sábado, 30 de março de 2013

Mafra a caminho da Honra

Esta sexta-feira, o Mafra venceu no Carregado por 4-0, numa das finais que disputará até ao final da época. No domingo passado, assisti à partida frente ao Quarteirense e gostei do que vi. Não que o Mafra tenha feito uma grande exibição, mas mostrou ser uma equipa bem organizada e com bons jogadores em todas as posições. Elói Zeferino, técnico que já conduziu o Carregado à Liga de Honra, prepara-se para repetir a façanha.

Frente ao Quarteirense, o Mafra contou com Godinho na baliza, André Oliveira e Hugo Monteiro nas laterais e os centrais Samiro e Marco Baixinho. No miolo, Leo e Tiago Costa garantem segurança e espaço para o quarteto da frente. Aí, Pedro Dionísio e Tuga jogam nas alas e Nuno Gomes e Luís Tavares na frente. Apesar da entrada forte do Quarteirense, com a conquista de vários cantos, o Mafra assumiu o jogo.

Aos 15', Tuga coloca em Nuno Gomes que remata por cima. O Mafra chegaria ao golo perto da meia hora. O capitão algarvio coloca a mão na bola em plena área. Na marcação, Leo não dá hipóteses a Joel, guardião que revelaria qualidade ao longo do jogo. Até ao intervalo, só daria Mafra. Pouco depois do golo, Tuga cruza para a área, onde a bola acaba por sobrar para Pedro Dionísio. O lance perdeu-se porque Joel saíu rápido e impediu o segundo golo do Mafra.

Aos 35', Tuga bate Mário Pessoa, cruza para a área onde Nuno Gomes primeiro e Luís Tavares depois, não conseguem desviar para golo. Cinco minutos depois, Nuno Gomes cabeceia junto da marca de grande penalidade mas Joel volta a negar o segundo golo ao Mafra.

Para a segunda parte, Marito, treinador do Quarteirense, troca Madeira por Markito. Logo ao quarto minuto, grande lance do Quarteirense, talvez o melhor de todo o jogo, com a intervenção de vários jogadores mas onde Markus foi decisivo. No entanto, a finalização de Markito não foi eficiente.

O jogo passou então por uma fase menos agradável. Só aos 66', voltaria a registar-se um lance de perigo. Livre apontado por Hugo Évora para a área onde Nicola consegue isolar-se perante Godinho, mas o guardião do Mafra faz bem a mancha evitando o empate.

Apesar de alguma intranqulidade do Mafra por ter uma vantagem mínima, o Quarteirense não voltaria a criar perigo. Entrado aos 57' para o lugar de Luís Tavares, seria Alisson a estar na origem dos dois últimos lances de perigo do Mafra.

Primeiro aos 87', num livre directo ao poste. Depois, já em período de compensação. Ganha a linha de fundo perante Hugo Évora e cruza, mas Tiago Rente falha o desvio para as redes.

Ficam a faltar quatro finais, sendo que apenas uma delas será disputada longe do Mário Silveira. O Mafra irá receber 1ºDezembro e Oriental, deslocar-se-á a Fátima e termina com uma recepção ao Sertanense.

sábado, 23 de março de 2013

Sertanense em grande

O Sertanense demonstrou em Oeiras porque ocupa a quinta posição da classificação da Zona Sul e tem, pelo menos matematicamente, ainda hipóteses de discutir a subida. Bem orientada por João Sousa, a equipa revelou organização e criatividade na frente. O central António (com experiência de Honra pelo Rio Ave e Ovarense) foi o esteio defensivo da equipa. Renato (médio com passagens pelo Mafra, Odivelas e Pinhalnovense, entre outros) até marcou o primeiro golo. Continua a ser daqueles médios de baixa estatura mas chatos para os adversários e que nunca se esconde do jogo. O pequeno médio Alex (com breve passagem pelo Covilhã na Liga de Honra) também esteve bem e saíu muito chateado aos 75'. Mas o jogador que mais se mostrou foi Leonel. Extremo rapidissimo com passagens pelo Ol.Moscavide, Operário dos Açores, Tondela e Mafra, foi sempre um perigo para a defesa do Oeiras. A lutar pela permanência, a equipa da casa perdeu o jogo essencialmente pela falta de eficácia revelada. Nesse aspecto, fica a sensação de que falta um finalizador. A tarefa da manutenção não será fácil.

sábado, 16 de março de 2013

Destinos distintos

10/3/2013
SG SACAVENENSE-REAL SC 2-0
Arb:Eugénio Arez (AF Algarve)
Sacavenense-Hugo; Beto, Runa (Cap.), Alassane e Bebé; Manuel, Neio e Serginho; Leo, Beirão e Leo
Tr.Nuno Carvalho
Real-André Martins; David Rosa, Jibril (Cap.), Araújo e Paulinho; Milton, Ladeiras e Tiago Morgado; Tomás, Miguel Cardoso e Pratas
Tr.João Silva

Sacavenense e Real encontraram-se no passado domingo sabendo que a equipa que saísse derrotada desceria de divisão. Para o Real isso era seguro, para o Sacavenense era muito provável. A vitória do Sacavenense revelar-se-ia fundamental para o apuramento do clube da casa para a disputa da subida de divisão. Uma vitória do Real não teria alterado o seu destino, dado que o Pero Pinheiro conseguiu sair de Ponte de Sôr com os três pontos.

Foi o Real a primeira equipa a criar perigo quando, aos 7', após a marcação de um canto, Pratas desviou de cabeça ao lado. Mas o jogo foi desde muito cedo pautado por disputas no meio campo e sem grandes rasgos de perigo de parte a parte. Foi num lance algo confuso que o Sacavenense chegou à vantagem. Ao minuto 18, a bola sobra para Beirão que bate André Martins.

Num jogo em que a vitória era obrigatória e até poderia ser insuficiente, o Real não conseguiu reagir ao golo sofrido. Até ao intervalo, para além da entrada do experiente Pedro Neves (antigo jogador do Alverca de 1ª) para o lugar de Neio, registo apenas para dois remates. Primeiro foi David Rosa a rematar ao lado. Depois foi Serginho.

Para a segunda parte, João Silva deixa Milton e Ladeiras no balneário e faz entrar Ventura e Caramelo. Voltaria a ser o Real a primeira equipa a criar perigo. Aos 48', excelente remate de fora da área de Miguel Cardoso ao poste. A bola ainda sobra para Tomás, que cruza para cabeceamento perigoso de Pratas ao lado. A fazer companhia a Pratas na frente de ataque, Caramelo começava a ganhar algumas bolas nas alturas, mas os lances não resultavam em perigo para as redes do Sacavenense.

Aos 56', Elvis coloca em Leo que fura entre David Rosa e Araújo. O pequeno avançado do Sacavenense fica frente a André Martins mas não consegue ultrapassar o guardião do Real. Três minutos depois, Elvis sai para a entrada de Maurício. À passagem do minuto 64, Tomás surge em posição de remate do lado direito mas o canhoto hesita e o lance perde-se. Quatro minutos depois, contra-ataque sacavenense volta a colocar Leo face a André Martins. O avançado ultrapassa o guarda-redes mas David Rosa recupera a tempo de impedir o segundo golo do Sacavenense. Aos 72', João Silva esgota as alterações, trocando Pratas por Sérgio. No minuto seguinte, Pedro Neves cabeceia para o segundo golo respondendo a um cruzamento da direita. Numa altura algo morta da partida e em que o Sacavenense estava há muito numa postura de contenção, o Real ficava a três golos da vitória na partida.


Quatro minutos depois, Serginho sai para a entrada de Moita. Durante o tempo regulamentar, destaque para novo remate de Miguel Cardoso de fora da área para defesa de recurso de Hugo. Nos cinco minutos de compensação concedidos pelo árbitro Eugénio Arez, entre os amarelos a Maurício e Alassane por demora na reposição da bola em jogo, destaque apenas para um lance do Real. Paulinho ganhou a linha de fundo, cruzou para a área mas Sérgio falhou o desvio para golo.

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Alassane - após o apito final, o central senegalês aproximou-se de Pratas e confortou o seu antigo colega de equipa.

Paulinho - o único jogador do Real que deixou lágrimas e suor no relvado do Sacavenense. Paulinho foi muito provavelmente o jogador mais regular em toda a época. É, portanto, dos que menos merecia este destino. Numa altura em que é prematuro falar da próxima época, aqui fica uma palavra de conforto a Paulinho e extensível ao plantel. Vocês têm muita qualidade mas a sorte não quis nada convosco esta época. Não desistam.

Sacavenense - à semelhança do Real, o centenário clube de Sacavém apostou numa equipa muito jovem para disputar a última edição de sempre da 3ªDivisão. As dificuldades eram previsíveis mas acabaram por garantir o apuramento. Seria bonito se conseguissem subir.

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Serginho - o médio do Sacavenense tem tanto de bom jogador como de "malandro". Sistematicamente em busca de confronto, só mesmo uma arbitragem fraquinha o livrou de ver o amarelo durante os 77' em que esteve em campo.

Sacavenense - considerando os resultados que se verificavam nas restantes partidas, a vitória era fundamental. Mas a gestão de tempo foi muito exagerada. Começou logo após a marcação do primeiro golo e acentuou-se com o aproximar do fim do jogo, apesar da vantagem no marcador ter duplicado aos 73'. Risco zero, portanto.

sábado, 9 de março de 2013

Nulo penalizador

3/3/2013
REAL SC-ElÉCTRICO FC 0-0
Arb:André Narciso (AF Setúbal)
Real-André Martins; David Rosa, Jibril (Cap.), Miguel Santos e Paulinho; Milton, Tiago Morgado e Ladeiras; Miguel Cardoso, Tomás e Mota
Tr.João Silva
Eléctrico-Tiago Marinheiro; Balela, Carlos Carneiro, Jojó e Nivaldo; André Dias, David Nunes, Rui Costa e Crisanto; Billy e Yoruba
Tr.Américo Rosa

O nulo final penaliza a falta de capacidade das duas equipas em criar oportunidades de golo. Ainda assim, a haver um vencedor, este só poderia ter sido o Real, a equipa que mais fez por conquistar os três pontos. Pontos que tanta falta fazem para concretizar os objectivos do clube.

Logo ao minuto 3, bom lance pela direita que termina com Ladeiras a rematar de uma posição frontal mas por cima. O Real era a única equipa que atacava mas sem criar perigo. Aos 16', cruzamento de Tomás para cabeceamento fraco e à figura de Miguel Cardoso. Pouco depois, num lance praticamente igual, foi Mota a cabecear ao lado.

Apesar da iniciativa de jogo continuar a pertencer ao Real, a equipa não conseguiu criar chances para marcar. Entre os minutos 35 e 37, assistiu-se a algumas entradas mais duras de jogadores alentejanos, que resultaram em amarelos para Rui Costa e Billy.

À passagem do minuto 43, surgiu a grande chance de golo da primeira parte.  Canto apontado por Tomás e cabeceamento de Miguel Santos que passa pouco ao lado. Antes do apito para o intervalo, Jibril e Yoruba protagonizaram algumas picardias desnecessárias que o árbitro deixou passar sem mostrar cartões.

Para a segunda parte, João Silva substituiu o seu capitão por Araújo. Aos 48', um cruzamento de Miguel Cardoso leva a bola a beijar a barra da baliza à guarda de Tiago Marinheiro. Nove minutos depois, remate de Mota de fora da área que está perto de surpreender o gigante que ocupa a baliza da equipa de Ponte de Sôr.

A resposta alentejana era escassa. David Nunes remata torto e a bola sai mesmo pela linha lateral. Pouco depois, Yoruba remata à entrada da área à figura de André Martins. No minuto 67, amarelo a Crisanto que, já com com o cartão na mão do árbitro, atira a bola para longe em sinal de desagrado. Não percebo porque é que, em lances destes, os árbitros não admoestam o jogador a dobrar. Um jogador que atira a bola para longe com o jogo parado é amarelado, pelo que faria todo o sentido.

Na marcação do livre que se seguiu, apontado por Tomás, Milton cabeceia, Tiago Marinheiro defende e Miguel Santos recarga para o fundo das redes. O árbitro assistente assinala fora-de-jogo e as imagens parecem dar-lhe razão.

João Silva opta por colocar um ponta-de-lança e troca Miguel Cardoso por Caramelo. No Eléctrico, Américo Rosa faz sair André Dias para a entrada de Paéco.

Três minutos depois, Rui Costa vê o segundo amarelo num lance em que Tomás cai. Parece algo exagerado pois o médio do Eléctrico até procura evitar o contacto. No minuto 78, na sequência de um canto, a bola sobra para Mota que remata colocado ligeiramente por cima, num lance em que o guardião do Eléctrico estava batido. No minuto seguinte, Tiago Morgado combina com Paulinho no flanco esquerdo, o cruzamento é parado pelo guarda-redes do Eléctrico mas a bola sobra para Tomás que remata contra o corpo de Tiago Marinheiro. O Real continuava por cima mas não marcava.

Aos 80', sai Mota para entrar Pratas e Billy para a entrada de Alberto. Cinco minutos depois, Yoruba falha cabeceamento num dos raros lances que levaram perigo relativo à área do Real. Pouco depois, a bola passa pela pequena área defensiva do Real sem que surja o desvio.

Ainda antes dos 90', Araújo coloca a bola na área onde Caramelo recebe de costas para a baliza mas não consegue virar quando estava numa posição privilegiada. Nos cinco minutos de compensação concedidos pelo árbitro, para lá da última substituição do Eléctrico (Yoruba por Serginho) e de um amarelo por perda de tempo para o guardião alentejano, nota para um bom lance do Real. A bola passa por David Rosa, Pratas e Tomás antes da finalização de pé esquerdo de Paulinho por cima.

O resultado final penaliza bem mais o Real que continua a lutar por um lugar nos seis que disputarão a subida. Amanhã, o jogo frente ao Sacavenense é decisivo. Para o Real, apenas a vitória interessa. Mas se o Pero Pinheiro vencer em Ponte de Sôr, uma vitória do Real não só não servirá os seus intuitos como poderá relegar o Sacavenense. Pede-se concentração e controlo emocional.

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Lucílio Batista assistiu à prestação do árbitro André Narciso que se saíu bem na generalidade dos lances.

domingo, 3 de março de 2013

Duas metades

24/2/2013
SU SINTRENSE-REAL SC 2-2
Arb:André Baltasar (AF Beja)
Sintrense-Hugo; Serginho, Wilson, Pedro Marques e Divaldo; Sandro, Saramago e Rodri; Vítor Gomes, Carlitos e Cacito (Cap.)
Tr.Bruno Baltazar
Real-André Martins; David Rosa, Miguel Santos, Jibril (Cap.) e Rui Loures; Paulinho, Milton e Ladeiras; Miguel Cardoso, Tomás e Pratas
Tr.João Silva

O derby concelhio de domingo passado teve mais Sintrense no primeiro tempo e mais Real no segundo, pelo que o empate se aceita.

De início, o Sintrense surgiu com mais iniciativa mas sem criar perigo. Por outro lado, o Real entrou em contenção e à procura do contra-golpe também sem sucesso. As disputas a meio campo resultaram em apenas um cartão, mostrado ao sintrense Sandro por falta sobre Milton, à passagem do minuto 19. Seria o único mostrado pelo árbitro da AF Beja durante toda a partida.

Aos 27', na sequência de um livre apontado junto do banco do Sintrense, Carlitos surge solto na área mas o cabeceamento sai muito torto. Três minutos depois, Carlitos ganha espaço a Rui Loures na área após toque de cabeça de Cacito e faz o primeiro golo.

Ao minuto 32, Tomás remata por cima mas o Real pouco tempo teve para reagir até sofrer o segundo golo num livre directo apontado de forma eficiente por Rodri. Ainda antes do intervalo, Paulinho coloca na esquerda em Miguel Cardoso que remata ao lado da baliza à guarda de Hugo. Na resposta, Saramago aponta o canto e parece ser Carlitos a cabecear a bola que passa ao lado.

A perder por dois golos, João Silva deixa Rui Loures e Pratas no balneário e coloca em campo Tiago Morgado e Sérgio. Ao minuto 50, um passe transviado de Ladeiras proporciona uma transição do Sintrense que só não resulta no terceiro golo do Sintrense porque André Martins negou o intuito de Vítor Gomes.

Três minutos depois, Morgado aponta canto, Miguel Cardoso desvia ao primeiro poste e Miguel Santos finaliza ao segundo. O Real reduzia na sequência de um dos vários cantos que conquistou no início do segundo tempo.

Depois de sofrer o golo, foi a vez do Sintrense conquistar alguns cantos mas de que não resultou perigo. Tal como acontecera na primeira metade, a equipa que sofreu golo mal teve tempo para reagir até sofrer o segundo. Milton coloca na direita de onde Miguel Cardoso cruza para Tomás, nas costas de Sérgio, cabecear para o empate. Faltava meia hora para o final da partida e as duas equipas queriam vencer.

Aos 66', Bruno Baltazar troca Rodri por Tiago Figueiredo. No minuto seguinte, cruzamento de Divaldo que Vítor Gomes desvia de cabeça por cima da barra. No minuto 74, canto apontado por Tiago Figueiredo que Cacito cabeceia por cima, num dos raros lances em que se superiorizou na área do Real. Três minutos depois, Divaldo coloca em Cacito que surge em posição duvidosa e remata ao poste.

Os técnicos voltariam a mexer nas equipas, com as entradas de Mota para o lugar de Ladeiras e de Emanuel para o lugar de Divaldo. Até ao apito final, ainda houve tempo para um bom lance de Paulinho pela esquerda, com cruzamento para Mota que rematou fraco e às malhas laterais. Na resposta, Vítor Gomes cruza para o cabeceamento de Cacito mas André Martins impede o seu antigo colega de marcar. O último lance digno de registo foi um remate de Mota de fora da área com a bola a sair à figura de Hugo.

O Real voltou a demonstrar na visita ao terreno do primeiro classificado da Série E que possui uma equipa de qualidade mais do que suficiente para discutir a subida. Com tudo em aberto, as duas últimas jornadas da primeira fase prometem.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fabril superiorizou-se

17/2/2013
REAL SC-GD FABRIL 1-3
Arb:André Moreira (AF Leiria)
Real-André Martins; David Rosa, Araújo, Jibril (Cap.) e Rui Loures; Milton, Paulinho e Ladeiras; Tomás, Miguel Cardoso e Pratas
Tr.João Silva
Fabril-Ruben Luís; Carlos André, Marinheiro, Rui Correia e Paulo Letras; Conceição, Danilo e Miguel Pimenta; Bolinhas, Ruben Guerreiro e Catarino (Cap.)
Tr.Conhé

Desde que desceu à 3ªDivisão que o Real não era claramente inferior ao adversário num jogo. Aconteceu no domingo passado frente ao Fabril.

Logo a abrir, Ruben Guerreiro coloca em Bolinhas que remata para boa defesa de André Martins. Pouco depois, Miguel Cardoso quase domina na área mas o lance perde-se. Aos 16', surge o primeiro golo do Fabril. Bolinhas aponta um canto ao primeiro poste, onde surge Ruben Guerreiro a desviar para as redes, com a bola ainda a tocar no poste.

O Real não conseguia reagir e, aos 23', novo canto de Bolinhas e nova chance de golo para a equipa do Barreiro, com o central Rui Correia a cabecear ao poste. Na resposta, canto apontado por Ladeiras, com Pratas a ganhar um dos poucos lances na área, mas a cabecear muito ao lado. Dois minutos depois, bom lance de Pratas que consegue entrar na área mas acaba cercado por defesas do Fabril e acaba por cair num lance com Marinheiro. Logo a seguir, na marcação de um livre, Ruben Guerreiro coloca a bola na barra.

O jogo entrou então numa fase algo confusa. Só aos 38' voltou a registar-se um lance digno de nota. David Rosa cruza para a área onde Tomás, pressionado por Carlos André, não consegue finalizar. O final da primeira parte chegaria com o Fabril no meio campo do Real.


Para a segunda parte pedia-se muito mais ao Real. No entanto, voltou a ser o Fabril a criar uma chance de golo, ao minuto 54. Ruben Guerreiro responde de cabeça a um cruzamento de Paulo Letras mas com a bola a sair ao lado. Seis minutos depois, João Silva faz a primeira alteração, saindo Pratas para a entrada de  Mota. Ao minuto 64, Miguel Pimenta rouba a bola a Jibril, entra na área e bate André Martins. O Fabril ficava a vencer por dois golos. Pela forma como o Real estava no jogo, a derrota parecia consumada.

Conhé troca Catarino por Banana e João Silva aposta em Ventura para o lugar de Milton. À passagem do minuto 72, bom remate de Ventura para defesa a condizer de Ruben Luís. Na sequência do canto, Araújo ganha a Conceição mas o cabeceamento sai por cima.

Quatro minutos volvidos, Danilo remata junto da marca de grande penalidade, mas David Rosa desvia para canto. Pouco depois, Bolinhas sai para entrar Mário Jorge e Rui Loures para a entrada de Sérgio.

Quatro minutos após as substituições, Banana fura pela defesa do Real, André Martins ainda defende o primeiro remate mas a bola sobra para o jogador do Fabril que faz o 0-3. A quatro minutos do final, Conhé faz a última alteração, trocando Danilo por Espanta. Apesar do jogo estar mais do que decidido, alguns jogadores do Fabril não tiveram o controlo emocional que seria de esperar. Autor de um execelente golo, Banana é expulso após um desaguisado com David Rosa que me abstenho de descrever. Pouco depois, Mota aponta um canto, Araújo cabeceia de cima para baixo e Paulo Letras tira em cima da linha. O auxiliar dá sinal de golo mas não parece que a bola tenha transposto a linha de golo. Na sequência do lance, Marinheiro é expulso por palavras. Apesar de ter menos dois jogadores em campo, o Fabril não concedeu espaços ao Real até ao minuto final.

A arbitragem teve um critério disciplinar difícil de entender e permitiu demora excessiva nas substituições.

Amanhã é dia de Sintrense-Real. Para os visitantes, é ganhar ou... ganhar.

A afronta

Há cerca de vinte anos, existia um partido político (PSR) que não permitia que determinadas personagens viessem a Portugal em paz e sossego, como quem passa férias num qualquer recanto mais ou menos paradisíaco. Figuras como Le Pen ou Li Peng levaram para casa algumas recordações menos agradáveis. Vem isto a propósito das reacções que os membros do Governo têm enfrentado um pouco por todo o país. O caso particular de Miguel Relvas parece-me exemplar.

Um ministro que começou por ser motivo de chacota nacional, tornou-se um símbolo de tudo o que uma sociedade moderna despreza e que as medidas de austeridade exponenciam. O facilitismo e chico-espertismo que revela desde o caso da licenciatura, passando pelo caso Rosa Mendes, o processo RTP ou a forma como defendeu o secretário de Estado com currículo BPN, são exemplares da forma de 'ser' Miguel Relvas.

Neste contexto, não surpreendem iniciativas como as que ocorreram no Clube dos Pensadores e no ISCTE. Também não surpreende a reacção oficial da TVI e, ainda menos, a do Governo. Ataque à liberdade de expressão, disse-se. Será?

O cidadão Miguel Relvas e o Ministro Miguel Relvas são uma e a mesma coisa? Não. O cidadão Relvas não seria convidado da TVI, mas o ministro sim. A expressão "direitos adquiridos" faz sorrir os que seguem a cartilha do poder. Não é a liberdade de expressão um direito adquirido? Não é de um simbolismo tremendo que esta seja negada aqui e ali a quem vem tirando tanto a tantos ?

O "politicamente correcto" tem sido arma de arremesso de uma certa direita sobre uma certa esquerda. Para que fique claro, di-lo-ei com todas as letras. Não. Não acho que o ministro Relvas tenha o direito de ir discursar numa conferência, como se fosse um orador como outro qualquer. Não. O ministro Relvas continua no Governo porque não tem um pingo de vergonha na cara e o PM um par de testículos condizente com a função. Assim, qualquer cidadão português tem o direito de lembrar publicamente ao ministro e a quem quiser ver, que a sua presenca no governo é uma vergonha ímpar na democracia portuguesa.

Ao discurso 'o homem nunca foi condenado por coisa nenhuma', impõe-se uma exigência ética combativa.

"Afronta" foi a expressão usada pelo líder da bancada parlamentar do PSD. Estes senhores que ajudaram a derrubar um governo porque havia limites para os sacrifícios pedidos aos portugueses, que prometiam reduzir as gorduras do Estado, que eram o ultimo modelo do liberalismo, falam em "afronta".

Uma afronta ao sentido cívico dos portugueses seria uma figura desprezável como o Ministro Relvas passear-se como se fosse tudo "normal". Não.

O ministro Relvas diz que não podem ter "medo". O sr. ministro que se cuide. A música nunca feriu ninguém mas pode ajudar a derrubar governos. Até já aconteceu por cá e nem há 40 anos.