quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notas de Barcelona I

Agora já percebo porque é a quarta cidade mais visitada da Europa, depois de Paris, Londres e Roma. E só cheguei hoje!

16h45 locais - finalmente no metro a caminho de Montjuic. A residência dos Salesianos é tal e qual lera na net. O quarto é minúsculo mas o preço também. O espaço é espectacular e justifica um passeio pelos jardins. Na Linha 3, entre Montbau e Paral-lel, são onze estações. Depois é o funicular até lá acima.

Imaginem um Estádio Olímpico na Serra de Sintra com vista total sobre Lisboa. Montjuic é mais ou menos isso face a Barcelona. Até o colorido dos fans de Madonna se enquadram enquanto aguardam pelo concerto desta noite.

As famosas Ramblas são interessantes pelo enquadramento das árvores e pelo movimento imenso. Ía em busca do suposto café do POUM no 128. Só que...

A Norte, do lado direito como é da praxe, o ultimo número par é o... 126!

Só parei para comer junto à Praça da Catalunha, junto à Loja do Barça. Depois, foi descer até à zona do porto onde vi a maior das (poucas) bandeiras espanholas que vi. Ironicamente enquadrada por uma grua. O Estado Espanhol está em crise mas aqui não parece.

Antes disso, a fachada da Catedral é belíssima. De regresso a "casa", outra ironia de que já lera mas esquecera. A tv do metro de Barcelona chama-se MouTV!

Ultima ironia do dia. Que os Irmãos Salesianos me desculpem, mas apesar de me ter esquecido
de comprar água, comprei um livro sobre a II República espanhola. BlogBooster-The most productive way for mobile blogging. BlogBooster is a multi-service blog editor for iPhone, Android, WebOs and your desktop

domingo, 17 de junho de 2012

Portugal-Holanda (-2 horas)

1. É frequente uma equipa vencer um jogo através do desempenho do seu melhor jogador. Se o jogo for marcado pelo equilíbrio, esse factor é ainda mais relevante. O jogador que desata o nó de uma partida é, muitas vezes, o melhor jogador da equipa. Quarta-feira, frente à Dinamarca, Cristiano Ronaldo voltou a não fazer jus à sua auto-proclamada condição de "melhor do mundo". Nem sou dos que criticam a vertente defensiva. A esse nível, o processo defensivo do Real Madrid de Mourinho precisa menos de CR7 do que o Portugal de Paulo Bento. Mas ver um Cristiano Ronaldo sem confiança e alegria é outra história.

Há quem insista em dizer que falta a qualidade da companhia que tem no Real. O argumento parece-me não colher. Em primeiro lugar, a selecção até conta com  outros dois colegas de Ronaldo no Real. Quanto aos restantes oito, não são jogadores de segunda qualidade. Mesmo que assim fosse, lembremos os exemplos de Ibrahimovic ou Shevchenko, para citar apenas dois exemplos presentes neste Europeu. Mesmo numa equipa de menor qualidade, o "melhor" dá nas vistas pela positiva. A resposta estará a outro nível, portanto. O slogan diz "Onze por todos, todos por onze". No entanto, parece-me que Cristiano Ronaldo sente que o slogan é "um por dez milhões e dez milhões por um". A culpa é de Messi.

Se não existisse Messi, Cristiano Ronaldo seria, indiscutivelmente, o melhor jogador de futebol da actualidade. Nesse caso, o seu objectivo de ser "o melhor" estaria cumprido e poderia, com toda a "tranquilidade", exibir-se sem pressões auto-impostas.

2. Dentro de pouco mais de quatro horas já se saberá se a Selecção volta para casa ou defronta checos ou gregos nos Quartos-de-Final. Se não houver surpresas de maior, os Quartos-de-Final terão um Rep.Checa-Portugal e um Grécia-Alemanha. E aí aposto que a Grécia vai mandar os alemães para fora do Euro. A ironia no seu melhor.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Portugal-Dinamarca (- 2 horas)

A vitória da Alemanha sobre Portugal no sábado passado é uma metáfora das diferenças entre os dois países.
"Os alemães trabalham mais do que os portugueses". É o que se diz na cruzada que decorre e que pretende colocar europeus do norte (disciplinados e trabalhadores) contra europeus do Sul (desgovernados e preguicosos). Como sempre, a verdade é bem mais complexa.

Um trabalhador português trabalha, em média, mais horas que um trabalhador alemão. É um facto. Um trabalhador português produz, em média, menos que um trabalhador alemão. É outro facto. Fazer pastéis de nata, não obstante o Álvaro, tem menos valor que montar um BMW ou mesmo um Volkswagen. Outro facto.

Historicamente, uma equipa alemã de futebol precisa de menos oportunidades de golo para concretizar. Habituámo-nos a ver as equipas portuguesas no extremo oposto. Dito de outra forma, os jogadores portugueses, quando têm pela frente equipas alemãs, têm de trabalhar mais mas isso pode não ser suficiente. Tudo isto significa que, tal como na economia, é a eficácia que tem de melhorar.

A finalização é um aspecto do jogo tão relevante como o passe ou o corte. Quando um remate à baliza vai para a bancada, está ao nível de uma defesa atrapalhada de um guarda-redes. Se o avançado estiver na pequena área, o falhanço passa a estar ao nível de um frango. Os remates não servem como critério de desempate. Nesse sentido, faz muito mais sentido manter a posse de bola do que rematá-la em posição desfavorável ou mesmo em desespero de causa.

Daqui a pouco, frente a dinamarqueses que constituem uma equipa de jogadores humildes e batalhadores, em que o espítimo amador ainda está bem vivo, este pode ser um factor decisivo.´

Já agora, se tivesse de apostar, diria que alemães e holandeses não chegam aos 1/4 de Final.

sábado, 9 de junho de 2012

Portugal-Alemanha (-2 horas)

Muito se tem escrito sobre as duas selecções. A maior parte dos jogadores alemães são mais novos que Cristiano Ronaldo, lia-se hoje. Talvez convenha ver um pouco mais longe. Tendo como base de análise as cinco fases finais de Europeus e Mundiais desde 2004 (inclusive), chegamos a números bem mais relevantes.

Há uma ligeira vantagem alemã na média de participações nas cinco fases finais por jogador convocado para o Euro 2012 - 2,26 para cada um dos 23 alemães e 2,22 para cada um dos portugueses.

Bem diferente é a lista dos mais experientes em fases finais. Vejamos.

Portugal apresenta apenas um totalista - Cristiano Ronaldo. Com presença em 4 Fases Finais, temos apenas Hélder Postiga. Com três presenças, há vários - Bruno Alves, Hugo Almeida, Miguel Veloso, Pepe, Raúl Meireles e Ricardo Costa. Na Alemanha, as coisas são bem diferentes. Totalistas são quatro - Bastian SCHWEINSTEIGER, Lukas PODOLSKI, Miroslav KLOSE e Philipp LAHM. Com quatro temos o central Per MERTESACKER e com três o avançado Mario GÓMEZ.

Daqui se conclui que o onze base alemão é bem mais experiente nestas andanças. Não só tem mais jogadores totalistas como os portugueses com três presenças são (ou foram), fundamentalmente, suplentes.

Nesta perspectiva, os números não jogam a favor de Portugal. Mas Portugal nunca foi eliminado na fase de grupos de um Europeu. Por outro lado, quando ficou agrupada com Portugal, a Alemanha deu-se mal. Isso aconteceu em 1984 e em 2000. Vejamos como será em 2012.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Taça foi para Vila Franca

3/6/2012
TAÇA da AF Lisboa (FINAL)
UD VILAFRANQUENSE-SC LINDA-A-VELHA 2-1
Estádio 1ºMaio, Lisboa
Arb: Manuel Costa
Vilafranquense-Fialho; Nuno, Ricardo, Bruno Neves e Félix (Milton 74'); Paulo Sérgio, Fábio Rosa e Castro (cap.)(Alfredo 63'); Guilherme (Calisto 63'), Grazina (Hernâni 74') e Bruno Pernes
Tr.Pedro Borreicho
Linda-a-Velha-Kaká; Tiago (Laborde 78'), Chico, André Figueiredo e Vítor; João Lopes, Chapa e Café; Rodro (Toni 78'), Filipe Costa (Nani 78') e Luís Santos (Fábio Teixeira 45')
Tr.Carlos Magalhães

Apesar da época disputada pelas duas equipas não ser prometedora quanto à qualidade do jogo que se disputou Domingo passado, a Final da Taça da AFL é sempre emotiva. O jogo foi quase sempre equilibrado mas deu quase sempre a sensação de que a equipa do Vilafranquense tinha mais argumentos para chegar à vitória. Assim foi mas não foi fácil.

Aos 6', na sequência de um canto, Grazina cabeceia para defesa de recurso de Kaká. Seis minutos depois, surgiu ainda mais perigo do outro lado. Luís Santos antecipa-se aos centrais e remata, mas Fialho faz a mancha. Aos 21', o perigo voltou a mudar de lado. Bruno Pernes rouba a bola no miolo e dispara para a área, sendo o Linda-a-Velha salvo por uma defesa "à Futsal" de Kaká. Dois minutos depois, contra ataque do Linda-a-Velha, com Rodro a surgir isolado mas a não desfeitear Fialho. Aos 25', Luís Santos rouba a bola a Bruno Neves, passa por Ricardo, mas frente a Fialho, tenta o chapéu quando a defesa vilafranquense já recuperara. Três minutos depois, o perigo voltava à área do Linda-a-Velha. Castro combina com Grazina e surge isolado frente a Kaká. Opta por colocar para o lado, onde surgiu Guilherme para rematar ao lado. Do canto que se seguiu, surgiu nova chance vilafranquense, com Fábio Rosa a cabecear ao poste. Muitas oportunidades de golo mas o jogo continuava 0-0. Aos 36', Grazina surge isolado mas remata por cima e o jogo manteve-se 0-0 até ao intervalo.


Para a segunda parte, o técnico do Linda-a-Velha retira o perdulário Luís Santos e lança Fábio Teixeira. A equipa da Linha pareceu mais decidida no ataque. Aos 54', a melhor entrada em jogo do Linda-a-Velha teve os seus frutos. Tiago cruza para a área e Filipe Costa bate Fialho. O Linda-a-Velha estava na frente. O Vilafranquense teve de ir em busca do empate, mas sem sucesso. A dada altura, o jogo estava controlado pelo Linda-a-Velha que trocava a bola no meio campo adversário. No entanto, aos 77', o recém entrado Milton coloca a bola em Alfredo que, da linha lateral, coloca a bola a passar sobre o guarda-redes Kaká. As imagens dão a ideia de que o remate é intencional, mas o guardião do Linda-a-Velha é mal batido. Depois do empate, voltou a ser o Vilfranquense a procurar evitar o prolongamento. Acabou por consegui-lo. No último minuto do tempo regulamentar, Vítor derruba Bruno Pernes à entrada da área, num lance que está na origem do momento do jogo. De pé esquerdo, Milton bate o livre de forma irrepreensível, não dando hipóteses a Kaká. O Vilafranquense estava na frente e a Final estava próximo do fim. Mesmo em cima do apito final, Nani isola-se mas o remate é desviado pelo central Ricardo. Após o canto, o árbitro (esteve muito bem) dava por terminada a Final com a vitória justa da equipa da União Desportiva Vilafranquense.

sábado, 2 de junho de 2012

Fim de estação

27/5/2012
REAL SC-CA PERO PINHEIRO 1-2
Arb:João Pereira (AF Beja)
Real-André Martins; Bino, Job, Bruno Lourenço e Jibril; Dino (cap.), Tiago Gonçalves e Michael (Amar 65'); João Paulo (Luís Carlos 60'), Alcides (Hugo Dias 75') e Mota
Tr.João Silva
Pero Pinheiro-Petrony; Serginho, Luís Freitas, Runa (cap.) e Fábio Graça; Topê, Rui Janota e Geraldino (Américo 86'); Kiko (Pavel 73'), Carlos Gomes (Hélder Caminho 45') e Nuno Almeida
Tr.Rui Paulo Janota

O último jogo da época foi aproveitado pelos técnicos para colocar em jogo alguns dos jogadores menos utilizados. Já sem nada para decidir, Real e Pero Pinheiro fizeram por vencer. No primeiro tempo viu-se mais Real. O primeiro sinal de perigo surgiu de um remate de Dino de longe e à figura de Petrony. Aos 20', contra ataque com Michael a colocar em João Paulo na esquerda e com este a cruzar para o desvio de Mota sair por cima. O golo parecia próximo e surgiria à passagem do minuto 33. O júnior Mota coloca a bola na área na marcação de um livre. Esta é desviada por Tiago Gonçalves de cabeça, sobra para Bruno Lourenço e finalmente para Dino fazer o golo do Real. O melhor que o Pero Pinheiro conseguiu no primeiro tempo foi um cabeceamento de Nuno Almeida à figura de André Martins (40'). Ainda antes do intervalo, foi Kiko a rematar para defesa fácil do guardião do Real.


Para a segunda metade, Rui Paulo Janota trocava o desinspirado Carlos Gomes por Hélder Caminho. Aos 48', Geraldino isola-se num contra-ataque mas não consegue bater a mancha de André Martins. Dois minutos depois, Job alivia de cabeça um cruzamento mas a bola bate em Bruno Lourenço e fica à mercê de Nuno Almeida que empata a partida. Os minutos que se seguiram foram algo incaracterísticos, com muitos passes errados dos jogadores do Real. Ainda assim, a equipa da casa está perto do golo num livre de Mota, com cabeçada de Bruno Lourenço que Jibril desvia por cima.

Aos 74', Hélder Caminho ganha as costas a Bino e remata cruzado para defesa de recurso de André Martins. A bola ainda fica na área até ser afastada pelo capitão Dino. Quatro minutos depois, Jibril e Bruno Lourenço quase desviam um livre marcado por Mota. De seguida, Pavel ganha de cabeça na área mas cabeceia à figura de André Martins. O jogo estava muito dividido mas sem que se registassem lances de grande perigo para as defesas. Aos 86', assinala-se o regresso de Américo, jogador que esteve muito tempo lesionado e que entrou para o lugar de Geraldino. No minuto seguinte, canto marcado por Fábio Graça, Topê salta com Tiago Gonçalves mas é o médio do Real que desvia a bola para dentro das redes. A três minutos do final do tempo regulamentar, o Pero Pinheiro alcançava a vitória, através de dois golos extremamente felizes.


Para além do referido regresso de Américo, os destaques positivos vão para a arbitragem de João Pereira. O árbitro da AF Beja teve uma actuação personalizada, num jogo que não foi difícil de arbitrar. Só é pena que arbitragens destas tenham sido excepção ao longo da época. Quanto aos jogadores em campo, destaco os jovens Mota e Job. O extremo é daqueles jogadores de baixa estatura, mas de elevada valia técnica e rápido. Tem tudo para singrar. Com o tempo, dominará melhor os tempos de jogo, nomeadamente o momento mais adequado para soltar a bola. Quanto ao central, apesar da altura, aparenta alguma fragilidade física que compensa com o empenho com que disputa cada lance. Neste aspecto, foi dos melhores em campo, apesar do lance que deu origem ao primeiro golo do Pero Pinheiro.

A época 2011/12 da 3ªDivisão terminou. 2012/13 será a ultima e promete ser bizarra, devido às alterações anunciadas nos quadros competitivos. Cá estaremos para acompanhar o que se irá passar.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Taça das Nacões

Madrid, 25 de Maio de 2012
Joga-se a final da Taça do Rei mas há quem prefira chamar-lhe Taça das Nações. Porquê?

O título oficial do monarca português era "Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia". É história. O de Juan Carlos de Bourbon é "Sua Majestade o Rei de Espanha, de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, da Sardenha, da Córsega, de Córdova, de Múrcia, de Jaen, de Algeciras, das Ilhas Canárias, das Índias Orientais e Occidentais e das Ilhas e Terra Firme do Mar Oceano, Arquiduque de Áustria, Duque de Borgonha, de Brabante (nos Países Baixos), de Milão, de Atenas e Neopatria, Conde de Habsburgo, de Flandres, do Tirol, do Roselão e de Barcelona, Senhor de Biscaia e de Molina". É hoje!

"Espanha" é um conjunto de nações. Como se sabe, este dado histórico tem tido consequências diversas que já passaram por terrorismo, mas que também passam pelas clivagens associadas a identidades clubísticas. Quem se sente mais (ou apenas) catalão ou basco do que espanhol, é natural que considere a Copa del Rey uma oportunidade de manifestação. Há uns anos, o hino foi assobiado na final disputada por Barcelona e Athletic em Valencia. Desta vez, a Final é em Madrid, o que encerra maior simbolismo.

Como Cruijf resumiu, quando o Barcelona vencia um jogo recebiam os parabéns. Quando essa vitoria acontecia frente ao Real Madrid, recebiam agradecimentos.

Diz-se que o poder político ponderou não realizar a Final ou disputá-la sem publico. As leis do Estado Espanhol proíbem ofensas ao hino e à família real. O Presidente do Barça defende o direito dos adeptos "manifestarem os seus sentimentos". Veremos o que acontece.

Pessoalmente, julgo que uma lei que, num Estado de Direito, proíbe os cidadãos de de exprimirem, é um contra-senso. Mesmo se essa liberdade de expressão incide contra a existência desse mesmo estado. Durante a ditadura de Primo de Rivera (há quase cem anos), o Barcelona ficou suspenso durante 6 meses devido a assobios ao hino por parte dos seus adeptos.

Nunca assobiei a Portuguesa mas também nunca me levantei enquanto era tocada num Estádio. Normalmente ficava sozinho nessa atitude mas nunca seria acusado criminalmente por isso. A selecção não deve servir para aproveitamentos políticos. O simples entoar do hino do país é, em si mesmo, um gesto político. Num país de várias nações, mais do que não me levantar, assobiaria um hino e um rei ou príncipe que não considerasse meus. É que o futebol é feito de pertenças, goste-se ou não.