segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Lotaria vai para Mafra


Numa tarde de temporal, Real e Mafra defrontaram-se num jogo a contar para a 10ª Jornada da Zona Sul da 2ªDivisão. Os visitados a precisar de pontos para atingir uma posição confortável, enquanto que os visitantes procuram ainda chegar aos lugares da frente.

O jogo que marcava também os regressos de Nuno Gomes, Kifuta, Tuga e Jorge Paixão ao clube de Queluz-Massamá foi dominado pela intempérie. Não me recordo de assistir a um jogo em que, apesar de iniciado pelas 15 horas, houvesse a necessidade de recorrer à iluminação artificial durante a primeira parte!

A lotaria acabou por sorrir ao Mafra, fruto de um golo marcado por Kifuta a meio da segunda parte. Futebol houve muito pouco. Após o golo, a entrada de João Afonso acabou com o pouco que restava. O experiente central de Torres Vedras foi colocado em campo para reforçar o centro da defesa com Samuel e Diogo e não perdeu uma oportunidade para parar o jogo. Os 4 minutos dados pelo árbitro algarvio foram um absurdo. Acabou por ser um pormenor numa arbitragem de bom nível.

Considerando as condições do terreno, é de salientar positivamente a inexistência de cartões, o que remete para a extrema correcção verificada entre as duas equipas. Destaque para a prestação de Hugo Rosa. Apesar de muitas vezes desacompanhado, deu sempre luta à defesa amarela. Nota positiva também para o meio campo do Mafra, nomeadamente para o capitão Ricardo Correia, grande pulmão.


O registo negativo vai para mais uma derrota do Real, a quarta consecutiva, que leva a equipa para um lugar de descida à 3ªDivisão. Decorrido um terço do campeonato, julgo ser altura de fazer um pequeno balanço.

MAIS – Bruno Fernandes, Eduardo Simões e Hugo Rosa são os únicos jogadores que alinharam nas dez primeira partidas do campeonato. Não surpreende. São claramente os jogadores indiscutíveis do plantel. Cada um deles merecedor de palcos mais mediáticos, emprestam qualidade à equipa. Dino e Diogo continuam a pautar as suas actuações com a regularidade já (re)conhecida, enquanto que os reforços Sabino, Kikas e Tiago Conceição já mostraram ser mais-valias para o plantel, apesar de Sabino parecer ainda procurar a sua melhor forma. Apesar das prestações globalmente positivas, os reforços Dani, Ivanir e Arroja têm demonstrado alguma irregularidade.

MENOS – seis expulsões em dez jogos não são um registo positivo. Se nos lembrarmos que uma foi por palavras (Ivanir), outra por incúria (Dani) e a de Friday por manifesta e inadmissível falta de controlo emocional, então a foto fica ainda mais negra. Jorge Amaral tem uma palavra a dizer (também) nesta vertente. Pela trajectória futebolística, esperar-se-ia bem mais de David Nuñez e Tiago Rente. Outra das desilusões tem sido Tigas. O criativo esquerdino tem sido pouco utiliazdo, apesar de ter alinhado em nove das dez partidas. No entanto parece desmotivado e lento. A propósito de lentidão, que dizer de Godinho, o jovem que tanto elogiei na época passada, ao serviço do Sacavenense. É certo que a 2ªDivisão não é a Divisão de Honra da AF Lisboa, mas quem viu Godinho a época passada, dificilmente o reconhece no jogador que parece sem vontade nem velocidade. Problemas físicos ? Certo é que as oportunidades se vão esgotando. Finalmente, os nigerianos Michael e Friday. Apesar de demonstrarem algumas características fundamentais para a prática da modalidade, parece faltar-lhes sentido posicional. As dificuldades de comunicação são ainda mais relevantes quato maior a necessidade do técnico intervir para corrigir posições.

A REVER – os jovens Henrique Gomes (cedido pelo Sporting) e Luizinho já demonstraram qualidades que merecem ser revistas.

Jorge Amaral terá de provar ter capacidade para orientar uma equipa com graves lacunas no centro do ataque. Por outro lado, terá de definir a sua linha defensiva, em que apenas Eduardo Simões e Tiago Conceição parecem indiscutíveis. No entanto, seria conveniente assumir se este joga no meio, ao lado de Eduardo Simões, ou na esquerda.

A minha aposta para o onze-base é:

Bruno Fernandes – Sabino, Eduardo Simões, Tiago Conceição, Ivanir – Dino, Diogo, Kikas e Tigas – Hugo Rosa e David Nuñez

sábado, 15 de maio de 2010

Vergonha

Zidane foi um dos grandes do Futebol Mundial. O último lance que disputou num relvado resultou numa cabeçada no peito de um adversário. Jogava-se a Final do Campeonato do Mundo. Foi um momento. Irreparável como só os momentos são. No passado dia 25 de Abril, em Sesimbra, recordei Zidane. Mas Rodrigues, guarda-redes do Olímpico, não merece essa recordação. Nem me refiro às diferenças óbvias de qualidade desportiva ou nível competitivo. Se assim fosse, não teria sequer recordado Zidane. O que torna a 'performance' de Rodrigues incomparável é o seu carácter arruaceiro e a premeditação da violência. A história tem tanto de triste como de simples. O Olímpico deslocava-se a Sesimbra sabendo que apenas a vitória lhe permitiria subir aos Nacionais. Um empate consagraria o Sesimbra como vencedor da 1ª Divisão da AF Setúbal, a uma jornada do fim. As centenas de espectadores faziam a festa muito antes do jogo começar. Apesar da forte presença da GNR, não se verificaram motivos para tal. O jogo foi equilibrado, sem lances de perigo junto das balizas.

Aos 77', o Sesimbra beneficiou de um livre junto ao vértice esquerdo da área defendida pelo Olímpico. Tiago Carvalho marcou rasteiro paa defesa aparentemente fácil, mas daí resulta o primeiro golo da partida. Rodrigues foi muito mal batido. Pouco depois, deslocou-se até junto do banco da equipa da casa, reagindo a mais que prováveis comentários jocosos. O árbitro assistente estava próximo, pelo que assistiu a tudo. Os minutos seguintes viram a cena repetir-se. Julgando ser quanto baste, o árbitro assistente chama a atenção do seu chefe de equipa e corre na direcção deste. Antecipando o que iria acontecer, o guardião do Olímpico junta-se à dupla de juízes no grande círculo. Quase de imediato, ainda antes do que presumo teria sido a amostragem do cartão (amarelo?), Rodrigues aplica um soco no árbitro e, de imediato, no árbitro assistente. Inicia então uma corerria na direcção do banco do Sesimbra, onde distribuíu socos e pontapés, até ser travado por atletas das duas equipas e com o apoio da GNR.



Reduzido a dez unidades e a precisar de vencer, o jogo e a época do Olímpico terminava ali. Após o reatar da partida, ainda houve tempo para o golaço de Luís Silva e para o tento de honra do Olímpico, já em tempo de compensação. No dia em que se celebra a Liberdade, um só indivíduo conseguiu estragar uma festa, para não falar do trabalho dos seus colegas durante uma época. A não esquecer.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Em primeiro


Sacavenense-Ginja; Tiago, Rogério, André (Pina 45') e Perdigão; Armindo, Jorginho e Marocas; Baptista (Vilela 45'), Godinho (Bandeira 89') e Cláudio (Tera 89')

Tr. Luís Silva


Pero Pinheiro-Ferro; Maruca, Nascimento (Kiko 72'), Américo e João Anjos; Aguiar, Adilson (Ricardo Bento 57'), Rodrigo e Rui Figueiredo (Serrinha 57'); Marcos e Mix

Tr. Paulinho



Há anos que não ía ao Estádio do Sacavenense. Perante o bilhete 'Geral', perguntaram-me se tinha algo a 'ver com o Sacavenense'. Respondi que não era de nenhum dos clubes, pelo que me deixaram entrar para junto dos adeptos da casa. O adversário era a sempre complicada equipa do Pero Pinheiro. Colocada a meio da tabela, a matemática ainda permitia aos visitantes sonhar. O jogo até começou melhor para o P.Pinheiro que, aos 23 minutos, protagonizou a primeira jogada com relativo perigo. Após contra-ataque conduzido por Mix, Marcos desviou por cima. A partir daqui, os lances perigosos pertenceram por inteiro ao Sacavenense.


Aos 33’, Armindo quase surpreendeu Ferro num remate de fora da área. Sete minutos depois, Baptista falhou o chapéu a Ferro, quando estava isolado. A dois minutos do intervalo, Nascimento (central do Pero Pinheiro) viu o cartão amarelo num lance em que atinge Godinho na face. Nos lances disputados com Godinho, o central teve sempre uma postura intimidatória. No minuto seguinte, Marocas foi expulso por acumulação de amarelos. Num jogo em que o Pero Pinheiro jogava ainda a hipótese de se aproximar do duo da frente, tudo parecia conjugar-se nesse sentido. No entanto, a equipa do Sacavenense regressou do intervalo fortalecida pelo sonho da subida. As oportunidades foram surgindo. Aos 56’, Cláudio desperdiça, cabeceando ao lado após cruzamento de Rogério do lado esquerdo. Aos 60’, Cláudio volta a cabecear sem acerto. Cinco minutos depois, Tiago faz o único golo do jogo num remate de ressaca à entrada da área.

A partir daí, o Pero Pinheiro procurou reagir sem, no entanto, criar perigo para a baliza de Ginja. A quatro minutos do fim, foi mesmo Godinho que desperdiçou o 2-0 quando, isolado, rematou à figura de Ferro. A resposta sacavenense perante a inferioridade numérica foi tal que, em diversos momentos, parecia ser o visitante a alinhar com dez elementos.

Com a derrota do Lourel em Ponte de Rol, a equipa orientada por Luís Silva chegava ao primeiro lugar. Ontem, os dois primeiros venceram, pelo que a luta pela subida continua.

sábado, 10 de abril de 2010

Lourel e/ou Sacavenense

Esta época assisti a dois jogos do Lourel e a dois jogos do Sacavenense. Um deles foi o Lourel-Sacavenense de dia 21 de Março. Mas comecemos pelo início. Assisti à visita do Sacavenense ao Francisco Lázaro. Apesar de derrotados, saí de Benfica com a sensação de que o Sacavenense apresentara maior consistência. O Lourel assumiu a liderança da prova desde cedo. Aquando da visita do vizinho Pero Pinheiro, então em último, fui até Lourel assistir ao derby. Coincidência ou não, a equipa da casa voltou a estar desinspirada. Desinspirada foi a ilacção que retirei naquela altura e que foi sendo reiterada pela manutenção da liderança, jornada após jornada, dos sportinguistas de Lourel. Quando, no dia 21, e apesar da chuva, me desloquei a Lourel, aguardava-me um jogo entre os dois primeiros classificados do escalão principal da AF Lisboa.


Tal como acontecera da última vez que os vira jogar, o Lourel voltou a perder em casa. Num jogo em que o Sacavenense foi quase sempre superior, o Lourel voltou a não (me) mostrar porque segue na liderança da prova. É verdade que a diferença que fez o resultado (1-3) se justifica, em parte, pelos erros defensivos que foram determinantes em dois golos sacavenenses. Mas não justifica tudo. Em termos ofensivos, o Lourel foi pouco mais que inofensivo, apostando muito num futebol directo sem resultados. O Sacavenense, para além de defender de forma acertada, mostrou maior capacidade ofensiva. Cláudio e Godinho foram artistas à solta na sombra da Serra. Quem nunca assistiu a jogos dos escalões inferiores pode achar exagero usar a expressão 'artistas', mas não é. Há excelentes valores nos Distritais que, por vários motivos, não ocupam lugares em escalões superiores. É um tema a que regressarei em breve. Voltando ao jogo, o jovem Tiago, guardião do Lourel, foi protagonista por bons e maus motivos. Defendeu um penalty marcado por Jorginho, mas viria a ser mal batido no lance do 1-3.

No miolo, Augusto e o experiente Zezinho não tiveram chances frente a Jorginho e Marocas, dupla do miolo sacavenense, com Armindo sempre por perto. Trio de respeito na Divisão de Honra da AFL. Há equipas nos Distritais que nos fazem pensar como seria se alinhassem em escalões superiores. Por vezes nem sequer são as que vencem as provas. Mas quando o conseguem, costumam ter grandes desafios pela frente na 3ªDivisão Nacional. Alguns sucumbem por a sua qualidade não se enquadrar no terceiro escalão. Outros adaptam a sua forma de jogar e conseguem mesmo chegar à 2ªDivisão. Arrisco dizer que o Sacavenense é um desses casos. Para já, ficam a faltar oito jornadas. Já depois da jornada de 21 de Março, o Sacavenense recebeu e venceu o vizinho Loures, enquanto o Lourel empatou em Talaíde.

Este Domingo, o Lourel recebe o Alta de Lisboa, enquanto que o Sacavenense visita a Malveira. Até ao fim, o Lourel ainda receberá o Venda do Pinheiro, o Futebol Benfica e o Encarnacense, visitando Ponte de Rol, Vialonga, Linda-a-Velha e Cacém. Por sua vez, o Sacavenense receberá o Pero Pinheiro, o Freiria e o Alta de Lisboa, tendo deslocações aos campos de Charneca, Tires, Talaíde e Ponte de Rol. Em teoria, o calendário do Sacavenense apresenta maior grau de dificuldade. Ainda assim, não me surpreenderia que o clube que celebra o primeiro centenário cumprisse o desejo de regressar aos Nacionais. A repetir-se o cenário da época passada, quem sabe se não é acompanhado pelo Lourel.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Saber ganhar

Depois de anos de discursos inflamados e sucesso desportivo conquistado, o FC Porto parece ter chegado a um fim de ciclo. Até há 30 anos atrás, atravessar a Ponte da Arrábida era, por si, um peso insuportável. A retórica contra o Sul e contra Lisboa tem apresentado diversos exemplos lamentáveis no relvado e fora dele, mas também angariou apoio fanático que complementa uma identidade construída em torno de valores negativos que chegam a valorizar mais as derrotas dos outros do que as suas próprias vitórias. Nem mesmo o avolumar dos títulos internos e o sucesso internacional aliviaram o discurso portista. Exemplo claro dos efeitos desta política, é o entoar de cânticos anti-Benfica aquando dos festejos de um golo ou de um título portistas. Esta época, com o FC Porto em terceiro lugar na Liga e eliminado da Champions, a Final da Taça da Liga ganhava uma dimensão inédita no universo portista. O comportamento de Bruno Alves durante a partida foi exemplar. Exemplar da passagem para o terreno de jogo da 'filosofia' do 'contra tudo e contra todos'. Exemplar do não saber perder. No final da partida, respondendo a uma pergunta, Rúben Amorim dizia não ter falado com Nuno Espírito Santo. Explicou que nunca o faria porque mais importante do que saber perder é saber ganhar. Curiosa resposta considerando o adversário nessa Final. Como é que quem nunca demonstrou saber ganhar, pode saber perder?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Bizarrias

Já se sabia que é regra num relato radiofónico ou numa transmissão televisiva de jogos de equipas portuguesas. É garantido que é ainda mais vincado quando é a Selecção a jogar. Refiro-me à forma tendenciosa como os “jornalistas” abordam estas partidas. Assume-se que se justifica, porque somos “nós” contra “eles”. Apesar deste tipo de postura ser discutível em termos da ética jornalística, ninguém a questiona. A partir daqui, temos atitudes derivadas que se tornam ainda mais bizarras. Por exemplo, qualquer jogo de um dos chamados “grandes” contra um dos “não grandes”, é relatado na perspectiva do “grande”. Se o resultado está em branco, a questão fulcral é o que o “grande” deve fazer para se colocar na dianteira. Se está a vencer, como consolidar essa vantagem e por aí fora. Mais uma vez, parece tudo “normal”. Mais recente é adoptar esta mesma postura nos jogos em que participam jogadores e/ou técnicos portugueses. O caso do Real Madrid e a histeria mediática em torno de Cristiano Ronaldo é o paradigma desta postura. Este fim-de-semana, a forma como os “jornalistas” da Sporttv relataram o jogo com o Almeria, nomeadamente no período que se seguiu à reviravolta dos andaluzes, foi elucidativa. Aquilo que espero de quem relata é isso mesmo, que relatem. Já agora, gostava de assistir a qualquer jogo sem estar constantemente confrontado com a forma tendenciosa de quem prefere que x ou y vença, porque tem um ou mais jogadores portugueses nas suas fileiras. Se é “pecado mortal” não torcer pela Selecção, não o será não torcer por Real Madrid ou Chelsea. Ou é ?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Números Reais



Quando entrou em campo para a recepção ao Mineiro Aljustrelense no passado Domingo, o Real SC preparava-se para disputar, em termos oficiais, o jogo 500 da sua História. O jogo foi tão frio como o tempo que se fazia sentir. A primeira parte foi mesmo paupérrima. Ainda assim, o Real foi sempre a menos má das três equipas em campo, acabando por vencer por duas bolas sem resposta. Nuno jogo sem grande história, resta falar da efeméride dos 500 jogos. O resultado mais comum é 1-0 (52 vitórias e 47 derrotas). Isto é válido para as participações nos três escalões já disputados pelo Real - Campenatos das 2ª e 3ª Divisões Nacionais e Divisão de Honra da AFL. Em termos absolutos por escalão, o resultado mais frequente no Distrital foi o empate (1-1), o que não deixa de ser curioso dado as prestações positivas do clube sempre que disputou a Honra lisboeta. Na 3ªDivisão, o resultado mais frequente foi a derrota por 1-2, enquanto que na 2ª tem vindo a ser a derrota por 0-1. Ao longo da sua História, os jogos do Real têm sido marcados por um equilíbrio revelador dos escalões que tem disputado. Senão vejamos. Quase dois terços dos 500 jogos terminaram empatados ou decididos pela margem mínima. Quanto ao adversário mais frequente, este pertence à Associação Desportiva do Carregado, esta época a disputar a Liga Vitalis. Real e Carregado defrontaram-se 18 vezes, com o registo global a denotar muito equilíbrio. Sete vitórias para o Real, cinco para o Carregado e seis empates. Quanto a golos, vinte e dois para o Carregado e menos um para o Real.