Posso estar enganado, mas parece-me que a primeira vitória de sempre do Real sobre o Casa Pia poderá ser marcada pela descida dos dois clubes à 3ªDivisão. Os resultados dos jogos de Queluz-Massamá e de Faro serviram os objectivos do Farense. Verdade seja dita que, apesar da sua postura algo prepotente, Nuno Almeida não teve interferência no resultado. O mesmo não se pode dizer do jovem Luizinho. Entrado ao intervalo, foi decisivo na viragem do marcador.
O Casa Pia entrou melhor na partida, ciente de que a vitória seria o único resultado interessante na primeira de sete finais. Ao quarto de hora de jogo, Mamadu desperdiça uma oportunidade de baliza escancarada, provocando risos na bancada. Como se até os melhores jogadores não tivessem lances semelhantes nas suas carreiras... Aos 36’, numa altura em que o Real já equilibrara a partida, Pauleta faz o golo dos casapianos. Os visitantes íam a vencer para o intervalo. A perder, José Marcos retira o médio Kikas e coloca em campo o pequeno e irrequieto Luizinho. Desde o início se percebeu que ali estava um jogador que iria dar muito trabalho aos defesas do Casa Pia. Colocou velocidade e criatividade em jogo e esteve no primeiro e terceiro golos do Real. Internacional sub-16 por Portugal, o jovem ex-júnior esteve três épocas nos Juvenis e Juniores do Sporting. Esteve no passe que resultou na assistência de Hugo Rosa para a finalização fácil de Tiago Rente e no cruzamento para a assistência (?) de Tiago Rente a Hugo Rosa. Quanto a este último, ainda marcou o canto para o desvio de cabeça de Dino. Resumindo, numa época em que tem estado muito só no ataque, Hugo Rosa teve em Luizinho uma companhia de qualidade rara esta época.
Faltam sete jornadas para terminar a primeira fase do Campeonato Nacional da 2ªDivisão. As decisões estão próximas e as suspeições ficariam bem, se ausentes destes períodos. Mas os dirigentes do Conselho de Arbitragem da FPF parecem contribuir para o aumento das suspeições, em vez da sua eliminação.
Gosto demasiado de futebol, daí detestar falar de arbitragem. Abro uma excepção relativamente a algumas nomeações para os jogos da 24ªJornada. Vejamos. Na Zona Centro, o escaldante Tondela-Padroense terá um árbitro de Lisboa. Na Zona Sul, no Juv.Évora-Atlético estará uma equipa de arbitragem da AF Santarém. Para os jogos Real-Casa Pia e Farense-Lagoa foram nomeados árbitros algarvios. Esperemos que não seja o que parece ser e que não se verifiquem decisões polémicas de Nuno Almeida e Eugénio Arez, respectivamente. Oxalá.
Já aconteceu há mais de uma semana, mas vale bem a pena escrever umas linhas sobre a Meia-Final da Taça da AF Lisboa disputada entre o Bocal e o Vila Franca do Rosário (VFR). Primeiro porque uma deslocação ao Bocal, lugar da Freguesia de Santo Estêvão das Galés (Mafra) se assemelha a uma deslocação ao interior profundo. A paisagem envolvente é bucólica q.b. Como se isso não bastasse, o ambiente que se vive no Campo Santo contraria totalmente o estereótipo dos jogos dos Distritais. Ali não se vê situações de conflito entre adeptos, não se intimida as equipas de arbitragem, o futebol é um jogo de que todos gostam, não uma batalha de vida ou morte.
Imagine-se o que seria uma Meia-Final da Taça de Portugal terminar com um resultado de 5-6, com quatro grandes penalidades assinaladas ! Agora acrescente-se que se tratava de um jogo histórico para os dois clubes. As duas equipas do concelho de Mafra disputavam pela primeira vez a passagem à Final da Taça da AF Lisboa. Ambos alinham na Série 1 da 1ªDivisão do Distrital lisboeta, sendo o VFR o líder, enquanto o Bocal procura evitar a descida. Mas no Campo Santo, a diferença classificativa não se observou. Fazendo valer a sua garra constante e uma melhor adaptação ao terreno, nomeadamente às dimensões reduzidas, o Bocal chegou a estar a vencer durante onze minutos, acabando por perder o jogo que poderia ter “caído” para qualquer das equipas. Aqui fica o evoluír do marcador:
4-5-Paulo Pina 50’; 5-5-José Cabral 56’(pen) e 5-6-Nélson 63’(pen).
Num jogo que teve onze golos em sessenta minutos, não se marcou nenhum nos últimos 27 minutos!
No Bocal, destaque para o central Bruno Nunes (36 anos - passou por clubes como Casa Pia, Coruchense, Real e Igreja Nova) e os avançados José Cabral (33 - Sintrense, Cacém, Lourel e Igreja Nova) e Ruben Graça (24 – passou pelas camadas jovens do Campomaiorense). No VFR, nota para a presença de Caramba (22 – escalões de formação do Sporting com passagem pelo Torreense) e o veterano Varela (35 - jogou no Olivais e Moscavide, entre outros) que irá defender o título conquistado na época passada, ao serviço do GS Loures.
Mas o maior destaque vai para a extrema correcção demonstrada dentro e fora do campo, num jogo de resultado sempre incerto e com a bola constantemente próximo das duas balizas. A equipa de arbitragem composta por três Paulos (Neves, Justo e Henriques) acabou por fazer parte da festa, apesar de algumas dúvidas em pelo menos uma das penalidades assinaladas.
Há equipas que, pela mais-valia dos seus plantéis, deveriam dominar os campeonatos sem sombra para dúvidas. Deveria ser o caso do Pero Pinheiro mas não é. Composto por jogadores com experiência nos campeonatos nacionais, o Pero Pinheiro deslocou-se ao Cacém no passado Sábado, para defrontar a jovem equipa do Atlético local.
Os onzes:
CACÉM-Pedro Silva; Fogeiro, Ricardão, Sousa, João Correia; Diogo Nogueira, Tiago Nogueira, Seminário; Taveira, Franclim e Abiud
PERO PINHEIRO-Ferro; Rochinha, Runa, Filipe Martins e Cadu; Afonso, Aguiar e Rui Janota; Hélder Costa, Mix e Cláudio Oeiras
Momentos:
8’ – Franclim cruza da direita para o desvio de Abiud, ao lado da baliza de Ferro. Era o primeiro sinal de perigo do Cacém.
13’ – Mix salta mais alto do que os centrais locais e faz o 0-1.
21’ – Livre da direita, marcado por Seminário, com a bola a cruzar a pequena área sem que ninguém lhe toque.
25’ – Ricardão remata de fora da área. Ferro efectua uma defesa de recurso.
33’ – Mais uma jogada pela direita, com Taveira a desviar para a baliza o cruzamento de Fogeiro (1-1).
57’ – Contra-ataque do Cacém concluído por Taveira com um remate em arco por cima da baliza de Ferro.
61’ – Excelente remate em rotação de Abiud. É de fora da área que o Cacém vira o marcador (2-1).
74’ – Livre de Mix à base do poste esquerdo da baliza de Pedro Silva.
86’ – No mesmo lance, Runa e Cláudio Oeiras acertam na trave.
89’ – Runa iguala num pontapé de ressaca de fora da área (2-2).
90’+1 – Cláudio Oeiras coloca a bola na baliza, mas o lance é anulado por fora-de-jogo. Aparentemente mal. '>Veja o vídeo.
90’+4 – Cissé isola-se, sendo travado por Cadu, que recebe ordem de expulsão. Na marcação do livre, Ricardão põe à prova Ferro que responde à altura.
O jogo terminou com um empate a duas bolas e com os jogadores do Pero Pinheiro a pedir satisfações à equipa de arbitragem. A reduzida presença das autoridades (contei três elementos da PSP) levou ao pedido de reforços. Decisão aceitável, considerando os protestos veementes dos visitantes. Inesperado foi o que se assistiu minutos depois. Em ritmo acelerado, deram entrada no Campo Joaquim Vieira três viaturas da PSP, entre as quais uma carrinha, de onde saíram elementos do SIR, de shotguns em punho! Foram chamados a “repôr a ordem pública” como me referiu o agente que interpelei. Se a ordem pública é ter uma dúzia de agentes policiais armados até aos dentes a proteger uma equipa de arbitragem das “bocas” de uma equipa de futebol. Enfim...
Voltando ao jogo, o Pero Pinheiro queixa-se da arbitragem mas deveria queixar-se de si mesmo. Uma equipa com jogadores da qualidade de Filipe Martins, Cláudio Oeiras, Mix e ca. deveria fazer bem melhor. É verdade que a segunda parte foi dominada pelos homens de vermelho e branco. Mas assistir aos jogos desta equipa do Pero Pinheiro fico sempre com a sensação de que os jogadores alinham com alguma sobranceria, cientes da sua superioridade. Mas esta nem sempre se reflecte no reusltado, como foi o caso.
Nunca o Real havia perdido seis jogos consecutivos. Desde que recebeu e venceu o Pinhalnovense (3-0), soma seis derrotas em seis jogos, tendo sofrido onze golos e marcado apenas um. Este período negro teve início no Carregado (0-3), prosseguiu com a derrota caseira frente ao Atlético (0-1), a visita ao Pina Manique (1-2), outra derrota caseira com o Mafra (0-1), a visita a Reguengos (0-2) e a recepção desta tarde ao Louletano (0-2).
Apesar dos números, o problema não tem estado na defesa, mas sim no ataque. A saída de um jogador com as características de Ailton teria de ser suprida. Não foi. Nem por um atleta com características semelhantes, nem pela alteração na dinâmica da equipa que poderia obviar essa ausência.
No caso do Benfica, Luís Filipe Vieira diz que Jesus é parte do problema e não da solução. A ver vamos. No caso do Real, começo a convencer-me de que Jorge Amaral é parte do problema. No entanto, caso se opte pela "chicotada", tal como no Benfica, o problema não ficará resolvido por inteiro.
Na edição de hoje de Record, Jorge Gabriel (JG) disserta sobre vários temas. Em comum, o castigo uefeiro aplicado a Mourinho após as expulsões no Arena de Amesterdão. Quando fala do peso da economia paralela no PIB nacional, consegue a proeza de distinguir os dois aspectos. Segundo JG, Mourinho reclamou a sua saída de Portugal a Pinto da Costa por querer fugir destas "astúcias, tipicamente lusitanas". São opiniões. A meu ver, JG não aprecia as astúcias de Mourinho quando estas lhe parecem demasiado "lusitanas", não percebendo que Mourinho também é "aquilo". Termina assim:
"São expedientes pouco dignos para um clube com a dimensão do Real Madrid, ou quiçá, da significância do Real Massamá. De José Mourinho augura-se a perspicácia, a audácia, o golpe de asa. Lamenta-se a exploração dos furos do direito desportivo."
Destas três frases, subscrevo a última, sorrio perante a ingenuidade de JG ao separar as duas últimas e fico "Preciado" com a primeira. Se foi a brincar, não tem piada nenhuma. Se foi a sério, é um canalha. Para além de recorrer a uma piada fácil em função da primeira palavra da designação dos dois clubes, supõe que as atitudes de Amesterdão seriam expectáveis se protagonizadas pelo "Real Massamá". Lamentável pelo que revela de ignorância alguém que até já treinou nos escalões secundários.
Numa tarde de temporal, Real e Mafra defrontaram-se num jogo a contar para a 10ª Jornada da Zona Sul da 2ªDivisão. Os visitados a precisar de pontos para atingir uma posição confortável, enquanto que os visitantes procuram ainda chegar aos lugares da frente.
O jogo que marcava também os regressos de Nuno Gomes, Kifuta, Tuga e Jorge Paixão ao clube de Queluz-Massamá foi dominado pela intempérie. Não me recordo de assistir a um jogo em que, apesar de iniciado pelas 15 horas, houvesse a necessidade de recorrer à iluminação artificial durante a primeira parte!
A lotaria acabou por sorrir ao Mafra, fruto de um golo marcado por Kifuta a meio da segunda parte. Futebol houve muito pouco. Após o golo, a entrada de João Afonso acabou com o pouco que restava. O experiente central de Torres Vedras foi colocado em campo para reforçar o centro da defesa com Samuel e Diogo e não perdeu uma oportunidade para parar o jogo. Os 4 minutos dados pelo árbitro algarvio foram um absurdo. Acabou por ser um pormenor numa arbitragem de bom nível.
Considerando as condições do terreno, é de salientar positivamente a inexistência de cartões, o que remete para a extrema correcção verificada entre as duas equipas. Destaque para a prestação de Hugo Rosa. Apesar de muitas vezes desacompanhado, deu sempre luta à defesa amarela. Nota positiva também para o meio campo do Mafra, nomeadamente para o capitão Ricardo Correia, grande pulmão.
O registo negativo vai para mais uma derrota do Real, a quarta consecutiva, que leva a equipa para um lugar de descida à 3ªDivisão. Decorrido um terço do campeonato, julgo ser altura de fazer um pequeno balanço.
MAIS – Bruno Fernandes, Eduardo Simões e Hugo Rosa são os únicos jogadores que alinharam nas dez primeira partidas do campeonato. Não surpreende. São claramente os jogadores indiscutíveis do plantel. Cada um deles merecedor de palcos mais mediáticos, emprestam qualidade à equipa. Dino e Diogo continuam a pautar as suas actuações com a regularidade já (re)conhecida, enquanto que os reforços Sabino, Kikas e Tiago Conceição já mostraram ser mais-valias para o plantel, apesar de Sabino parecer ainda procurar a sua melhor forma. Apesar das prestações globalmente positivas, os reforços Dani, Ivanir e Arroja têm demonstrado alguma irregularidade.
MENOS – seis expulsões em dez jogos não são um registo positivo. Se nos lembrarmos que uma foi por palavras (Ivanir), outra por incúria (Dani) e a de Friday por manifesta e inadmissível falta de controlo emocional, então a foto fica ainda mais negra. Jorge Amaral tem uma palavra a dizer (também) nesta vertente. Pela trajectória futebolística, esperar-se-ia bem mais de David Nuñez e Tiago Rente. Outra das desilusões tem sido Tigas. O criativo esquerdino tem sido pouco utiliazdo, apesar de ter alinhado em nove das dez partidas. No entanto parece desmotivado e lento. A propósito de lentidão, que dizer de Godinho, o jovem que tanto elogiei na época passada, ao serviço do Sacavenense. É certo que a 2ªDivisão não é a Divisão de Honra da AF Lisboa, mas quem viu Godinho a época passada, dificilmente o reconhece no jogador que parece sem vontade nem velocidade. Problemas físicos ? Certo é que as oportunidades se vão esgotando. Finalmente, os nigerianos Michael e Friday. Apesar de demonstrarem algumas características fundamentais para a prática da modalidade, parece faltar-lhes sentido posicional. As dificuldades de comunicação são ainda mais relevantes quato maior a necessidade do técnico intervir para corrigir posições.
A REVER – os jovens Henrique Gomes (cedido pelo Sporting) e Luizinho já demonstraram qualidades que merecem ser revistas.
Jorge Amaral terá de provar ter capacidade para orientar uma equipa com graves lacunas no centro do ataque. Por outro lado, terá de definir a sua linha defensiva, em que apenas Eduardo Simões e Tiago Conceição parecem indiscutíveis. No entanto, seria conveniente assumir se este joga no meio, ao lado de Eduardo Simões, ou na esquerda.
A minha aposta para o onze-base é:
Bruno Fernandes – Sabino, Eduardo Simões, Tiago Conceição, Ivanir – Dino, Diogo, Kikas e Tigas – Hugo Rosa e David Nuñez