terça-feira, 21 de maio de 2013

A estreia dos 40

Passou despercebido mas até era algo de previsível desde que a actual Segunda Liga foi preparada para incluir as equipas B e passar a ter 22 equipas.

O que é comum no Reino Unido, foi novidade em Portugal. Nunca antes houvera um campeonato disputado por tantas equipas. À passagem da 40ªJornada, disputada no passado dia 8, esperava-se que houvesse jogadores (totalistas ou não) a participar em 40 jogos de campeonato numa época. Foi isso que aconteceu. Este registo histórico foi atingido por sete jogadores no dia 8 - Márcio Sousa (Tondela), Thicot (Naval), Rui Sacramento (Leixões), Coelho (Penafiel), Avto (Oliveirense) e os campeões Matt Jones e Arsénio (Belenenses). Destes, o único jogador de campo a completar 3600 minutos no passado dia 8 foi o defesa francês da Naval. Para além disso, foi o primeiro a consegui-lo pois o jogo da Naval começou antes dos restantes.

Central francês de 26 anos, Steven Thicot (TIKITO) não é apenas mais um jogador proveniente dos escalões secundários gauleses em busca de destaque no futebol português. Em 2004, capitaneou mesmo a selecção francesa que venceu o Europeu de Sub-17. A seu lado alinhavam, entre outros, Jeremy Menez, Samir Nasri, Hatem Ben Arfa ou Karim Benzema. Já agora, a finalista vencida foi a Espanha, cujo golo foi marcado por um tal de Gerard Piqué e onde jogavam Mario Suarez, Cèsc Fàbregas, Javi Garcia, Diego Capel, entre outros.

Em 2004, Thicot fazia parte dos quadros do Nantes, clube onde acabou por não ter grandes oportunidades, tendo passado pelo Sedan (2006/07), clube pelo qual se estreou na Ligue 1. A época seguinte foi novamente passada no Nantes sem que as chances surgissem. No Verão de 2008, findo o contrato com o Nantes, viaja para Edimburgo, para representar o Hibernian. Apesar de ter sido utilizado regularmente na primeira época na Escócia, as duas épocas seguintes foram de escassa utilização, ficando Thicot livre no final da época 2010/11. Passou a época 2011/12 sem clube e surgiu esta época em grande na Naval. Considerando as dificuldades por que passa o clube figueirense, não seria de estranhar que Thicot mudasse de ares novamente.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Festejos prematuros

Ontem, o Cacém perdeu no campo do Murteirense. No domingo anterior, havia festejado após a vitória sobre o Linda-a-Velha. Cedo demais.

No dia 12, num jogo muito atribulado e marcado por uma arbitragem confusa, o Cacém chegou a uma vantagem de dois golos que acabaria por lhe assegurar os três pontos apesar da boa réplica do Linda-a-Velha. As dificuldades do árbitro começaram bem cedo. Num lance em que Nuno Almeida parece derrubar o avançado do Linda-a-Velha, o árbitro aponta para canto. Falta ou não, canto nunca seria.

A equipa da casa chegaria ao golo num contra ataque finalizado com um remate junto ao poste direito à guarda de Miguel. Pouco tempo depois, surgiria o 2-0 num livre ensaiado por parte da equipa do Cacém, que Geraldo finaliza com um belíssimo volley.

Ainda antes do intervalo, começaria o desperdício do Linda-a-Velha. A equipa criava chances de golo mas a finalização não queria nada com os visitantes.


A segunda parte começou com a cor amarela e com ainda mais desperdicio do Linda-a-Velha. Depois começaram as expulsões e o futebol só regressaria (e pouco) no período de compensação concedido pelo árbitro. Primeiro há um penalty a favor do Linda-a-Velha que não é assinalado. Logo depois, o árbitro assinala penalty que não se vislumbra. O Linda-a-Velha reduzia finalmente a desvantagem mas já só haveria tempo para mais uma expulsão até ao apito final.

A uma jornada do final da Divisão de Honra da AF Lisboa, as equipas classificadas abaixo do 7º lugar têm ainda o futuro indefinido. Na verdade, como o número de equipas que irão descer está dependente do que vier a ocorrer na Série E da 3ªDivisão, há equipas que ficarão uma semana sem saber concretamente o escalão em que irão competir na próxima época.

Para além dos clubes que descem das 2ª e 3ª divisões, há seis equipas apuradas para o Campeonato Distrital Pró-Nacional da próxima época. São eles Loures ou Musgueira, Santa Iria, Ponterrolense, Lourel, GCR Murteirense e Alverca. Para que não precisem de esperar pelo que irá acontecer nas últimas duas jornadas da Série E da 3ªDivisão, os restantes terão de ficar nos dez primeiros. Só atingindo essa meta se salvaguardam das possíveis descidas de Lourinhanense, Sintrense e Sacavenense.

Neste sentido, os festejos do Cacém no dia 12 foram claramente precipitados. É verdade que, no pior dos cenários, a equipa terminará em 11º, mas essa posição só dará lugar no Pró-Nacional 2013/14 se, pelo menos, um dos filiados na AF Lisboa terminar em posição de subida a sua participação na Série E da última edição da 3ªDivisão. E isso ainda é cedo para se ter como garantido.

sábado, 18 de maio de 2013

Lixa nos Nacionais

Após ter vencido o Ermesinde e beneficiando do empate do Perafita, o FC Lixa garantiu o regresso aos Nacionais no domingo passado.

No dia 5 fui a Serzedo (Gaia) para assistir ao CF Serzedo-FC Lixa. Nunca tinha assistido a um jogo dos Distritais da AF Porto. A expectativa era elevada e não foi gorada. Pelo contrário.

A comemorar os 80 anos, o CF Serzedo tem Edmundo Duarte como técnico da sua equipa sénior de futebol. Para quem não tem memória disso, refira-se que o técnico gaiense chegou a treinar equipas na 1ªDivisão (Alcobaça e Espinho), assim como da Liga de Honra, como o Torreense e Espinho. A sua carreira passou ainda por clubes como a Oliveirense, Lousada, Trofense, U.Lamas, Dragões Sandinenses, Vilanovense, Ribeirão, Feirense, Maia ou Candal, entre outros.

Em posição tranquila na tabela, o Serzedo recebia o líder Lixa, treinado desde Fevereiro por Vasco Seabra que rende Filipe Coimbra. Mas as posições dos clubes pouco determinaram o curso da partida.

Foi mesmo o Serzedo a entrar melhor no jogo, obrigando mesmo Vasco Viana a duas defesas apertadas. O Lixa acabou por equilibrar a partida e inaugurar o marcador à passagem do minuto 21. O capitão Hélder Carvalho roda na área, remata, a bola ressalta em Moreira e pinga sobre o guardião da casa. Três minutos volvidos, penalty favorável ao Lixa convertido por Mauro. Aos 44', remate de Bessa na área é parado pelo braço esquerdo de Domingues, capitão do Serzedo. Seria penalty mas o árbitro deixou seguir. Mas ainda haveria tempo para mais dois golos antes do intervalo. Primeiro foi o Lixa a alargar a vantagem para 0-3 quando Mauro isolou Bessa que bateu César. Na resposta, o Serzedo reduziu com um fantástico remate de trivela de Nuno Velha à entrada da área. Logo após o reatamento, o árbitro apita para o intervalo.


Mas a excelente equipa do Serzedo viria para a segunda metade preparada para reagir. Aos 50', Gerson aponta o canto, há vários jogadores a saltar à bola mas esta parece não tocar em ninguém antes de Vasco Viana a colocar dentro das redes ao tentar fazer a defesa. O Serzedo ía agora em busca do empate, mas foi o Lixa a estar perto do golo numa transição em que César desvia pela linha de fundo um remate de Bessa. Aos 64', Bruno Faria e Marinho saltam à bola após a marcação de um livre e a bola entra na baliza à guarda de Vasco Viana. O jogo estava empatado e a equipa da casa dava uma réplica excelente após ter estado a perder por 0-3.

O jogo passou então por uma fase menos interessante com várias substituições e cartões mostrados pelo árbitro. Aos 76', num lance de que só filmei a parte final, Bessa surge frente a César e bate o guardião do Serzedo. No reatamento, o guardião da casa sai da área e atinge Agostinho, sendo expulso pelo árbitro. Em apenas um minuto, o Serzedo via o Lixa voltar a adiantar-se no marcador e ficava em inferioridade numérica. O jogo estava decidido.

Ao minuto 81, Paulo Gomes, num grande lance individual, atira ao poste, a bola regressa a si que remata à trave. O jogo só voltaria a ter motivos de interesse nos 4' de compensação concedidos pelo árbitro Nélson Pascoal. Apesar do Serzedo estar em busca do empate, o Lixa em mais uma transição rápida tem nova chance de fazer o quinto golo, com o guardião da casa (Miguel) a defender o remate de Agostinho. Logo depois, o mesmo Agostinho tem nova chance para matar a partida mas o remate sai ao lado. No entanto, o último golo da partida surgiria pouco depois num lance individual de Lemos, que parte ainda antes da linha de meio campo e só pára depois de driblar o guarda-redes da casa e finalizar. O jogo terminaria logo após.

Uma semana depois, o Lixa garantiria o regresso aos Nacionais após duas descidas consecutivas entre 2007/08 e 2008/09, mas a vitória em Serzedo foi tudo menos facil. A equipa da casa mostrou uma organização bem interessante, em que a sua linha intermédia se mostrou excelente para este escalão.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Grande Grou na descida do Oeiras

A tarefa do Oeiras revelava-se extremamente complicada. Precisava de vencer o Pinhalnovense e esperar que o Casa Pia fosse vencer ao Carregado. Ainda assim, essa possibilidade existia e era suficiente para que tivesse seleccionado esta partida para o último domingo de Abril. Mas havia outra motivação.

No Pinhalnovense alinha um jovem que era (e reforçou essa posição) o melhor marcador da Zona Sul da 2ªDivisão. Nunca tinha visto jogar Bruno Grou. O Oeiras não conseguiu o milagre da manutenção mas Bruno Grou fez um hat-trick.

Logo aos 9', Bruno Grou isola-se mas remata ao lado. Na resposta, da marcação de um livre, Nuno Abreu desvia a bola à trave. Seis minutos volvidos, grande lance de Leonel que fura pela defesa do Pinhalnovense até que Carlos Soares sai aos pés do criativo jogador do Oeiras, impedindo o golo. Não marcou o Oeiras, marcou o Pinhalnovense.

O central Tiago e o guardião Rui Snatos não foram lestos a afastar a bola da área. Hugo Bral recebe-a à entrada da área e remata colocado de pé esquerdo, sem hipóteses para Rui Santos. Dois minutos volvidos, Hugo Bral entra na área pela direita, fica em posição de rematar à baliza mas serve Grou que surgia pela esquerda e que finaliza sem dificuldade. O Pinhalnovense estava na frente por duas bolas a zero e o regresso do Oeiras aos Distritais estava mais próximo.

Ainda assim, a equipa da casa respondeu muito bem. Aos 36', com um passe fantástico, Diogo coloca Leonel em posição para finalizar e é isso que acontece. Em cima do intervalo, Nuno Abreu remata e a bola bate no braço de Casimiro. Luís Catita assinala grande penalidade e Lima converte.

No início do segundo tempo, Ricardo Bulhão aponta um livre com a bola a passar muito perto do poste. Dois minutos decorridos, grande remate de Diogo para defesa de recurso de Carlos Soares. O Oeiras procuarava o 3-2 mas acabaria por sofrer o 2-3 no grande momento da partida.

Minuto 65. Grou recebe a bola no flanco esquerdo. Perante Pedro Ferreira flecte para o meio e remata em arco para um golaço. Pouco depois, fora de jogo mal tirado a Grou quando se preparava para se posicionar 
frente a Rui Santos. No minuto 71, Leonel tem uma oportunidade para empatar mas Carlos Soares acaba por defender com felicidade. Da marcação de um canto, surge nova chance para o Oeiras empatar, mas Tino ao segundo poste cabeceia por cima. Mais uma vez, não marcou o Oeiras, marcou o Pinhalnovense. Casimiro coloca a bola nas costas da defesa, Grou é mais rápido que Pedro Ferreira e remata para defesa de Rui Santos que não impede a recarga do avançado do Pinhal Novo que completava assim o hat-trick no último jogo da época em que se sagrou o melhor marcador da 2ªDivisão. Três minutos depois, Diogo marca um livre de forma rápida logrando isolar Leonel que remata cruzado ao lado. Luís Catita iria conceder três minutos de compensação. Nesse período, dois cantos consecutivos a favor do Oeiras mas sem consequências. Ainda houve tempo para uma incursão de Grou pela esquerda, a provar que é mais do que um finalizador.

Apesar de uma época em que andou sempre em lugares perigosos da tabela, o Pinhalnovense orientado por Barão revelou-se uma equipa bem mais eficaz do que o agora despromovido Oeiras.

Os destaques positivos vão para o já referido Bruno Grou e para os médios pinhalnovenses Gonçalo e Hélder. Este último faz lembrar Ramires, não só fisicamente mas também pela velocidade e cultura tática patenteadas. No Oeiras, Leonel e Diogo voltaram a mostrar merecer fugir aos Distritais.

sábado, 27 de abril de 2013

Houve Taça

Tinha aqui escrito sobre o caminho aberto que o Loures tinha para atingir a Final da Taça da AF Lisboa desta época. No entanto, o Futebol voltou a registar uma surpresa e o Fontaínhas saíu vitorioso do jogo dos Quartos-de-Final que disputou em Loures. A 2 de Junho teremos as Meias-Finais com as partidas Igreja Nova-Vila Franca do Rosário e Fontaínhas-Alverca. Viva a Taça!

sábado, 13 de abril de 2013

Nulo penalizador

Após treze jogos consecutivos sem perder, o 1ºDezembro foi surpreendido em casa pelo Oriental no Sábado de Páscoa. A última derrota, antes desse jogo, fôra em casa com o Mafra. No entretanto, os sintrenses sofreram apenas dois golos nos últimos doze jogos! A deslocação ao campo do líder tinha tudo para ser um jogo equilibrado e isso viria a confirmar-se.

Ainda assim, à passagem do sétimo minuto de jogo, João Pedro entra na área e parece ser derrubado por Damil. O árbitro mostra o amarelo ao jogador do 1ºDezembro e assinala a grande penalidade. Leo coloca a bola para a direita de Marco Pinto que defende. O jogo que poderia ter começado com o golo do Mafra manteve-se equilibrado, bem disputado mas sem lances de perigo. Até ao intervalo, registo apenas para dois lances. Aos 28', Pedro Dionísio aponta um livre sobre a barra e, quatro minutos depois, é Godinho que remata de muito longe ao lado.

A toada do jogo manteve-se na segunda parte, apesar do Mafra ter tido vários cantos a seu favor. Aos 54', Tuga surge em posição de remate pelo flanco esquerdo mas Marco Pinto volta a defender. A melhor chance de golo em toda a partida surgiria ao minuto 67. Tuga remata, Marco Pinto defende mais uma vez mas a bola fica à mercê de Tiago Rente que desvia sobre a barra. Os últimos vinte cinco minutos de jogo foram pautados por alguma ansiedade da equipa da casa que sabia da importância de chegar à vitória. No entanto, o marcador não se alteraria e o jogo terminaria após a marcação de um canto apontado por João Pedro que Marco Pinto desvia com eficácia.

Amanhã, o Mafra volta a jogar em casa frente ao Oriental, outra das boas equipas da Zona Sul e que ainda tem hipóteses matemáticas de chegar à liderança. Os lisboetas têm o melhor ataque da 2ªDivisão, pelo que tudo se configura para mais um teste dificílimo para o Mafra na luta pela subida à Liga de Honra.

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Marco Pinto-o guardião formado no Sporting e Belenenses e que até esteve no Mafra em 2007/08 foi a grande figura da partida, não só pela grande penalidade defendida.

Sambinha-a curiosidade em ver este jogador já era grande porque era o único que nunca tinha visto actuar. Revelou-se uma excelente surpresa. A saída de Luís Tavares ao intervalo foi decidida por Elói Zeferino mas provocada por Sambinha que não deu qualquer chance na marcação ao avançado do Mafra. Tem apenas 20 anos.

Tó Branco-aos 36 anos e a competir pela sétima época consecutiva com a camisola do 1ºDezembro, este antigo defesa do Ol.Moscavide e Real continua a ser um defesa daqueles que não inventa e raramente falha naquilo que é a sua missão fundamental.

Paulinho-o antigo central de Estoril, Benfica, Est.Amadora, entre outros, conduziu o Oeiras à subida na época passada e tem feito uma época de estreia na 2ªDivisão simplesmente fantástica ao serviço do 1ºDezembro.

Tiago Martins-gostei da actuação do árbitro da AF Lisboa. Demonstrou imensa segurança e esteve sempre tranquilo, o que é revelador de personalidade. Não será por acaso que na semana anterior tenha apitado o Mirandela-Chaves, o jogo da jornada na Zona Norte.

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Mafra-nestas semanas decisivas da época, o líder da Zona Sul terá de manter alguma serenidade. A ansiedade é má conselheira, ainda mais numa altura em que há concorrentes directos à espreita de uma escorregadela.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Parece mentira - o colombiano cingalês


Mohammed Ahamad (NIKKI) é um jovem nascido em Colombo. A capital do Sri Lanka deve o nome aos portugueses que pegaram no nome que os locais davam à cidade e o aportuguesaram.

A Colombia fica bem longe de Colombo. São quase 17.000 kms de distância. A semelhança entre Colombia e Colombo não é mais do que uma coincidência, pois a república sul-americana deve o seu nome a uma homenagem a Cristóvão Colombo.

Nikki fez grande parte da sua formação no Chelsea. Em 2009/10 foi mesmo inscrito na Liga dos Campeões com o número 47. O facto de actuar esta época no Mafra já é suficientemente exótico para alguém que nasceu no subcontinente indiano e fez parte dos quadros do actual campeão europeu.

Não precisava que os serviços da FPF lhe alterassem a nacionalidade para "colombiano". Não é por ser de Colombo que se é colombiano. Pelo contrário.