quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cinfães apura-se

O primeiro confronto do Real SC com uma equipa filiada na AF Viseu foi disputado no Domingo. O adversário foi o CD Cinfães, clube que disputa a 2ªDivisão e que tem um historial semelhante ao do Real. O Cinfães disputa pela 13ª vez um campeonato nacional, enquanto que o Real vai na 14ª participação. Ainda assim, o Cinfães disputa pela segunda vez a 2ªDivisão, prova em que o Real já participou durante seis temporadas. No que toca à Taça de Portugal, a prestação cinfanense é bem mais positiva. O jogo de domingo foi o 41º do Cinfães mas apenas o 26º do Real. A fase mais adiantada disputada pelo Real foi a 4ªEliminatória em duas ocasiões - 2004/05 e 2007/08. Em 2004/05, eliminou o Câmara de Lobos, o Santiago e o Torreense, antes de ser eliminado pelo Marítimo. Três épocas mais tarde, eliminou o Igreja Nova e o Cacém antes de cair frente ao Aves. Quanto ao Cinfães, já disputou os Oitavos-de-Final por duas vezes. A primeira foi em 1982/83. Após eliminar Mirense, Lusitano Vildemoinhos, Penalva do Castelo e Riopele, falhou o acesso aos últimos oito para o Valdevez. Mais recente é a segunda proeza cinfanense na Taça. Em 2008/09, eliminou Ribeira Brava, Paredes e Fátima, antes de cair frente ao FC Porto por 1-4.

Mas como a História não ganha jogos, a eliminatória que juntou Real e Cinfães estava em aberto. A equipa da casa apresentou uma equipa ainda mais jovem que a da época passada, com uma média de 20,6 anos. No onze inicial surgiram quatro caras novas. Na lateral esquerda alinhou Rui Loures (ex-Sintrense), o mais "velho" do plantel aos 25 anos! No miolo, as novidades foram a presença do ex-júnior belenense Bernardo e, nas alas, dos regressados Tino (terminou a época passada precisamente no Cinfães) e Coelho (ex-Ribeirão que entretanto já saíu para o Trofense). A continuidade foi assegurada pelo guardião João Ascenso, pelos defesas David Rosa (novo capitão), Jibril e Araújo, pelos médios Paulinho e Ladeiras e o avançado Caramelo.

Nos visitantes, para além de virem de uma época em que conseguiram a manutenção na Segunda Divisão, ainda se reforçaram com jogadores com experiência de Liga de Honra, como Eduardo, Hélio e Vítor Silva, para além de Trigueira, guardião com passagem pela liga principal ao serviço do Rio Ave.


Para quem esperava um jogo desequilibrado em favor dos visitantes, o jogo foi surpreendentemente equilibrado e acabou por ser decidido num lance em que João Ascenso foi extremamente infeliz, sofrendo um golo de canto directo mesmo em cima do intervalo. Aos 56', Tino está muito perto do empate mas falha. A primeira meia hora do segundo tempo mostrou a equipa do Real em busca do empate mas sem criar grande perigo, excepção feita ao lance referido. O último quarto de hora foi já muito aberto com lances de perigo nas duas áreas mas sem que as redes voltassem a ser violadas.

O Real fica arredado da Taça de Portugal mas deixou perspectivas interessantes para a época que disputará na Série E da 3ªDivisão. O Cinfães segue em frente mas terá de mostrar mais durante a época na 2ªDivisão.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Passos e o Melga

A posição de lateral-esquerdo na equipa de futebol do Benfica foi muito discutida durante a época passada e continua a sê-lo esta época. A famosa teimosia de Jorge Jesus manteve Emerson durante uma época inteira. A manter-se, o mesmo sucederá agora com Melgarejo. Jovem atacante com provas dadas na época que passou em Paços de Ferreira, o paraguaio apresenta naturais dificuldades defensivas. Habita espaços ainda desconhcidos. Os golos do Braga são prova disso. Neste contexto, faz sentido lembrar algumas adaptações a lateral, verificadas na última década. Paulo Ferreira, Miguel e Fábio Coentrão não mostraram, nas primeiras partidas como laterais, capacidade para alinhar no Chelsea, Valencia ou Real Madrid. Não estou a dizer que é seguro que Melga se torne um grande lateral. Mas é mais seguro confiar em Jesus com o seu histórico de criação de laterais do que no discurso de Passos no Pontal a antecipar o fim da crise. Se Jesus se enganar, perde o Benfica. Mas os enganos de Passos custam-nos a todos.

sábado, 11 de agosto de 2012

O regresso da Honra


A Oliveirense venceu o Sporting B no jogo de estreia da 23ª edição da Liga de Honra. Decisivo foi Barry, avançado que apenas se estreou na Liga de Honra na última época, ao serviço do Atlético, que fez o primeiro golo da edição 2012/13 da prova. Fê-lo perante o Sporting B, equipa que alinhou com nove estreantes na prova. Apenas Vítor Golas e Zezinho já têm experiência de Liga de Honra. Até hoje, mais de 4200 jogadores alinharam nas 22 edições iniciais da Liga de Honra. Aqui fica o TOP 5 dos totais de jogos, golos, amarelos, expulsões e auto-golos.

JOGOS                                
SÉRGIO NUNES                       333
EMANUEL                                323
MESQUITA                              322
ARMANDO                               317
ROCHA                                    296

GOLOS                                 J       G
ARTUR JORGE                        294    88
MARCÃO                                 149    82
PAULO VIDA                           177    81
RUI MIGUEL                            224    67
NUNO SOUSA                         245    66
BOCK                                      194    66

AMARELOS                        J       A
SÉRGIO NUNES                       333    113
DUCA                                      269    98
MESQUITA                              322    78
QUIM COSTA                          223    77
TELMO                                    203    73

EXPULSÕES                      J       E
DUCA                                      269    16
ADALBERTO                           190    13
NUNO MENDES                       141    12
KASONGO                               211    11
SÉRGIO NUNES                       333    10
FERNANDO AGUIAR                195    10

AUTO-GOLOS                    J       AG
ARMANDO                               317    6
ALEXANDRE                            242    4
ELÍSIO                                    73      3
25 jogadores marcaram dois golos na baliza errada            

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Como vi o Euro

Há oito anos atrás, a selecção grega comandada por um alemão, derrotava a selecção portuguesa na final do Euro 2004. Há uma semana, a equipa da Espanha eliminava Portugal, apurando-se para uma final que viria a vencer por 4-0.

Em 2000, foi a França a bater-nos através do golo de ouro. A mão de Abel Xavier demorou anos a ser vista em Portugal. Não por qualquer atraso na transmissão televisiva mas por uma espécie de cegueira colectiva, misturada com um sentimento de inferioridade que garante que, o mesmo lance, na área contrária, teria tido outro juízo.

Desta vez, não havendo registo de lances discutíveis ou afins, o discurso oficial foi noutro sentido. Anteontem, José Rodrigues dos Santos passou a emissão em directo para a celebração do título europeu em Madrid. Quantas televisões terão feito o mesmo ? No início e no fim dessa peca noticiosa, chamemos-lhe assim, o jornalista do canal público repetiu algo como "Portugal foi a única equipa que não perdeu nem foi dominada pela Espanha".

Talvez demore alguns anos até que se recorde este Euro com outros olhos, mas aqui fica um pequeno contributo para acelerar o processo.

1. Paulo Bento comandou uma Selecção que ultrapassou todas as expectativas;

2. Na meia-final, Portugal manietou o jogo da Espanha, ao ponto de forçar Del Bosque a apostar nos extremos;

3. Iker Casillas fez apenas uma defesa frente a Portugal e isso aconteceu perante Moutinho, no fatídico desempate;

4. Na Final, Casillas foi obrigado a salvar a Espanha em três ocasiões, para além do cabeceamento de Di Natale, a abrir a segunda parte, constituir uma chance de golo mais flagrante que qualquer lance criado por Portugal na meia-final;

5. O facto de Portugal ter ficado perto de eliminar a Espanha e atingir uma Final que poderia ganhar, deveria ser suficiente. Não é preciso construir uma "realidade" ficcionada que compara os resultados da Espanha frente a Portugal e à Itália.

No final da meia-final, viu-se Cristiano Ronaldo dizer "injustiça". Por mais que nos custe, não foi assim.

domingo, 1 de julho de 2012

Espanha-Itália (-2 horas)

1. Na Quarta-Feira passada, a selecção portuguesa só obrigou Casillas a uma defesa e esta ocorreu no desempate da marca de grande penalidade. À final chegam duas equipas que têm alinhado sempre com onze jogadores. Quando Portugal voltar a jogar sempre com onze, talvez consiga títulos.

2. Na Final de hoje, far-se-á história. A vitória da Espanha fará de la roja a primeira equipa a revalidar o título europeu. Uma vitória azzurri fará da Itália campeã pela terceira vez após escândalos internos. Já aconteceu em 1982 e em 2006. Estes factores jogam com variáveis motivacionais que podem ser determinantes.

3. Esta Itália pode fazer à Espanha aquilo que a selecção nacional fez na meia-final, em grande parte do jogo. Impedir que a Espanha faça o jogo que costuma fazer, perturbando a posse de bola constante. Se o fizer, talvez consiga surpreender.

4. Neste aspecto, será interessante ver o papel que Pilro terá quando a Itália recuperar a bola no miolo. Xabi Alonso terá um papel fundamental na tentativa de anular Pilro.

5. Buffon (34 anos) e Casillas (31), ambos já campeões do mundo, são os dois melhores guarda-redes do mundo desde há vários anos. As suas defesas impossíveis são, muitas vezes, decisivas.

6. Balotelli prometeu marcar quatro golos na Final após ter bisado na meia-final. Se o fizesse, subiria ao altar dos deuses do Futebol aos 21 anos. Mas basta ser determinante na Final como o foi contra a Alemanha, para ganhar um lugar entre os maiores e uma respeitabilidade que aspectos extra-futebol têm impedido.

7. Pedro Proença será o árbitro da Final. Já tinha apitado (e bem) a Final da Liga dos Campeões. Estas nomeações são meritórias mas não escondem os problemas que atingem a arbitragem em Portugal e tudo aquilo que a envolve.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Portugal-Espanha (-1 hora)

A pouco mais de uma hora de uma tórrida meia-final entre Portugal e Espanha, antecipemos o dia de amanhã. Rajoy prepara-se para aumentar o IVA de vários produtos e serviços de 8% para 18% mas só se fala de La roja. Bom, não será bem assim. Mesmo por cá, nem mesmo a boa prestação da Selecção impediu as vaias ao Presidente Aníbal até em pleno Cavaquistão. A dupla Passos Coelho-Gaspar vai dizendo que não são necessárias mais medidas de austeridade mas relembram que o memorando (essa Bíblia Sagrada dos tempos modernos) prevê quaisquer medidas necessárias ao cumprimento do memorando. É uma curiosa adaptação do “by all means necessary”. Se a selecção portuguesa vencer hoje, amanhã ou sexta-feira seriam dias excelentes para anunciar mais medidas de aperto de cinto. Isto porque esperar por Domingo pode ser contra-producente. Uma eventual derrota na Final, seguida de mais apertos é que não seria boa ideia. Nem mesmo o “bom povo português” aguentaria. Seria ?

Do lado de lá da fronteira, há várias comunidades em que o impacto do Euro-2012 é, no mínimo, relativa. Mesmo sem zonas públicas para assistir ao Espanha-França dos Quartos-de-Final, a audiência do jogo no País Basco foi de 63,2% e, na Catalunha, de 67,1%. Se estes números até parecem impressionar, que dizer dos 84,4% de Madrid, cidade em que mais de 40.000 puderam assistir à partir em la Castellana.

É claro que os nossos vizinhos, com particular ênfase para algumas regiões, já têm mais o que fazer/preocupar do que o Euro-2012. Nessa perspectiva, uma derrota da Espanha não teria grande impacto nas mobilizações que se vão sentindo aqui e ali. Mas como a passividade portuguesa é bem mais presente do que a dos nossos vizinhos, este é mais um motivo para desejar a vitória portuguesa daqui a pouco. Não porque isso deixaria a dupla Passos Coelho-Gaspar ainda mais à vontade para fazer de nós o que bem querem. Pelo contrário, porque ao contrário do que diz o ditado, acredito que, de Espanha, podem vir bons ventos. Ventos de resistência numa altura em que resistir é tão necessário, mesmo enquanto se vê futebol.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Notas de Bilbau 3

1. Se os dois primeiros dias em Barcelona me permitiram ver o que previra, o mesmo seria de esperar de uma cidade bem mais pequena, como é Bilbao. Assim, o único destino obrigatório era a Catedral de San Mamés, a casa do Athletic. Já lá passara no sábado mas a ideia era ir à Loja e, principalmente, ao Museu.

2. Ao entrar na loja, arrisquei mais um pouco de euskera, com um "Egunon". A reacção foi positiva pelo que o "Bom Dia" saíu bem. A careca precisava de um boné desde o primeiro dia mas mais vale tarde do que nunca.

3. Para minha tristeza, o Museoa fecha às segundas... Mas mesmo em frente ao estádio, descobri uma loja dedicada a aspectos ligados ao futebol, incluindo colecções impressionantes de pins de origens tão diversas como o Peru, a Albania ou a Namibia!

4. Quando a senhora da loja percebeu que era português, pediu-me desculpa para dizer que não gosta de Cristiano Ronaldo. Frisou que não se referia ao jogador mas ao homem. Pois é... Despedi-me com um "eskerrik asko" que serviu de agradecimento.

5. Numa livraria em liquidação total por mudança de instalações, comprei dois livros sobre a história do Athletic. Neles se recorda algo que ontem ignorei com o entusiasmo italiano. O Athletic tem fortes ligações inglesas. Um famoso adepto do clube chegou mesmo a sugerir, há uns anos, a inscrição da equipa B na liga inglesa!

6. Concluído o lado futebolístico da viagem, ainda houve tempo para aproveitar o passe diário do Metro de Bilbao. Rumo a Plentzia, zona de praia a várias dezenas de quilómetros.

7. No supermercado, ao pedir um saco, sou desmascarado, de nada valendo o boné do Athletic. "Saco? Português? O meu marido é português, de Braganca. Vamos jogar na quarta. Espero ganhar. Senão as minhas cunhadas dão-me cabo da cabeça".

8. Os dois cartões de memória estão a dar as últimas. Ainda não são quatro da tarde e só tenho espaço para 49 fotos!

9. Esta cidade cercada por montanhas poderia provocar uma sensação de claustrofobia mas, ao contrário, transmite conforto.

10. Ainda não tinha feito alusão ao café. Já é muito bom face ao que acontecia por terras vizinhas há uns atrás mas é caro. O café mais barato que bebi ficou em 1,10€.

11. Decidi terminar a viagem com uma visita à Estação Central de Caminhos de Ferro. Jantar cedo também estaava decidido e foi ali mesmo numa casa de sandes que nos perseguem por todo o lado. Na mesa do lado, quatro locais de meia idade debatiam a situação da Segurança Social e do papel dos Bancos nesta crise. A Mãe de uma das senhoras vai reformar-se em breve passando a receber uma pensão de 200€ mensais. Vivemos tempos desafiantes...

12. À saída de Arando, vejo uma camisola 10 de Portugal no tronco de um jovem imigrante. Provocação ao país de acolhimento?

13. Na última caminhada até ao Hotel, optei por um caminho diferente. Assim, foi o acaso que me deu a conhecer a Gorte Kalea, rua em que se misturam muitas proveniências e profissões e, entre estas, o sexo.
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