Assumo. Sou adepto do Barça, julgo Messi melhor jogador que Cristiano Ronaldo e que o comportamento de Mourinho está longe de ser special. Dito isto, deixo aqui duas fotos carregadas de ironia.
A da esquerda mostra Cristiano Ronaldo ajoelhado junto de Messi um momento antes deste marcar o segundo golo do Barcelona no jogo desta Quarta-Feira. É verdade que até um Príncipe se curva perante o Rei, mas o aspecto simbólico desta imagem não deixa de ser exagerado.
Na foto da direita, vê-se Mourinho a torcer a orelha ao adjunto de Guardiola. Ver um qualquer homem na casa dos 50 a comportar-se como um rufia no recreio da escola é suficientemente penoso. Se esse homem é alguém que se tem em tão grande conta, com provas dadas no seu ofício, é ainda mais lamentável. Mas dizer-se que enfiou o dado no olho de Vilanova também é demais. Isso seria digno de um rufia de rua e não de recreio de escola, honra lhe seja feita.
BELENENSES – Coelho; Zazá, Pedro Ribeiro (cap.), Rafael Santos e André Pires; Victor Silva, Fernando Ferreira e Sidnei; Vítor Lemos, Miguel Rosa e Abel Camará.
Tr. José Mota
TROFENSE – Marco; Pedro Santos, Elvis, Santos e Pedro Araújo; André Viana, João Viana, Tiago (cap.) e Edu; Moustapha e Reguila.
Tr. António Sousa
A necessitar apenas de um empate para se apurar para a Segunda Fase, o Belenenses entrou muito forte neste jogo frente ao Trofense. Logo aos 7’, Miguel Rosa marca um livre colocando a bola na barra.
Três minutos depois, o Belenenses volta a estar perto do golo. A partir daí, o Trofense equilibrou a partida que só voltaria a ver lances de algum perigo à meia hora de jogo. Miguel Rosa, desta vez de pé esquerdo, remata ao lado da baliza à guarda de Marco. Aos 35’, novamente Miguel Rosa. O jogador cedido pelo Benfica marca um livre que Marco defende para canto. Na sequência do mesmo, o árbitro Rui Silva assinala a primeira de três grandes penalidades que viria a assinalar. Em comum o facto de surpreender todos os presentes, desde jogadores a espectadores. Enfim... Na conversão, Miguel Rosa faria o 1-0.
Em cima do intervalo, veio a grande penalidade #2. Desta vez, foi Sidnei a tentar a conversão mas Marco defendeu.
Ao intervalo, António Sousa troca os jovens André Viana e João Viana, colocando em campo Moreilândia e Fábio Moura, outro ex-júnior. A equipa parecia dar mostras de ir em busca do empate. Aos 49’, Santos marca um livre à figura de Coelho. Ao contrário do que se esperava, acabou por ser o Belenenses a aumentar a vantagem. Minuto 55. Camará fura pela direita, cruza para a área onde Miguel Rosa, de costas para a baliza, passa para Vítor Lemos que, melhor colocado, não perdoa. O Trofense sentiu o golo e demorou a reagir. Aos 65’, quando o mais provável seria colocar André Carvalhas em campo, António Sousa foi forçado a trocar o lesionado Pedro Santos por Rafa. Dois minutos depois, o goleador Reguila cabeceia ao lado naquele que foi o primeiro lance de registo do avançado trofense. Aos 69’, Mota troca Victor Silva pelo avançado Tomané, passando Camará a jogar mais junto à linha. Seis minutos decorridos, Rui Silva marca o penalty #3, desta vez a favor do Trofense. Reguila não desperdiça e coloca o marcador em 2-1.
No recomeço da partida, Tomané está perto do 3-1 mas o remate sai por cima. Lesionado, André Pires dá o seu lugar a Rodrigo António. A equipa da Trofa procurava agora chegar ao empate mas não criava perigo. Em contra-ataque, o Belenenses está novamente perto do golo aos 86’, com Rafael Santos a cabecear ao lado. Acabou por ser já ao nonagésimo minuto que surgiu o golo da tranquilidade num remate de Fernando Ferreira que não deu qualquer hipótese a Marco. Estava feito o resultado final de um jogo em que o Belenenses pareceu estar de regresso aos bons jogos e o Trofense confirmou viver um momento complicado.
ESTORIL-Ernesto; Anderson Luís, Bruno Nascimento, Steven Vitória e Tiago Gomes; Gonçalo, João Coimbra e Carlos Eduardo; Pedro Moreira, Licá e Fabrício. Tr. Vinicius Eutrópio
AVES-Marafona; Leandro, Tiago Valente, Rafael e Romaric; Pedro Cervantes, Bruno Sousa e Vasco Matos; Pedro Pereira, Quinaz e Pires. Tr. Paulo Fonseca
No Domingo passado, a estreia do Estoril Praia nos jogos em casa da época 2011/12 começou da melhor forma. Logo aos 2', Licá aproveita um mau alívio de Marafona para fazer o 1-0. O início da partida foi dominado pelo Estoril, com Carlos Eduardo a desmarcar-se pela direita e a rematar ao lado do poste direito (14'). Três minutos depois surge o primeiro remate com algum perigo por parte do Aves, com Bruno Sousa a ganhar um canto. Aos 20', o Aves reclama penalty mas o defesa do Estoril estava muito próximo e não teve intenção. Do canto, surgiu Pires para cabecear às malhas laterais.
O Aves procurava o empate e, aos 25', num livre marcado junto à linha lateral, Quinaz coloca a bola na área e, sem que ninguém lhe tocasse, Ernesto não está longe de ser surpreendido, mas a bola acaba por saír. O Estoril sente o perigo e responde. Ainda antes do intervalo, Licá está perto de bisar e Steven Vitória chega mesmo a colocar a bola nas redes do Aves, mas vê o lance anulado por fora-de-jogo. Ao intervalo, Paulo Fonseca troca Leandro por Mamadou, que teria três quartos de hora terríveis, muito por culpa de Pedro Moreira. Ainda assim, a primeira metade do segundo tempo foi dominada pelo Aves. A equipa nortenha conseguiu empurrar o Estoril para o seu meio-campo, mas sem criar perigo para as redes à guarda de Ernesto. Aos 66', Paulo Fonseca faz saír Quinaz e entrar Ricardo Martins para, no minuto seguinte, Vinicius Eutrópio trocar Carlos Eduardo por Rodrigo Dantas. Ainda assim, foi o Estoril que voltou a estar próximo do golo. Jogava-se o minuto 73'. Aos 79', o treinador do Aves coloca Fonseca em campo, retirando Pedro Cervantes. A resposta estorilista foi refrescar o ataque, com a troca do desgastado Licá por Bruno Di Paula. Bastaram três minutos em campo para o brasileiro ex-Paços de Ferreira fazer uma excelente incursão pelo lado esquerdo (na véspera, Aimar fez algo parecido contra o Arsenal) e oferecer o segundo golo a Pedro Moreira, pressionado por Mamadou. O jovem lateral contratado ao 1ºDezembro passou por maus bocados frente à velocidade de Pedro Moreira e de Anderson Luís. O Estoril terminaria o jogo por cima, com a conquista de três cantos consecutivos sem consequências. Notas positivas para Pedro Moreira (ex-Fátima) e Licá (ex-Trofense), duas contratações que poderão ser decisivas ao longo da época. Do lado do Aves, nota negativa para o experiente Pedro Pereira, muito ausente do jogo. Uma nota final para a equipa de arbitragem chefiada pelo recém promovido Jorge Tavares. O árbitro de Aveiro apitou o Mafra-Real da época passada e deixou uma má impressão que registei. Desta feita, e apesar de ter alguma sensação para complicar a sua tarefa, acabou por ter uma actuação globalmente positiva.
ATLÉTICO – Botelho; Luís Dias, Rolão (cap.), Vítor Bastos e Leandro Pimenta; João Meira, Marcelo e Coelho; Filipe Ferreira, Bruno Carvalho e Tiago Caeiro
Tr. João de Deus
FREAMUNDE – Assis; João Amorim, Luís Pedro (cap.), Sérgio Nunes e Serginho; Nana K, Bruno Magalhães e Luciano; Tarcísio, Marco Matias e Bock
Tr. Nicolau Vaqueiro
Naquela que foi a estreia do Atlético na Taça da Liga, a equipa de Alcântara recebeu o Freamunde no Estádio José Gomes, na Reboleira. Após uma entrada forte do Atlético, com Coelho em evidencia, o Freamunde começou a equilibrar a partida. Aos 9’, praticamente na primeira vez que chegou à baliza do Atlético, o Freamunde coloca a bola nas redes à guarda de Botelho. Bock estaria fora-de-jogo. Três minutos depois, novo lance na área do Atlético. A bola sobra para Nana K que não consegue melhor do que rematar à figura de Botelho. Pouco depois, Coelho cruza para a cabeça de Filipe Ferreira mas Assis defende. Aos 23’, remate forte de Serginho às malhas laterais das redes à guarda de Botelho. De seguida, Bock remata cruzado ao lado. O Atlético passava por maus momentos. Aos 27’, Coelho perde a bola a meio-campo, provocando algum perigo para os seus colegas da defesa. A cena voltaria a repetir-se duas vezes, num decréscimo evidente na prestação do jovem cedido pelo Benfica. A partir da meia-hora de jogo, a partida entrou numa toada mais morna que durou até ao intervalo, sem que surgissem mais lances de perigo. João de Deus e Nicolau Vaqueiro não efectuaram mexidas nas equipas ao intervalo. Ao contrário do que acontecera na primeira, o Freamunde entrou mais forte na segunda parte, chegando ao golo aos 50’. Marco Matias desmarca-se nas costas de Rolão e remata cruzado sem hipóteses para Botelho. Depois do golo sofrido, João de Deus troca Filipe Ferreira por Ailton, colocando o ponta-de-lança internacional pela Guiné Bissau encostado ao flanco esquerdo do ataque do Atlético. Aos 61’, Bock está perto do segundo golo na sequência de um canto.
João de Deus volta a mexer na equipa. Retira Coelho e coloca Laurindo em campo. O médio formado no Est.Amadora impôs um ritmo novo na partida, visível pouco depois (65’), numa jogada em que combinou com o lateral Luís Dias. A jogada culminou com um cruzamento para a área, onde Ailton rematou mas a bola rechaçou num defesa do Freamunde. Na sequência deste lance, Nicolau Vaqueiro trocou Luciano por João Rodrigues. Seis minutos depois, João Meira (jogo fraco a meio-campo) foi rendido por Saramago. O jogo estava algo partido, sucedendo-se jogadas de um lado e do outro. Aos 78’, Bock não consegue evitar uma boa defesa de Botelho que evitava assim o 0-2, numa jogada de contra-ataque. Dois minutos depois, Nicolau Vaqueiro faz duas substituições, fazendo entrar Hélder Sousa e Pedro Henrique para os lugares de Tarcísio e Marco Matias. Aos 84’, na marcação de um livre, Leandro Pimenta remata ao lado da baliza de Assis. Em mais um contra-ataque, o recém entrado Pedro Henrique remata cruzado ao lado da baliza do Atlético. O jogo aproximava-se do fim e o último lance digno de registo ocorreu já em período de compensação quando Ailton remata forte para uma grande defesa de Assis, que garantia assim os três pontos do Freamunde.
Observações:
- A adaptação de Leandro Pimenta a lateral esquerdo foi muito prejudicial para o Atlético. O jovem médio cedido pelo Benfica, antigo capitão dos Juniores da equipa encarnada, nunca conseguiu adaptar-se à posição, falhando muitos passes.
- Na defesa do Atlético, nota positiva apenas para o jovem vimaranense Vítor Bastos e para o seguro lateral Luís Dias. O capitão Rolão pareceu estranhamente intranquilo.
- João Meira, Bruno Carvalho e Tiago Caeiro estiveram como que ausentes do jogo. Curiosamente, os dois últimos jogaram durante os 90’.
- Laurindo e Ailton demonstraram ser opções merecedoras do onze inicial, por aquilo que mostraram no pouco tempo em que alinharam na partida.
- Luís Pedro e Sérgio Nunes (sim, o central que chegou a jogar no Benfica) formaram uma dupla de centrais muito segura.
- Marco Matias e Bock formam uma dupla terrível. O jovem formado no Sporting e com contrato com o V.Guimarães parece ter um grande futuro à sua frente, consiga conter alguma tendência para se envolver em picardias desnecessárias. O veterano e temível Bock (melhor marcador da última edição da Liga de Honra) é daqueles jogadores que sabe tudo de futebol. Domina os tempos de jogo, “comunica” com o árbitro, ganha posição frente a defesas mais fortes e mais rápidos, remata bem e revela um oportunismo impressionante. Nunca jogou no escalão principal. Porque será ?
- O Atlético poderá e deverá retirar lições deste jogo. As competições da Liga são bem diferentes da 2ªDivisão, principalmente no ritmo de jogo, mais do que na qualidade individual dos atletas. Com a saída de Rudi e Carlitos, parece-me que mudar demasiado a equipa base que resta não trará nada de positivo. Pode ser que me engane.
- Não fiz referência a qualquer lance que envolvesse a equipa de arbitragem. Ainda bem. É muito bom sinal.
- O Estádio José Gomes já foi palco de jogos de bancadas repletas. Ver aquelas bancadas desertas é triste mas ainda mais triste é a situação em que o clube seu proprietário se encontra.
Este Domingo, o Atlético receberá o Freamunde no Estádio José Gomes. Joga-se a primeira jornada da 1ªFase da Taça da Liga. É a estreia do histórico clube de Alcântara em provas organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional. No entanto, o Atlético é um dos clubes com maior historial na Taça de Portugal. Até à época 2010-11, o Atlético disputou 201 jogos, tendo vencido 91, empatado 27 e perdido 83. Em termos de golos, marcou 320 e sofreu 307. Para se ter uma ideia da relevância destes números, refira-se que apenas novo clubes disputaram mais jogos a contar para a Taça de Portugal do que o Atlético e apenas onze venceram mais vezes. Por outro lado, só a Académica perdeu mais jogos. Considerando três pontos por vitória e um por empate, o Atlético ocupa a 11ª posição, descendo para 141º no ratio pontos por jogo.
O resultado mais volumoso obtido pelo Atlético aconteceu na época 1979/80. Jogava-se a 1ªEliminatória. Depois de um empate no jogo disputado na Trafaria, o Atlético venceu o clube da AF Setúbal por 7-0. Essa época culminaria com a descida do Atlético à 3ªDivisão Nacional, pela primeira vez na sua História. Quanto à pior derrota, verificou-se em 1962/63. Depois de eliminar Barreirense e Portimonense, o Atlético disputou a 3ªEliminatória com o Sporting CP. Na 1ªMão, disputada a 19 de Maio de 1963 no antigo Estádio José de Alvalade, o Atlético sofreu 10 golos sem conseguir marcar um único. Figueiredo e Mascarenhas fizeram 4 golos cada! No final da época, o Atlético desceria à 2ªDivisão e o Sporting venceria a Taça.
O Atlético tem, ainda assim, boas recordações de jogos contra os chamados Grandes do nosso Futebol. Para além da ainda recente vitória no Dragão (2006/07), o Atlético vencera os portistas nas Meias-Finais de 1945/46 – 2-1, golos de Gregório e Guedes. Meses antes, na deslocação ao Estádio do Lima, o Atlético fôra derrotado por 11-0! No Campeonato Nacional, o Atlético terminaria em 5º lugar, um ponto acima do... FC Porto, na época do título do rival Belenenses. Nos ¼ de Final, eliminara o SL Benfica (3-2), mas acabaria por perder a Final frente ao Sporting, numa Final em que Peyroteo fez a diferença com dois golos, na vitória sportinguista por 4-2. Mas o Atlético também já ganhou ao Sporting em jogos da Taça de Portugal.
1956/57 - 2ªMão dos Oitavos-de-Final. O Sporting vencera a primeira mão por 3-1. Na Tapadinha, dois golos de Martinez colocaram o marcador em 2-0 a favor dos alcantarenses, mas um golo de Martins terminaria com as aspirações do Atlético. Anos antes, a época 1948/49 veria o Atlético alcançar a sua segunda e última Final. Depois de eliminar Barreirense, Famalicão, Lusitano VRSA e SC Covilhã, o Atlético defrontou o SL Benfica na Final. Os encarnados venceram por 2-1, mas os golos só surgiram no último ¼ de hora de jogo. Corona e Rogério deram vantagem ao SL Benfica, tendo Armindo Silva reduzido em cima do apito final.
A rivalidade do Atlético com os azuis de Belém tem tido na Taça de Portugal uma superioridade absoluta do Belenenses. A História regista oito jogos em quatro eliminatórias. Nas épocas 1943/44, 1958/59 e 1959/60, as eliminatórias ainda eram disputadas a duas mãos e o Belenenses venceu os 6 jogos! Quase vinte anos depois (1978/79), os dois rivais voltariam a encontrar-se em jogos da Taça de Portugal pela última vez. Na Tapadinha, o Atlético conseguiu não perder a única das partidas disputadas com o seu rival para a Taça. No jogo de desempate, o Belenenses venceria por 2-0. Jogava-se a 4ªEliminatória.
Atlético e Freamunde começam a época defrontando-se pela primeira vez na História. Dada a distância ditada pela Geografia e o facto do Freamunde nunca ter disputado a 1ªDivisão, apenas a Taça de Portugal poderia ter juntado estes dois emblemas, mas isso nunca aconteceu. Será a Taça da Liga a fazê-lo.
Há um ditado que diz "Quem não se sente, não é filho de boa gente". Penso neste ditado quando releio os comunicados da Direcção do Clube Atlético Pero Pinheiro (CAPP) durante as últimas semanas. Perante acusações de favorecimento e daquilo a que chamam "campanha difamatória do Presidente do Futebol Benfica", qual a reacção da Direcção do CAPP ? Sugerir a leitura dos acórdãos, garantir confiar nos órgãos da AF Lisboa e congratular-se pelas decisões unânimes dos mesmos. Parece-me pouco. Se a razão está do seu lado, haveria que responder ponto-a-ponto a cada um dos factos tornados públicos. Nada disso aconteceu. O comunicado de dia 16 do corrente até aproveita para enviar "votos de felicidades a todos os filiados na AF Lisboa para a época 2011/12". Reacção aos factos ? Nenhuma. Decisões polémicas, desde que unânimes, deixam de o ser ? Este aspecto faz-me lembrar outro ditado - "À Mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer". Aqui ficam os comunicados a que me refiro.
1 - Repito o que já escrevi. Gosto demasiado de futebol para falar de arbitragens. As minhas arbitragens preferidas são aquelas de que, no final do jogo, se diz apenas “não se deu pelo árbitro”. É sinal de que a intervenção do árbitro foi a que deve ser e não mais do que isso. Ainda assim, quem assiste a um jogo de futebol, sabe que inadvertidamente (ou não), os árbitros podem influenciar os resultados deportivos. É pena mas é uma evidência. Ainda ontem, o jogador uruguaio que fez o golo da sua Selecção poderia já não estar em campo, caso o árbitro tivesse sido rigoroso num lance no início da partida. Raras são as vezes em que erros de arbitragem resultam em repetições de jogos, mas são frequentes as situações em que se recorre à chamada “justiça desportiva”. A maior parte das vezes está em causa o castigo de um atleta e pouco mais. A época 2010/11 fica marcada por polémicas decisões de secretaria que adulteraram os resultados de um Campeonato.
2 – Fez agora três anos que o sempre polémico Bastonário da Ordem dos Advogados fez declarações em que comparava o comportamento dos magistrados com aquele dos agentes da PIDE. Explicava que, em muitos casos, o que lhes falta em humildade, sobra em autoridade, criticando o que chamou de "sistema de gestão autocrática dos tribunais" assente "numa só pessoa", um dos juízes. Deixava claro que “Não é nas leis que está o mal da administração da justiça” mas sim em quem as interpreta. “Um bom magistrado faz boa Justiça mesmo com más leis e até sem ela”.
3 – A justiça desportiva é, supostamente, algo de aplicação simples. Existe um regulamento disciplinar, sendo apenas necessário aplicá-lo. Um dos factores essenciais da justiça é aplicar penas equivalentes a infracções equivalentes. Se na justiça civil essa equivalência levanta imensas questões, no Futebol essa dificuldade é bem menor. Ou deveria ser.
4 – O Conselho de Disciplina da AF Lisboa atribuiu pena de derrota a ambos os clubes no jogo Linda-a-Velha-Futebol Benfica, assim como a pena de derrota à Alta de Lisboa na deslocação ao Campo Pardal Monteiro, em Pero Pinheiro. Para tal discrepância, os meretíssimos tiveram de justificar-se com base numa suposta invasão de campo por parte de adeptos da Alta de Lisboa.
5 – Não assisti a nenhuma das duas partidas, pelo que me limito a referir aquilo que são factos, tanto os que constam nos Processos, como os assumidos pelos intervenientes e disponíveis na blogosfera:
Facto 1 – Os dois jogos não chegaram ao seu término devido a distúrbios entre elementos das equipas;
Facto 2 – O jogo Linda-a-Velha–Futebol Benfica durou 36 minutos e o resultado era 0-0;
Facto 3 – O jogo Pêro Pinheiro–Alta de Lisboa terminou quando faltava jogar apenas um minuto do período de compensação dado pelo árbitro e o resultado era 1-1;
Facto 4 – O Relatório do árbitro João Filipe Malheiro Pinto faz alusão a uma “invasão” nestes termos: “Enquanto os jogadores se agrediam houve invasão de campo dos jogadores suplentes de ambas equipas”;
Facto 5 – No depoimento ao inquiridor, o árbitro refere mesmo que “se tem conseguido retirar do local o jogador nº 22 do P Pinheiro as coisas teriam ficado por ali e nada disto se teria passado mas infelizmente apesar dos seus esforços não conseguiu os seus intentos e o jogador acabou por estar na origem dos confrontos que se seguiram”;
Facto 6 – O árbitro terá informado o comandante da força policial de que faltava cerca de um minuto para o fim do jogo, o que não alterou a posição do militar da GNR que alegava não poder garantir as condições mínimas de segurança;
Facto 7 – O Acordão do CD da AFL, resultante da reunião de 8 de Junho, refere que “três adeptos do Clube Arguido, União Desportiva Alta de Lisboa, invadiram o terreno de jogo, com o propósito de neles, também participarem.”;
Facto 8 – O comandante da força da GNR presente no Campo de Jogos escreveu no Relatório de Ocorrências em Recintos Desportivos que “devido à invasão de campo e à desordem provocada pelos jogadores/dirigentes, foi necessário pedir reforço policial. Não foi possível identificar os possíveis autores das agressões ou espectadores que invadiram rectângulo jogo, pelo facto de não existirem as condições de segurança para esse efeito”;
Facto 9 – Mais de duas semanas depois, inquirido no âmbito do processo desportivo, o mesmo elemento da GNR refere que “o factor determinante para basear a sua conclusão de que não havia condições de segurança para que o jogo prosseguisse, foi a invasão do terreno de jogo por parte de três adeptos do Alta de Lisboa dos quais um deles nunca chegou a ser identificado ao contrário dos outros dois que o foram e cujos sinais constam do relatório policial que elaboraram.”;
Facto 10 – Os elementos “invasores” identificados pela GNR eram jogadores do Alta de Lisboa – Saraiva e China;
Facto 11 – O relator do processo (Nuno Lobo) é Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Sintra;
Facto 12 –Pero Pinheiro é uma freguesia do concelho de Sintra, sendo o Clube Atlético Pero Pinheiro, o seu clube mais representativo;
Facto 13 – Se a deliberação sobre o Pero Pinheiro-Alta de Lisboa tivesse sido idêntica à do Linda-a-Velha-Futebol Benfica, a classificação final da Divisão de Honra da AFL seria: 1º Futebol Benfica (subiria à 3ªDivisão Nacional), 2º Loures (poderia subir à 3ªDivisão Nacional no caso de surgir uma vaga por desistência) e 3º Pero Pinheiro (disputaria a edição 2011/12 da Divisão de Honra da AFL);
Facto 14 – Não sou adepto de nenhum dos cinco clubes referidos nos pontos anteriores;
Facto 15 – Sou adepto de Futebol e prezo a Liberdade e a Justiça, sabendo que uma sem a outra de pouco vale;
6 – Se algum dos pontos que enumerei e classifiquei de “factos” faltarem à verdade, eaqui espero os reparos que se justifiquem. Uma coisa é certa. Num Mundo em que o Poder mudou vertiginosamente, em que “mercados” e agências de notação ditam mais que Governos eleitos, a Democracia deve sobrepôr-se à Economia e não o inverso. Vivemos tempos em que a luta contra as arbitrariedades dos diversos poderes se torna crucial, sejam elas na Política, na Economia ou no Futebol.
7 - No Futebol, a Justiça deverá estar ao serviço do jogo jogado nas quatro linhas e não adulterar aquele que (ainda) é o jogo mais fascinante do planeta.