcador.


Os laterais Barona e Canelas foram determinados e demonstraram segurança. Se vencerem o Cova da Piedade no próximo Domingo, farão do dia 24 de Maio um dia histórico para o Atlético de Reguengos.

sábado, 16 de maio de 2009

Abrantes - parte 4 - Abrantes FC



A 14 de Dezembro de 1998, após vários anos sem futebol sénior, a sede de concelho viu nascer o Abrantes Futebol Clube (AFC). Há pouco mais de dez anos, quem poderia imaginar o que aconteceria neste período ? Muito provavelmente seriam poucos a prognosticar uma ascensão tão rápida e ainda menos a antecipar uma queda tão súbita.

Comecemos pelo início. A primeira época do novo clube foi de sucesso pleno. Inscrito na 2ªDivisão da AF Santarém, terminou na frente dos seus dez oponentes da Série B e de forma inequívoca. 19 vitórias e apenas um empate nos 20 jogos disputados. Em golos, as contas fecharam com 91 golos marcados e apenas 6 sofridos! Na Fase de apuramento de Campeão, defrontou os vencedores das duas outras séries (Muge e Caxarias). O domínio continuou. A 14 de Maio de 2000, uma vitória em Muge, onde um empate seria suficiente, garante o título de Campeão da 2ªDivisão da AF Santarém.



Treinado por Rui Morais (técnico que orientara o U.Santarém), o AFC alinhou com Rui Forte; Nuno Felício, Pedro Lourenço, Marchão e Filipe Rodrigues; Costa, Gonçalo Francisco e João Santos; Apura, Pimenta e Santana.

Na estreia no escalão maior do futebol ribatejano, manteve Rui Morais no comando técnico e contratou um brasileiro com experiência de 1ªDivisão Nacional, Mazo. O objectivo passava por nova subida. Março começava com as expectativas goradas, pelo que Luís Pereira, técnico dos Juniores, substituiu Rui Morais. Ex-jogador do Sp.Abrantes, Alferrarede, Eléctrico Ponte de Sôr, Tramagal e Pego, o técnico de 35 anos terminaria a época no 3º posto, atrás de Riachense e Rio Maior.

Em 2001/02, o Abrantes FC contrata o técnico Mário Ruas (treinara clubes como o Torres Novas, U.Tomar e Riachense). O primeiro técnico com experiência nos campeonatos nacionais não ficaria até ao final da época, sendo rendido pelo actual técnico do Loures (José Vasques) em Novembro. Não conseguiria melhor do que repetir o 3º posto da época anterior, atrás de Rio Maior e Amiense. No entanto, José Vasques manter-se-ia no comando técnico nas duas épocas seguintes, conseguindo duas subidas consecutivas, levando o clube à 2ªDivisão B. A época de estreia nos Nacionais marcou também a estreia na Taça de Portugal, prova em que, durante 5 épocas, viria a defrontar clubes como o Alverca, o Boavista e o Paços de Ferreira.

sábado, 18 de abril de 2009

Abrantes - parte 3 - Tramagal SU (pós 25 de Abril)

A primeira época pós-25 de Abril é jogada na 3ªDivisão. Mas o clube não conseguiu assegurar uma equipa que desse garantias, terminando a época com dois pontos em 36 jogos, fruto de uma vitória e 35 derrotas! O Campo Comendador Duarte Ferreira deixava de ser palco de jogos dos Nacionais, excepto nas duas presenças na Taça de Portugal, fruto de conquistas na Taça do Ribatejo, quando esta prova dava acesso à que é considerada a prova raínha do futebol português.

Afectado pela perda de influência da MDF, as últimas épocas da década de 70 ainda contam com o Tramagal SU (TSU) nos primeiros lugares da 1ªDivisão da AF Santarém (AFS), próximo dos lugares de subida aos Nacionais. A década de 80, marcada pela crise económica, greves, manifestações e fome, já apresenta o clube com dificuldades em manter-se no escalão principal do futebol ribatejano. O décimo quarto posto de 83/84 e o décimo segundo de 85/86 foram os primeiros indícios.

A época 1992/93 seria a época de nova descida de divisão. O clube que chegara a discutir posições de acesso à 1ªDivisão Nacional, passaria a época seguinte a disputar a Série A da 2ªDivisão da AFS, defrontando os clubes vizinhos da Bemposta, Mouriscas, entre outros. Ainda assim, conseguem o regresso à 1ªDivisão Distrital à primeira tentativa.

A MDF é extinta formalmente em 1995. Coincidência ou não, a melhor época dos últimos 20 anos é precisamente a de 95/96, em que o TSU termina o Campeonato em 3º lugar, a 9 pontos do Campeão (e promovido) Fazendense. Data desta época a última participação na Taça de Portugal, caíndo aos pés do Alcains (então a disputar a 2ªDivisão B) por 0-2.

Nas quatro épocas seguintes, consegue dois quintos, um sétimo e um oitavo posto, voltando a descer de divisão em 2000/01. Volta a subir à primeira tentativa mas as épocas em que disputava a subida aos Nacionais estavam já longe.

O TSU do Século XXI começa por ser um clube a disputar a manutenção na 1ªDivisão da AFS, conseguindo-o com classificações entre o nono e o décimo quinto posto. A época 2006/07 apurava os clubes que estreariam a Divisão de Honra da AFS. Os 13 reforços do TSU não evitaram o décimo posto na 1ªFase, levando o clube a disputar um lugar no escalão secundário. Acabaria por não evitar a descida ao terceiro escalão distrital, a 2ªDivisão da AFS. Na época passada terminou em penúltimo lugar na sua Série. Esta época está prestes a terminar de forma muito semelhante.

Nas últimas épocas, o plantel do TSU tem sido composto, na sua maioria, por atletas da região.
No empate desta época conquistado na Golegã, o onze inicial foi o seguinte: Carlos Branco (GR)(30 anos)(ex-Alferrarede); Paulo Martins, Daniel (27), Nuno Cantarinho (30)(Jogou no Ulme) e Luís Correia (32); Bruno China (27), Márcio, Filipe (26) e Cláudio (21); Bruno Rosa (19) e
Luís António (36).

Resumo de participações em provas Nacionais:


2ªDivisão - 8 edições:

212J 55V 53E 104D 229GM 396GS 163PTS
25,9%V 25,0%E 49,1%D 1,1GM/J 1,9GS/J 0,8PTS/J

3ªDivisão - 11 edições:

162J 67V 25E 70D 272GM 292GS 159PTS
41,4%V 15,4%E 43,2%D 1,7GM/J 1,8GS/J 1,0PTS/J

Taça de Portugal - 10 edições:

16J 5V 1E 10D 19GM 24GS
31,3%V 6,3%E 62,5%D 1,2GM/J 1,5GS/J

TOTAIS:

390J 127V 79E 184D 520GM 712GS

32,6%V 20,3%E 47,2%D 1,3GM/J 1,8GS/J

domingo, 12 de abril de 2009

Abrantes - parte 2 - Tramagal SU (até 1974)


Vila desde 1986, a história do Tramagal confunde-se com a Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF). Fundada por um homem da terra, Eduardo Duarte Ferreira (1856-1948), foi durante décadas a maior empregadora do Tramagal e arredores. A actividade da MDF estava tão presente na vida do Tramagal que chegou mesmo a ter um sistema de Segurança Social próprio, criado em 1927. Nascido também no seio da metalúrgica, o Tramagal Sport União (TSU) havia sido fundado uns anos antes, a 1 de Maio de 1922.


Desportivamente, a primeira participação Nacional data de 1939/40. Na sua Série da antiga 2ªDivisão, o TSU não venceu nenhum dos dez jogos disputados, empatando apenas dois. Marcou 9 golos e sofreu 45. Com o desaparecimento do fundador, a MDF continuou próspera. O clube que ainda hoje ostenta a o símbolo da MDF no seu emblema (uma borboleta), ainda passou por alguns anos pela 2ªDivisão da AF Santarém, onde se sagrou Campeão em 1951/52. A partir de então, iniciou aquele que viria a ser o período de maior sucesso da História do Clube.

As competições nacionais tinham agora uma novidade chamada 3ªDivisão Nacional e o TSU marcou presença nas edições de 1954/55 e 1958/59, com performances melhores do que na estreia na 2ª. Vence o Regional da AF Santarém em 1959/60 e 1960/61, garantindo mais duas presenças na 3ªDivisão Nacional, apurando-se para a 2ªFase, pela primeira vez, em 1960/61.

O início da Guerra Colonial faz da MDF o produtor dos Unimog e Berliet, os veículos militares mais utilizados durante a Guerra. Nos anos 60, a metalúrgica produzia 4000 toneladas de peças de aço por ano e o TSU foi solidificando o seu estatuto no Futebol Nacional.

Entre 1962 e 1967 vence 5 títulos distritais e consolida a sua posição na 3ªDivisão Nacional, onde volta a atingir a 2ªFase em 1963/64. Nessa época, o SU Sintrense impediu o TSU de atingir as Meias-Finais e a subida à 2ªDivisão Nacional.

Três épocas depois, finalmente a subida. Numa época em que venceu doze dos catorze jogos que disputou nos Nacionais, só o FC Vizela impediu o TSU de se sagrar Campeão Nacional, numa Final disputada em Aveiro. Jogava-se a época 1966/67 e os vizelenses venceram por 5-3. Antes disso, o TSU havia derrotado a UD Leiria e o GD Sesimbra.

A época 1967/68 marca a estreia no Nacional da 2ªDivisão e também na Taça de Portugal. Na 2ªDivisão, obteve um de dois 5ºs lugares (em 14 participantes). Terminou a onze pontos do UFCI Tomar que subiria ao escalão principal. Era a primeira de sete épocas consecutivas na 2ªDivisão Nacional. Na Taça, um duplo confronto com o já conhecido SU Sintrense ditaria a eliminação na primeira eliminatória.

Em 1968/69 quedou-se pelo nono lugar em catorze equipas, sendo eliminado da Taça de Portugal pelo SC Olhanense, após ter derrotado o D. Castelo Branco e a Ass. Naval 1ºMaio. Seria a melhor participação do clube na Taça de Portugal.

A época de 1969/70 viu a posição do clube na 2ªDivisão ameaçada, tendo garantido a permanência apenas na última ronda. Treinado por Emídio Graça (irmão do magriço Jaime Graça), o Tramagal recebia o promovido Farense e precisava de uma vitória que até podia não ser suficiente. Alinhou com Bonito na baliza, Mateus, Rui, Armando I e Armando II na defesa, Mendes e Baptista no meio e um quarteto ofensivo composto por Capeto, Ferreira Pinto, Pedra e Cunha. O golo da salvação surgiu a apenas 3 minutos do fim e Mendes foi o seu autor. A UD Santarém perdera frente ao C Oriental Lisboa e o TSU terminava o campeonato em 12º lugar, num total de 14 participantes.

Na Taça, uma goleada do C Oriental Lisboa (5-1) colocou o TSU fora de prova logo à primeira. Em 1970/71 repete o 5º lugar de 1967/68 mas atinge a melhor percentagem de vitórias do clube na 2ªDivisão, vencendo 10 dos 26 jogos disputados. Na Taça, o GD Sesimbra desforrou-se da elminação sofrida em 1966/67, quando ambos disputavam a subida à 2ªDivisão. A desforra foi reforçada na época seguinte. Após eliminar concludentemente os vizinhos do CDR Alferrarede (4-0), o TSU foi goleado pelo GD Sesimbra (0-5). No Campeonato, nova época aflitiva, tendo terminado em 11º num conjunto de 16 clubes.

Em 1972/73, terminariam em 14º (em 16), sendo salvos da descida de divisão por um alargamento. Na Taça, novo reencontro com o SU Sintrense e nova vitória dos de Sintra. 1973/74 termina depois de Abril. O declínio estava à espreita. Foi uma época desastrosa. O TSU ficou em último lugar na Zona Sul, vigésimo em vinte equipas. O onze mais utilizado naquela que seria a derradeira participação do Tramagal SU na 2ªDivisão alinhava da seguinte forma:

Félix; Bexiga, Cardoso, Cunha e Casaca (ex-V.Setúbal); António Henriques, Vicente e Jarbas (ex-Ferroviário, Brasil); Pedra, Aníbal (ex-Torres Novas) e Marito (ex-U.Tomar)

Pedra foi o melhor marcador de uma equipa que fez apenas 31 golos em 38 jogos, tendo sofrido 112!

Para a Taça de Portugal, foi derrotado pelo CF Esperança de Lagos, após ter eliminado o SC Pombal. Os adversários jogavam a 3ªDivisão Nacional, escalão que estava prometido ao Tramagal para a época seguinte, a pior de todas as que disputou nos Campeonatos Nacionais.

domingo, 5 de abril de 2009

Alfarim candidata-se


O Alfarim (3º) recebia o Sesimbra (1º) com os ouvidos em Alcochete, onde a equipa da casa (2º) recebia o Olímpico do Montijo. Uma vitória dos da casa colocá-los-ía apenas a dois pontos dos vizinhos do Sesimbra, pelo que o derby concelhio teve uma assistência pouco comum em jogos dos campeonatos distritais.



O Alfarim começou o jogo a vencer, quando aos 2 minutos de jogo, Ricardo Rocha (ex-U.S.Cacém e Sesimbra) desviou um livre marcado pelo esquerdino Chico Zé (ex-Amora e Fabril). Ao nono minuto de jogo, os visitantes igualaram pelo veterano Calila (37 anos), antigo avançado de, entre outros, Académica, Belenenses e Felgueiras.

O jogo ainda não tivera oportundades de golo mas o marcador já registava dois. Aos 21 minutos, João Pinhal cabeceou por cima, naquela que foi a única oportunidade do Sesimbra ficar na frente do marcador. A partir daí, o Alfarim foi sempre a equipa mais forte, a que melhor trocava a bola e que mais mostras dava de querer vencer a partida.

27 minutos de jogo – numa bola colocada nas costas da defesa do Sesimbra, Steve faz um chapéu ao guardião Paulo Silva e consegue o 2-1. Até ao intervalo, o Sesimbra procurou o empate mas os da casa pareceram ter sempre o jogo controlado.

Aos 51 minutos, Chico Zé falha um alívio na área e oferece o golo a João Pinhal. Sem que tivesse feito muito por isso, o líder empatava a partida. Mas, mais uma vez, o Alfarim respondeu muitíssimo bem ao golo sesimbrense. Aos 62 minutos de jogo, na sequência de um cruzamento de Yoruba (ex-Seixal e Arrentela), Estrela (ex-Fabril, Montijo, Zambujalense e Sesimbra) cabeceia para o fundo das redes da baliza de Paulo Siva. Estava feito o resultado final (3-2) mas muito havia ainda para acontecer.

73’ – Num lance em que sofre um toque na área do Sesimbra, João Oliveira Pinto (37 anos)(Formado no Sporting, jogou no Atlético, V.Guimarães, Estoril, Gil Vicente, Braga, Farense, Marítimo, Académica, Imortal, Amora e Sesimbra. Campeão do Mundo de Sub-20 em Lisboa 1991) demora a caír, fazendo com que o árbitro lhe mostrasse o segundo cartão amarelo.

O médio que pautava todo o jogo de ataque dos da casa, sempre bem acompanhado por Steve e Estrela, deixava a equipa com apenas dez jogadores, a cerca de 20 minutos do fim. Pior ficaram os da casa com uma entrada duríssima de Ricardo Rocha sobre o seu antigo companheiro João Mata, e que valeu a expulsão do defesa do Alfarim.
Faltavam cerca de quinze minutos e o Sesimbra defrontava um aguerrido Alfarim com apenas 9 jogadores. A abnegação dos nove foi imensa e David , o guardião da casa, teve apenas uma intervenção de destaque, garantindo os 3 pontos.

Aqui fica o onze apresentado pelo técnico Luís Freixo:

David; Ricardo Rocha, Tiago, Bruno Gonçalves e Chico Zé; Pedro Eugénio, Luís Carlos e João Oliveira Pinto; Steve, Yoruba e Estrela

Com este resultado e a vitória do Alcochetense sobre o Olímpico, a classificação ficou desta forma:

1º Alcochetense 58
2º Sesimbra 57
3º Alfarim 55

Nas quatro jornadas que faltam disputar, o Alcochetense vai à Trafaria, recebe o Monte da Caparica, desloca-se a Santiago do Cacém e termina em casa, defrontando o Zambujalense. O Sesimbra vai receber o U.Santiago do Cacém, vai a Setúbal defrontar o Comércio e Indústria, depois defronta os vizinhos do Zambujalense no campo deste e termina com a recepção ao Amora. Quanto ao surpreendente Alfarim, tem uma deslocação ao campo do Comércio e Indústria, recebe o Amora, vai a Palmela e termina a receber o Grandolense. Teoricamente, o calendário parece jogar a favor do Alcochetense. Veremos até onde chegará o Alfarim, nesta que é a melhor época da História do clube fundado em 1976.